As traições ajudaram a espécie humana a espalhar-se pelo mundo

Viktor M. Vasnetsov / Wikimedia

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Uma nova investigação sugere que foram as traições e as desconfianças que ajudaram a espécie humana a espalhar-se tão rapidamente por todo o mundo.

Esta conclusão retirada de um estudo da arqueóloga Penny Spikins, da Universidade de York, no Reino Unido, evidencia que o aparente sucesso humano na conquista do mundo é, afinal, apenas uma manifestação do lado mais negro da natureza da humanidade.

A investigadora debruçou-se sobre a forma como os humanos se espalharam por todos os cantos do planeta.

Segundo o estudo da arqueóloga, a dispersão dos nossos antepassados mais primitivos era lenta e surgia sobretudo provocada por fenómenos ambientais, nomeadamente secas que provocavam a escassez de alimentos – e era, muitas vezes, travada por barreiras ambientais ou climáticas.

Mas, há cerca de 100 mil anos, essa dispersão da espécie humana pelo mundo mudou significativamente, efectuando-se de forma muito mais rápida e independente de quaisquer barreiras.

O estudo de Penny Spikins relaciona esta alteração com mudanças nas relações emocionais dos humanos.

A arqueóloga considera que as “traições e quebras de confiança” foram o principal motor para essa dispersão rápida, e que os humanos foram movidos pelo “desejo de evitar o dano físico de ex-amigos desiludidos”.

“Os conflitos morais provocam mobilidade substancial – o furioso ex-aliado, ex-companheiro ou ex-grupo, com uma lança envenenada ou uma intenção de procurar vingança ou justiça, são uma forte motivação para fugir e para assumir quase todos os riscos para o fazer”, diz Penny Spikins, citada pelo site da Universidade de York.

“Enquanto vemos a dispersão global da nossa espécie como um símbolo do nosso sucesso, parte das motivações para tais movimentos reflectem um lado negro, embora não menos colaborativo, da natureza humana”, acrescenta a investigadora.

Na pesquisa, publicada na Open Quaternary, a arqueóloga alega que os compromissos entre humanos se tornaram cada vez mais vitais para a sobrevivência e que, por isso, as comunidades começaram, cada vez mais, a punir aqueles que eram considerados traidores.

Isto levou ao desenvolvimento do lado mais negro da natureza humana, provocando “disputas morais motivadas pela quebra de confiança” e sentimentos de “traição” cada vez mais frequentes, o que obrigava os elos mais fracos a afastarem-se dos seus rivais, movidos pelo rancor e pelo medo de retaliações, independentemente dos riscos que pudessem correr nessa aventura.

“As colonizações activas de e através de terreno perigoso são difíceis de explicar através de escolhas imediatas e pragmáticas”, constata Penny Spikins, frisando que essa explicação é mais fácil de fazer através do “aumento da forte motivação de magoar outros, mesmo que às próprias custas, que os compromissos emocionais alargados acarretam”.

SV, ZAP

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1 COMENTÁRIO

  1. Que “investigação” mais patética. Só podia ser americana. O entendimento da pré-história e história e da evolução da espécie humana ao longo do tempo, incluindo a actualidade não é propriamente o ponto forte deles. A história para eles resume-se aos cowboys, à guerra civil americana, ao desembarque na Normandia, às batalhas navais contra o Japão e pouco mais.

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