Trump diz que ameaça de “fogo e fúria” não foi suficientemente forte

O Presidente norte-americano afirmou, esta quinta-feira, que as suas ameaças de “fogo e fúria” contra a Coreia da Norte “talvez não tenham sido suficientemente fortes”, apesar dos receios sobre uma eventual escalada bélica.

Donald Trump reafirmou as suas ameaças contra o regime de Kim Jong-un em declarações prévias a uma reunião de segurança com o seu vice-presidente, Mike Pence, o seu assessor de segurança nacional, H.R. McMaster, e o seu chefe de gabinete, John Kelly.

Na passada terça-feira, Trump avisou a Coreia do Norte de que “é melhor não fazer mais ameaças aos EUA” ou “terão como resposta fogo e fúria como o mundo nunca viu“.

Em resposta, Pyongyang ameaçou com um ataque contra a ilha de Guam, território norte-americano que tem uma importante base naval no Pacífico Ocidental.

O exército norte-coreano “está a analisar seriamente o plano” para executar um ataque envolvendo quatro mísseis Hwasong-12, de médio alcance, em direção a Guam para enviar “um forte sinal de advertência aos EUA”, disse, esta quinta-feira, a agência oficial norte-coreana KCNA.

Este plano “vai ser finalizado em meados de agosto e será reportado ao comandante-chefe das forças nucleares da DPRK [sigla em inglês de República Democrática da Coreia, nome oficial do país], aguardando as suas ordens”, afirmou o comandante das Forças Estratégicas norte-coreanas, Kim Rak-Gyom, referindo-se ao líder da Coreia do Norte.

Após a réplica norte-coreana, o Pentágono decidiu enviar dois bombardeiros estratégicos B-1B (estacionados em Guam) para perto da península da Coreia.

População de Guam recebe indicações sobre o que fazer em caso de ataque nuclear

Entretanto, o Gabinete para a Defesa Civil de Guam publicou esta sexta-feira uma série de recomendações sobre a “iminente ameaça com mísseis” da Coreia do Norte.

O relatório de 14 páginas contém uma série de conselhos à população civil, como a preparação para o abastecimento de material médico de emergência, procura de pontos de proteção e refúgio ou procedimentos sobre como isolar uma habitação em caso de ataque químico.

“Não olhe para a explosão ou para a bola de fogo porque pode cegar; mantenha-se atrás de qualquer objeto que o possa proteger e procure refúgio o mais rápido possível, mesmo que esteja afastado da zona de impacto (…), o vento pode propagar a radioatividade”, são algumas das mensagens difundidas à população do território norte-americano.

As recomendações oficiais aconselham também o armazenamento de comida enlatada, água e utensílios de uso diário.

Os planos básicos de defesa civil foram publicados num site oficial e através do Facebook.

A ilha do Pacífico Ocidental, situada a 3.400 quilómetros a sudeste da Coreia do Norte, tem o estatuto de território integrado nos EUA, onde vivem 163 mil habitantes e onde se encontram mais de seis militares norte-americanos, concentrados em bases navais e aéreas.

Na quarta-feira, o governador de Guam, Eddie Calvo, disse que as defesas da ilha estão “sempre preparadas” para qualquer contingência, “seja natural ou provocada pelo homem” sublinhando que no passado a população já enfrentou ameaças semelhantes.

Especialistas de defesa estimam que os mísseis de médio e longo alcance Hwasong-12, lançados pela Coreia do Norte, podem atingir Guam “em 14 ou 15 minutos”.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que se o líder norte-coreano ordenar um ataque contra a ilha de Guam vai ter como resposta “aquilo que ainda ninguém viu na Coreia do Norte”.

ZAP // Lusa

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