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O Twitter foi palco de troca de acusações entre os primeiros-ministros da Eslovénia e dos Países Baixos

Stephanie Lecocq / EPA

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte.

Troca de palavras decorreu na rede social com acusações pouco habituais entre chefes de Governo e principais figuras das instituições europeias.

Foi num tom pouco habitual e num cenário igualmente pouco expectável — pelo seu nível de exposição — que os primeiros-ministros da Eslovénia e nos Países Baixos se envolveram numa troca de acusações sobre o papel que as instituições europeias devem ter nos estados-membros, mas também sobre a liberdade de imprensa nos respetivos países.

Tudo começou com uma iniciativa do Parlamento Europeu que decidiu enviar à Eslovénia uma delegação da comissão parlamentar de Liberdades Cívicas à Eslovénia, com o objetivo de investigar as ameaças à liberdade de imprensa naquele país. Na altura, Janez Jansa, primeiro-ministro esloveno, recusou-se a encontrar-se com os eurodeputados, motivando uma reação por parte da bancada dos Socialistas e Democratas (S&D) que também através do Twitter criticaram a “cadeira vazia” de Jansa. O governante, como era expectável devido ao seu estilo característico, não demorou a pronunciar-se.

“Mas quem são vocês? Quantas vezes visitaram a chancelaria alemã, o primeiro-ministro holandês ou o Presidente francês? Já agora, o último jornalista assassinado na UE foi nos Países Baixos“, escreveu o chefe de Governo esloveno. Mark Rutte sentiu-se provocado e não se esquivou a uma resposta. Começou por classificar as palavras do homologo esloveno como de “mau gosto” e condenou “fortemente a atitude“. Jansa, novamente, não se deixou ficar e dirigiu-se ao primeiro-ministro dos Países Baixos de forma direta, invocando o seu nome para que não restassem dúvidas sobre quem seria o seu interlocutor.

“Bem, Mark, não percas tempo com embaixadores e liberdade de expressão na Eslovénia. Juntamente com a Sophie in ‘t Veld [eurodeputada liberal holandesa], trata de proteger os teus jornalistas de serem mortos nas ruas“, escreveu.

Desta vez, o primeiro-ministro holandês não respondeu à provocação e deixou Jansa a falar sozinho. No entanto, a polémica não ficou circunscrita aos dois primeiros-ministros. Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, envolveu-se igualmente na polémica, de forma a acalmar os ânimos. “O respeito mútuo entre as instituições da UE e no seio do Conselho Europeu é o único caminho a seguir“, escreveu, sem identificar os destinatários da sua mensagem. Acrescentou ainda, em jeito de recado, que “os membros do Parlamento Europeu devem poder fazer o seu trabalho livremente, sem qualquer pressão“.

O Expresso nota ainda que Janez Jansa chamou ainda para a conversa a eurodeputada Tanja Fajon, líder dos Sociais-Democratas na Eslovénia, que constituem a oposição ao partido do atual primeiro-ministro, o que faz com que muitos a apontem como provável próxima primeira-ministra.

David Sassoli, Presidente do Parlamento Europeu, também se envolveu na discussão, numa tentativa de chamar Jansa à razão. “Apelamos a que pare com as provocações. Os ataques aos eurodeputados são ataques aos cidadãos europeus”, escreveu, mas em vão. O governante esloveno voltou à carga para responder: “A Eslovénia não é uma colónia“.

A Eslovénia é o país que preside atualmente à presidência rotativa da UE. Na próxima semana, tanto Janez Jansa como Mark Rutte estarão cara-a-cara na cimeira europeia da próxima quinta e sexta-feira, pelo que a intervenção de Charles Michel pode ter tido que ver precisamente com esta reunião. Com ou sem presidência, com ou sem cimeira, é certo que Jansa tem sido sinónimo de polémicas desde que assumiu o cargo de primeiro-ministro. São vários os episódios no país que levantam dúvidas em relação ao Estado de Direito e à liberdade de expressão.

  ZAP //

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