A Turquia é a pedra no sapato nas esperanças de adesão à NATO da Finlândia e da Suécia

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Tolga Bozoglu / EPA

Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan

A Turquia acusa os dois estados nórdicos de albergarem e apoiarem o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, com quem Ancara trava há décadas um violento conflito armado.

Depois de o braço de ferro entre o Presidente e o primeiro-ministro da Croácia ter sido o primeiro sinal de que a entrada da Finlândia e da Suécia na NATO pode não ser assim tão “ágil e tranquila”, como prometeu Jens Stoltenberg, a Turquia veio a público manifestar abertamente a sua oposição.

O anúncio surgiu na sexta-feira, pela boca do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que explicou a posição de Ancara com o apoio dos dois países nórdicos ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que tem um longo historial de conflito com a Turquia.

Desde 1984 que o PKK tem levado a cabo uma rebelião contra o estado turco e os confrontos já mataram milhares de pessoas. A Turquia, assim como a União Europeia e os Estados Unidos, consideram o PKK uma organização terrorista.

“Estamos a acompanhar os desenvolvimentos relativos à Suécia e Finlândia, mas não temos uma opinião positiva”, afirmou Erdogan, que acusa a Finlândia e a Suécia de serem “albergues para organizações terroristas” e refere que não quer repetir o erro que a Turquia cometeu ao deixar a Grécia entrar na aliança atlântica.

O processo de adesão à NATO exige que todos os membros aprovem a entrada de um país, pelo que a posição turca pode pôr em causa todo o processo, apesar de Ancara ter sido sempre favorável à expansão da aliança atlântica desde 1952, ano em que aderiu. Já há muito que a Turquia se queixa da falta de apoio dos aliados ocidentais no conflito contra o PKK.

Os Estados Unidos afirmaram na sexta-feira que prezam a relação com a Turquia e que a cooperação bilateral continua a ser uma prioridade, numa altura em que Washington acabou de acertar uma venda de material militar a Ancara. A Administração Biden já contactou Erdogan em busca de um consenso.

“É inaceitável e escandaloso”

Na reunião deste sábado em Berlim com os seus aliados da NATO, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Mevlut Cavusglu, afirmou reiterou os argumentos de Erdogan, acusando a Suécia e a Finlândia de apoiarem “organizações terroristas que estão a atacar as nossas tropas todos os dias”.

“É por isso inaceitável e escandaloso que os nossos amigos e aliados estejam a apoiar esta organização terrorista. Este são problemas de que temos de falar com os nossos aliados da NATO e também com estes dois países”, afirmou.

No entanto, o responsável turco mostrou-se aberto ao diálogo para que seja encontrada uma solução. O porta-voz de Erdogan, Ibrahim Kalin, também afirmou este sábado que a porta diplomática não está fechada, mas deixou claras as exigências turcas para que aprovem a adesão à NATO.

“Não fechamos a porta, mas estamos a levantar esta questão porque é um problema de segurança nacional para a Turquia“, revela à Reuters. O PKK está e recrutar e a angariar fundos na Europa, reforça, e sublinha que a sua presença é “particularmente forte” na Suécia.

As exigências turcas são claras: “Eles têm de deixar de permitir a presença de órgãos, actividades, organizações e indivíduos do PKK nos seus países. Vamos ver como as coisas correm. Mas este é primeiro ponto que queremos trazer para a atenção de todos os aliados e das autoridades suecas”.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Letónia, Edgar Rinkevics, também se mostrou esperançoso de que a NATO vai encontrar uma solução “sensata” para esta disputa. “Já tivemos discussões destas na aliança muitas vezes antes. Acho que encontramos sempre soluções sensatas e o mesmo vai acontecer agora”, garante.

Finlândia formaliza pedido de adesão

Entretanto, a Finlândia anunciou oficialmente este domingo a sua candidatura à NATO pela boca do chefe de Estado.

“Este é um dia histórico. Uma nova era começou”, disse o Presidente finlandês, Sauli Niinistö, numa conferência de imprensa conjunta com a primeira-ministra, Sanna Marin.

É expectável que o parlamento finlandês aprove esta decisão nos próximos dias. Depois de aprovado pelo parlamento, o pedido formal de adesão à NATO será submetido à sede deste organismo, em Bruxelas, sendo previsível que tal aconteça durante a próxima semana.

