The Voice: centenas protestaram em Amesterdão

Movimento #MeToo reagiu ao escândalo na versão holandesa do programa, que está suspenso desde que foram publicadas denúncias de abusos sexuais.

A polémica à volta da versão original do The Voice prolonga-se. Neste sábado houve uma manifestação em Amesterdão, organizada pelo movimento #MeToo.

A origem deste escândalo foi uma reportagem publicada pela estação BNNVARA, no dia 13 de Janeiro, que apresentou dezenas de acusações de assédio e abuso sexual por parte de três elementos do programa, nos Países Baixos: os júris Marco Borsato e Ali B e o líder da banda Jeroen Rietbergen.

Uma mulher disse mesmo que foi violada por Ali B, nos bastidores do programa. O rapper já reagiu e assegurou que está inocente.

O único elemento a admitir que errou (e a demitir-se dois dias depois da reportagem ter sido transmitida) foi Jeroen Rietbergen: “Tive contactos sexuais com participantes e enviei mensagens de carácter sexual. Peço desculpa a todas”.

O programa foi suspenso imediatamente. A estação RTL já não transmitiu o episódio seguinte e o programa, que tinha estreado uma semana antes (12.ª temporada).

Algumas semanas depois, Amesterdão foi o palco de um protesto que juntou centenas de pessoas, no sábado. Sob o lema No blame, but change, ou seja, “sem culpar, mas mudar”.

É preciso acabar com a culpabilização das vítimas. O responsável é o perpetrador. É necessário ter consciência de que isto acontece todos os dias, às crianças, aos homens e às mulheres”, explicou a organizadora Mandy Sleipjpen.

O assunto da culpabilização das vítimas surge também como reacção às palavras de John De Mol, criador do The Voice, que disse: “Mulheres, não esperem. Não tenham medo. Têm que abrir a boca. Só assim nós podemos ajudar-vos. Aparentemente, as mulheres têm algum tipo de vergonha. Não sei o que é, mas gostaria de aprofundar o assunto”.

No dia seguinte, o empresário corrigiu: “De forma completamente involuntária, dei a impressão de que estava a culpar as mulheres. Agora tornou-se claro para mim que as mulheres não vão apresentar denúncias se a cultura de uma empresa não for suficientemente segura”.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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