Trump acaba com os “sonhadores” da América

Alba Vigaray / EPA

Donald Trump acaba com lei que protege milhares de jovens imigrantes

A Casa Branca vai terminar de forma gradual com o programa que protege 800 mil jovens indocumentados que chegaram aos EUA em crianças, anunciou esta terça-feira o procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions.

Numa declaração à imprensa, Jeff Sessions disse que a ação executiva que Barack Obama assinou em 2012 era “um exercício inconstitucional de autoridade do ramo executivo” e “uma ação de amnistia executiva unilateral” que “negava trabalhos a centenas de milhares de americanos permitindo a imigrantes ilegais ficarem com esses trabalhos”.

Desta forma, a administração norte-americana dá um prazo para o Congresso dos EUA encontrar uma solução legal para as pessoas protegidas pelo programa, conhecido como “Deferred Action for Childhood Arrivals” (DACA).

“Congresso, preparem-se para fazer o vosso trabalho – DACA!”, escreveu o Presidente dos EUA no Twitter. O programa, que foi lançado em 2012 por Barack Obama, permite a jovens que foram levados para os EUA em criança de forma ilegal receberem proteção contra deportação, autorização de trabalho e número de segurança social.

Numa segunda mensagem, Trump disse: “Não se enganem, vamos colocar o interesse dos cidadãos americanos primeiro! Os homens e mulheres esquecidos não serão mais esquecidos”.

Uma lei para proteger estes jovens tem apoio nos dois partidos, na Câmara dos Representantes e no Senado, mas enfrenta forte oposição de alguns republicanos, que consideram a iniciativa uma amnistia, e uma agenda legislativa já muito preenchida, com a reforma fiscal, a aprovação de um novo orçamento e um novo limite de endividamento do país.

O Estado norte-americano calcula que 2,1 milhões de pessoas possam beneficiar do programa, que não inclui pessoas com mais de 31 anos ou que tenham chegado depois de 2007.

Neste momento, 750 mil pessoas usufruem das suas proteções, o que lhes permitiu ir para a universidade, trabalhar de forma legal, visitar o país de origem e ter carta de condução. As únicas diferenças destas pessoas para um cidadão norte-americano é que não têm passaporte, não podem votar e podem ser deportados se cometerem algum crime.

Obama reage. Fim da lei dos “Sonhadores” é cruel

Num comunicado enviado à comunicação social, o ex presidente norte-americano Barack Obama, apelidou a intenção de Trump de acabar com a lei que protege os “Dreamers” de “crel” e como “um tiro no pé” para o país.

Obama acredita que é o país quem mais perde, por não poder continuar a aproveitar o talento de todos os que querem investir e desenvolver o país. O norte americano relembra que a imigração “pode ser um assunto controverso”, mas não é disso que se trata o DACA.

“É sobre jovens que cresceram na América, crianças que estudaram nas nossas escolas, jovens adultos que estão a começar as suas carreiras, patriotas que juraram aliança à nossa bandeira. Estes ‘Dreamers’ são Americanos nos seus corações, mentes, em todas as formas menos numa: no papel”, realça Obama.

Muitos, como escreve o antigo Presidente, “nem sabiam que eram ilegais até terem tentado arranjar um emprego ou tirar a carta”.

Portugal está a acompanhar decisão dos EUA sobre jovens indocumentados e avalia implicações

Em declarações à agência Lusa, o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, afirmou que Portugal está a “acompanhar a situação” e que o embaixador português está a “procurar perceber quais são as implicações que esta lei terá e os contornos do anúncio que foi feito”.

O governante sublinhou, quanto a esta matéria, que este tipo de decisão abrange várias comunidades estrangeiras e que as alterações às leis de imigração estão a acontecer por vários locais, não só os Estados Unidos, dando como exemplo a França.

José Luís Carneiro lembrou ainda que o problema dos cidadãos indocumentados – parcialmente, uma vez que muitas vezes têm documentação da segurança social e finanças, faltando apenas o relativo aos serviços de imigração – também ocorre noutros países como a Suíça e o Reino Unido.

É um problema complexo e global, não se pode apenas focalizar nos Estados Unidos”, acrescentou.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Cuidado com esses comentários, o big brother está em todo o lado. Um dia patem te à porta a pedir satisfações por tais comentários. Quem te avisa amigo é.

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