Urgência de ginecologia e obstetrícia de Portimão encerrada. Governo anuncia plano de contingência para o verão

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Tiago Petinga / Lusa

Marta Temido, ministra da Saúde

O serviço de urgência de ginecologia e obstetrícia da Unidade Hospitalar de Portimão estará encerrado durante quase uma semana, por dificuldade em assegurar escalas, informou esta terça-feira o Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA).

“Devido à dificuldade em assegurar escalas na maternidade e no bloco de partos de Portimão, o Serviço de Urgência de Ginecologia/Obstetrícia da Unidade Hospitalar de Portimão vai encerrar”, entre as 21:00 desta terça-feira e as 09:00 da próxima segunda-feira, 20 de junho, anunciou a administração do centro hospitalar.

Em comunicado, citado pela agência Lusa, o conselho de administração do CHUA acrescentou que será reorganizada “uma resposta assistencial coordenada entre as suas duas unidades hospitalares, garantindo assim a qualidade e segurança dos serviços prestados a nível regional”.

E garantiu que a resposta assistencial regional do CHUA nestas especialidades está garantida na Unidade Hospitalar de Faro pela equipa de especialistas de Faro, a qual será reforçada com médicos da Unidade Hospitalar de Portimão.

“Todos os restantes serviços e áreas assistenciais encontram-se a funcionar em pleno”, esclareceu ainda o CHUA na nota.

Nos últimos dias têm-se sucedido os encerramentos das urgências de ginecologia e obstetrícia um pouco por todo o país, por dificuldades em assegurar escalas.

Urgências com plano de contingência no verão

A ministra da Saúde anunciou na segunda-feira um um plano de contingência para os meses de verão, com uma maior articulação dentro do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a contratação de “todos os especialista que queiram ser contratados” e a monitorização dos indicadores de saúde materna.

“Sabemos que, não sendo de hoje, estes problemas estão num momento mais agudo, depois de dois anos de pandemia e de um adiar de um conjunto de medidas que queríamos ter implementado anteriormente e que não foram possíveis de ser implementadas”, referiu a ministra, destacando os “constrangimentos nas organizações de escalas de urgência externa de ginecologia e obstetrícia”.

Temido avançou, citada pelo Jornal de Notícias, um “plano de contingência para junho, julho, agosto e setembro”, com “o funcionamento mais articulado e antecipado das urgências do SNS”, que poderá abranger as “questões remuneratórias associadas, e uma “monitorização dos indicadores de saúde materna”.

A ministra referiu ainda um “plano de médio prazo”, com um “olhar para a formação de recursos na obstetrícia” e para a “contratação de todos os especialistas que aceitem ser contratados pelo SNS”.

Mário Cruz / Lusa

“Infelizmente, não temos para contratar tantos recém-especialistas quanto gostaríamos”, indicou a ministra, que na segunda-feira reuniu com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (LVT), com os diretores de ginecologia e obstetrícia e com os diretores clínicos dos hospitais da região de LVT. Foram ainda ouvidos a Ordem dos Médicos e os sindicatos.

Segundo noticiou o Público, os “tarefeiros” – médicos contratados em prestação de serviço – chegam a cobrar, em situações excecionais, mais de 100 euros por hora. Habitualmente recebem 40 a 50 euros por hora, cerca de três vezes mais do que o que é pago aos médicos do quadro dos hospitais. Se faltarem, não são penalizados.

Vários serviços fechados em quatro dias

No passado dia 08, uma mulher perdeu o bebé por alegada falta de obstetras para a assistir no parto no hospital das Caldas da Rainha, caso que está a ser averiguado pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde.

No Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, não houve atendimento urgente de ginecologia e obstetrícia durante o dia 08 e as 08:30 do dia 09 e de ortotraumatologia até às 20:00 do dia 08.

Na segunda-feira, dia 13, foi o Hospital de Vila Franca de Xira que pediu ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) para encaminhar para outras unidades os utentes transportados em ambulância, por incapacidade do seu Serviço de Urgência, situação que estaria regularização estava prevista para as 21:00.

