Tsunami de estrelas e gás produz “pálpebras” galácticas

M. Kaufman/ B. Saxton/ NASA/ESA

A colisão entre as galáxias IC 2163 e NGC 2207 originou um tsunami de estrelas e gás que produziu “pálpebras” galácticas

Um grupo de astrónomos descobriu um tsunami de estrelas e gás que ocorreu depois de uma pequena colisão entre a galáxia espiral IC 2163 e outra galáxia espiral chamada NGC 2207.

Através do radio-observatório ALMA (Atacama Large Millimeter Array), os cientistas observaram a produção de arcos de intensa formação estelar que se assemelham a um par de pálpebras.

“Embora as colisões galácticas deste tipo não sejam invulgares, conhecemos apenas algumas galáxias com estruturas oculares, ou em forma de olho”, afirmou a astrónoma Michele Kaufman, autora principal de um artigo publicado na revista The Astrophysical Journal.

Kaufman e a sua equipa destacam que a escassez de características semelhantes no Universo observável deve-se, provavelmente, à sua natureza efémera.

“As pálpebras galácticas duram apenas algumas dezenas de milhões de anos, o que é pouco no contexto da vida de uma galáxia. A descoberta de tais características num estado tão recém-formado dá-nos uma oportunidade excecional para estudar o que acontece quando uma galáxia colide com outra”, adianta Kaufman.

Estas galáxias residem aproximadamente a 114 milhões de anos-luz da Terra e rasparam as suas margens uma na outra, no que é provavelmente o primeiro encontro de uma eventual fusão.

Segundo os astrónomos, o gás na porção exterior das pálpebras da galáxia IC 2163 está a mover-se para dentro a velocidades superiores a 100 km/s. Este gás, no entanto, desacelera rapidamente e o seu movimento torna-se mais caótico, mudando de trajetória e alinhando-se com a rotação da galáxia.

“O que observamos nesta galáxia é muito parecido com uma gigantesca onda oceânica que se desloca para a costa até que interage com os baixios, fazendo com que perca momento e despeje toda a sua água e areia na praia,” comenta Bruce Elmegreen, cientista do Centro de Investigação Thomas J. Watson da IBM, em Nova Iorque.

“Não só observamos uma rápida desaceleração do gás à medida que se move da orla externa para a orla interna das pálpebras, mas também medimos que quanto mais rapidamente desacelera, mais denso o gás molecular se torna,” realça Michele Kaufman.

“Esta medição direta da compressão mostra como o encontro entre duas galáxias faz com que o gás se acumule, formando estas deslumbrantes pálpebras“, destaca a cientista.

Os astrónomos acreditam que as colisões entre galáxias eram comuns no início do Universo, quando as galáxias estavam mais próximas.

No entanto, naquela época os discos galácticos eram irregulares e outros processos provavelmente reprimiram a formação de “pálpebras” galácticas.

“É muito bom ter uma teoria e simulações que sugerem este fenómeno, mas ter provas reais é excelente,” afirma Curtis Struck, professor de astrofísica da Universidade Estatal do Iowa.

Os modelos computacionais preveem que tais características tipo-pálpebra possam evoluir caso as galáxias interajam de uma maneira muito específica.

Os cientistas vão continuar a estudar este fenómeno galáctico e já estão a comparar as propriedades (locais, idades e massas) dos grupos estelares, anteriormente observados com o Telescópio Espacial Hubble da NASA, com as propriedades das nuvens moleculares observadas com o ALMA.

ZAP / CCVAlg

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