A posição historicamente neutra da Finlândia e da Suécia foi quebrada após o início da guerra na Ucrânia. Apesar de terem sido sempre aliados estreitos da NATO e de fazerem exercícios militares conjuntos, os dois países não estavam interessados na adesão até serem ameaçados pelo Kremlin. Desde então, as sondagens à entrada mostram uma mudança na postura da população favorável à entrada na aliança.

A opinião pública na Suécia tem hesitado mais sobre uma possível adesão, mas espera-se que o avanço dos vizinhos finlandeses seja um empurrão necessário para a formalização da candidatura de Estocolmo.

  Adriana Peixoto, ZAP //

6 Comments

  1. A Turquia é a próxima a ter de deixar a NATO… Aliás, todos os países da UE e da NATO com regimes autocráticos, opressivos, repressivos e totalitários DEVIAM ser todos sancionados e até expulsos da União Europeia, até para evitar ter um país pró-Russo como a Turquia (os ditadores juntam-se todos, é assustador) com poder de veto sobre o que quer que seja… A Turquia tem de seguir o caminho da Rússia para fora da NATO… Da UE, ela não faz nem nunca fará parte… Agora só falta a NATO…

  2. A Turquia só está na NATO por motivos da sua posição estratégica. Sempre foi um país com governos autoritários. A partir do momento em que o Erdogan aceitou a ajuda do Putin para se manter no poder, deixou de ser um parceiro de confiança na NATO. Pode muito bem até ser um agente duplo. Esta sua oposição à entrada na Finlândia e da Suécia é um sinal disso. Ele está a fazer o jeito ao Putin.

    • Pior foi a Turquia, um país da NATO, ter comprado armamento russo ainda há pouco tempo!..
      Mas tem piada a Turquia achar que manda alguma coisa na NATO…

  3. A melhor proteção é a neutralidade, a neutralidade total. O profeta Daniel escreve: “E [o rei do norte = Rússia desde a segunda metade do século XIX. (Daniel 11:27)] tornará para a sua terra com muitos bens [1945], e o seu coração será contra a santa aliança [a União Soviética introduziu o ateísmo estatal e os crentes foram perseguidos]; e vai agir [isso significa alta atividade no cenário internacional], e voltará para a sua terra [1991-1993. A dissolução da União Soviética e o Pacto de Varsóvia. As tropas russas retornaram a sua terra]. No tempo designado voltará [as tropas russas voltarão para onde estavam anteriormente estacionadas. Isto também significa ação militar, grande crise, desintegração da União Europeia e da NATO. Muitos países do antigo bloco de Leste voltará à esfera de influência russa]. E entrará no sul [por causa do conflito étnico (Mateus 24:7)], mas não serão como antes [Geórgia – 2008] ou como mais tarde [Ucrânia – atualmente. Este conflito também não se transformará em uma conflagração global. Isso acontecerá mais tarde], porque os habitantes das costas de Quitim [o distante Ocidente, ou para ser mais preciso, os americanos] virão contra ele, e (ele) se quebrará [mentalmente], e voltará atrás”. (Daniel 11:28-30a) Desta vez será uma guerra mundial, não só pelo nome. A “poderosa espada” também será usada. (Apocalipse 6:4) Jesus o caracterizou assim: “coisas atemorizantes [φοβητρα] tanto [τε] quanto [και] extraordinárias [σημεια] do [απ] céu [ουρανου], poderosos [μεγαλα] serão [εσται].”
    É precisamente por causa disso haverá tremores significativos ao longo de todo o comprimento e largura das regiões [estrategicamente importantes], e fomes e pestes.
    Muitos dos manuscritos contém as palavras “e geadas” [και χειμωνες].
    A Peshitta Aramaica: “וסתוא רורבא נהוון” – “e haverá grandes geadas”. Nós chamamos isso hoje de “inverno nuclear”. (Lucas 21:11)
    Em Marcos 13:8 também há palavras de Jesus: “e desordens” [και ταραχαι].
    A Peshitta Aramaica: “ושגושיא” – “e confusão” (sobre o estado da ordem pública).
    Este sinal extremamente detalhado se encaixa em apenas uma guerra.
    Mas todas essas coisas serão apenas como as primeiras dores de um parto. (Mateus 24:8)
    Este será um sinal de que o “dia do Senhor” (o período de julgamento) realmente começou. (Apocalipse 1:10; 2 Tessalonicenses 2:2)

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