Na Guarda, também as urgências de ortopedia ficaram suspensas nos últimos dias, com condicionamentos da Viatura Médica de emergência e Reanimação.

No dia 12, o serviço de urgência de ginecologia e obstetrícia do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, só reabriu às 20:00. No mesmo dia, a urgência de obstetrícia do hospital de Braga, por impossibilidade de completar escalas, fechou durante 24 horas.

Nesta segunda-feira, os constrangimentos chegaram ao Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), onde não houve cirurgia geral, sendo encerrados outros serviços foram encerrados em Portimão (pediatria).

Também no Hospital de São Francisco Xavier e Centro Hospitalar Barreiro Montijo as urgências de ginecologia e obstetrícia fecharam, às 20:00, reabrindo 12 horas depois, às 08:00 de terça-feira.

  ZAP //

13 Comments

  1. A culpa éda troika e do Passos Coelho. Antes do Passos Coelho não havia problema nenhum e depois veio a Geringonça que resolveu tudo. Aliás pensando bem não ha problema nenhum, Isso são as pessoas a falar sem saber

      • Nunca . impossivel, O Governo de Costa resolveu todos os problemas quando esteve governando com o apoio do BE e do PCP. Não havia uma greve, nadinha. Era o Paraiso na terra.Agora continua a ser o paraiso na terra, mas sem os apoiantes de Putin a influenciar o governo, pelo que temos greves e ja tudo corre mal. O povo escolheu ser governado assim, em que para se dar alguma coisa a alguns entre subsidios e apoios a quem nada faz pelo pais depois não se pode ter um bom serviço nacional de saude e sofrem todos. Nem a brutal colecta de impostos indirectos que temos, ajuda a tanto subsidio e apoio a quem nada faz e taxas a quem produz. Claro que esses subsidio dependentes votam em quem lhes da dinheiro e entramos numa pescadinha de rabo na boca, à custa de profissionais mal pagos no SNS. Quando se diz que um tarefeiro ganha 3 vezes mais que um contratado vemos que tudo está mal. lembro de noticias em que anestesistas era pagos a 500 euros à hora ou algo assim como tarefeiros, claro que uma grande fatia vai para as empresas que lá os colocam, mas duplicando custos desnecessariamente. Pelos vistos apenas no SNS não se podem contratar médicos e enfermeiros para os quadros, ja nas Câmara Municipais hà contratos para tudo e mais alguma coisa.

  2. Deixemo-nos do passa culpas. O grande problema são os Prestadores de Serviço. Há que os integrar no quadro permanente dos hospitais , que não estão preenchidos, e nivelar as remunerações dos Médicos do SNS para valores bem mais superiores,

    • Tanto quanto se sabe, a classe medica não quer fazer parte do SNS depois de sacar os custos das suas formações aos contribuintes, sendo admitidos pelos Serviços de Saúde Privada os profissionais a custo zero, também não me parece que um profissional de Saúde, depois de conhecidas as suas atitudes, as suas posições, apenas pelo facto de trabalhar nos serviços Privados , tenha melhor Moral, melhor ética, sentido de profissionalismo, seriedade, e mereça mais confiança, como alguém dizia um bandido será sempre um bandido em qualquer circunstancia.

  3. Infelizmente esta situação que é muito grave para quem tem necessidade dos serviços de saúde em geral, e não só dos utentes do SNS como muita gente pensa, já que é relevante a fraca moral e ética de quem teria como objetivo tratar a saúde da população, já que um Medico uma Enfermeira não passa a ter melhor moral, melhor profissionalismo, mais ética, por trabalhar no serviço privado, seja o serviço privado que for, como alguém diz, um bandido será sempre um bandido seja em que circunstancia for.
    Agora sem nenhuma duvida que os culpados de toda a situação são, todos os Políticos de todos os Partidos da extrema esquerda á extrema direita, que de uma forma populista dá exceções a Profissionais de Saúde que mais nenhum profissional de nenhuma atividade ou social tem, seja, os tempos para Reformas, os limites de idade para serviços de Urgência, ou limites de idade para reforma, etc.. todos ouvimos as declarações dos partidos políticos que se resumem a declarações partidárias politicas, sem conteúdo, proposta para na AR legislar no sentido de solver o problema é Zero, não se compreende que depois da formação de um medico uma Enfermeira, depois de gastar uma pipa de massa aos contribuintes para a sua formação seja livre para ir trabalhar para o Privado e, ou, estrangeiro sem que seja obrigado a devolver ao contribuinte os custos da sua formação, um hospital ou clinica investiu no profissional Zero, tem o profissional de borla.
    Na minha opinião, acabava com o sistema de médicos de família (nunca alcançável, e até desinteressante), que não tem qualquer valor, era muito preferível ao utente procurar o medico a seu gosto com acordo no SNS, e qualquer família teria consequentemente o medico para a família que acha-se mais conveniente e de maior confiança.

  4. A pergunta então que se coloca é: se é melhor ser “tarefeiro” porque é que os médicos contratados não mudam? Ahhh.. Talvez porque deixam de ter a garantia e o conforto do vínculo laboral, deixam de ter o subsídio de férias e de natal, deixam de ter as horas extraordinárias, deixam de receber nos dias que não trabalham, etc… O grande problema do SNS é o seu modelo de gestão que não atrai os profissionais de saúde. Parece que ninguém quer falar de uma reforma do SNS e apenas querem atirar dinheiro para apagar os incêndios.

  5. Os problemas do SNS têm sobretudo a ver com o Estado pagar aos médicos do SNS menos do que é oferecido pelo setor privado. Assim não é possível contratar médicos. Portanto, para resolver a situação é preciso:

    1. Que o Estado pague aos médicos do SNS o mesmo que o setor privado paga;
    2. Aumentar o número de vagas no ensino de medecina, para que haja mais médicos;
    3. Temporariamente decretar o serviço militar obrigatório, de dois anos, a todos os médicos que acabem a especialidade, colocando-os nos hospitais públicos. O SMO podia ser dispensado para todos os médicos que, ao acabarem a especialidade, fizessem um contrato de cinco anos com o SNS.

    • Será difícil aumentando “o número de vagas no ensino de medecina”, que surjam mais médicos. Para isso devem aumentar as vagas do ensino de medicina.

  6. Atendendo ao custo a que fica cada licenciado em medicina, não seria de estabelecer um periodo (10 anos) de trabalho obrigatório no Estado? E porque não abrirem mais vagas para cursos ou especialiddes médicas?

  7. O SNS é apenas o espelho da degradação, incompetência e saque a que o país tem estado submetido de há 48 anos para cá. Democracia sem responsabilidade e com corrupção como cultura de fundo, é no que está a dar e à vista de todos! Não esquecer o ensino cada vez de pior qualidade e segurança que nenhum deputado sequer se dá ao trabalho de debater na AR. Com um governo de falsas promessas e um PR como apoiante, só nos resta esperar por dias mais difíceis!

  8. O SNS-Serviço Nacional de Saúde continua infelizmente ligado ao ventilador, tratando-se de um problema grave que coloca em causa a prestação de cuidados médicos à população portuguesa já tão penosamente sobrecarregada com o aumento do custo de vida, nomeadamente dos bens essenciais, o recrudescimento da pandemia COVID através de nova variante e o aparecimento de novo vírus. É do conhecimento geral o problema da falta de médicos no SAP-Serviço de Atendimento Permanente dos Centros de Saúde, ocasionando anormal acesso às urgências hospitalares onde permanecem durante horas utentes em macas nos corredores. A ministra desdobra-se em visitas e aponta plano de contingência, mas o necessário é um plano de urgência que consiga fazer regressar o SNS aos parâmetros que deram origem à sua criação, ou seja, um serviço de qualidade, universal, geral e gratuito acessível a toda a população, independentemente da bolsa de cada um.
    Existem enormes responsabilidades políticas por parte deste governo e dos anteriores, sempre incapazes de orçamentar e gerir devidamente o serviço, de tratar todos os profissionais com dignidade e valorizar os CSP-Cuidados de Saúde Primários.

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