A Terra está a comer os seus próprios oceanos

(CC0/PD) Samir Belhamra / pexels

A quantidade de água puxada por zonas de subducção “é incompreensível”, dizem os cientistas

À medida que as placas tectónicas da Terra mergulham umas nas outras, arrastam 3 vezes mais água para o interior do planeta do que se pensava – e essa quantidade de água não está a ser devolvida pelas erupções vulcânicas.

Usando os sismos naturais da zona de subducção propensa a terremotos na fossa das Marianas, onde a placa do Pacífico está a deslizar por baixo da placa das Filipinas, uma equipa de investigadores da Universidade de Washington estimou a quantidade de água que está a ser incorporada nas rochas mais profundas sob a superfície da Terra.

Os resultados do estudo foram apresentados num artigo publicado a 14 de novembro na revista Nature. A descoberta tem grandes implicações no entendimento do ciclo das águas profundas da Terra, segundo explica a especialista em geologia marinha e geofísica norte-americana Donna Shillington.

A água por baixo da superfície da Terra pode contribuir para o desenvolvimento do magma e lubrificar as falhas tectónicas, tornando os terremotos mais prováveis, explica Shillington, que não esteve envolvida no estudo.

A água é armazenada na estrutura cristalina dos minerais e incorporada na crosta terrestre, quer quando as placas oceânicas se formam quer quando as mesmas fraturam.

Este processo de subducção é a única forma pela qual a água penetra profundamente na crosta e no manto, mas pouco se sabe sobre a quantidade de água que se move durante o processo, explica Chen Cai, autor principal do estudo.

Os investigadores usaram dados recolhidos por uma rede de sensores sísmicos posicionados em redor da fossa central das Marianas no oeste do Oceano Pacífico. A parte mais profunda da fossa está localizada a quase 11 quilómetros abaixo do nível do mar. Estes sensores detetam terremotos e réplicas que ecoam na crosta terrestre.

Chen Cai e a sua equipa analisaram a rapidez com que esses tremores viajavam: uma desaceleração na velocidade indicaria fraturas cheias de água em rochas e minerais “hidratados” que prendem a água dentro dos seus cristais.

Falta de água

Os investigadores observaram essa desaceleração profunda na crosta, cerca de 30 quilómetros abaixo da superfície. Usando as velocidades medidas, a equipa calculou que as zonas de subducção arrastam 3 mil milhões de teragramas de água para a crosta a cada milhão de anos.

“A quantidade de água puxada nas zonas de subducção é incompreensível“, disse Cai. “É três vezes mais água do que se estimava que as zonas de subducção recebessem”.

Isto levanta algumas questões: a água que é arrastada para baixo tem necessariamente que subir — geralmente, no conteúdo de erupções vulcânicas. A nova estimativa sobre a quantidade de água que está a ser absorvida é maior do que as estimativas da quantidade que está a ser expelida por vulcões — o que significa que falta alguma coisa nas estimativas dos cientistas.

Segundo o investigador, não falta água nos oceanos.

“Isso significa que a quantidade de água arrastada para o interior da crosta e a quantidade de água expelida nos vulcões deveriam ser aproximadamente iguais. O facto de não o serem sugere que há algo sobre a forma como a água se move através do interior da Terra que os cientistas ainda não conseguiram entender.

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12 COMENTÁRIOS

  1. Terremotos??? Frases imprecisas que culminam na falta de sentido das mesmas, erros ortográficos gravíssimos, etc. Não me querem dar emprego?! Sobre o “trabalho” que estes vossos tradutores/redactores fazem, garanto que consigo fazer bem melhor!

    • ter·re·mo·to
      (latim terrae motus, movimento de terra), substantivo masculino
      O mesmo que terramoto.
      in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

      Obrigado pelo seu reparo.
      Pode por favor apontar concretamente que erros ortográficos gravíssimos encontrou no texto? Gostaríamos de os corrigir.

      • “Terremoto” é português brasileiro, em português é “terramoto”, a forma mais correcta (do latim terra-, «terra» +motu-, «agitado», particípio passado de movēre, «mover; agitar»).

        • Cara Ana C,
          Obrigado pelo seu reparo.
          O ZAP usa habitualmente a forma “terramoto”. Mas terremoto não é “brasileiro”.
          O dicionário Priberam, que usamos em casos de dúvida e que reputamos como bom, não identifica o termo “terremoto” como sendo a grafia brasileira do termo português (algo que faz quando assim é o caso), mas como sinónimo do termo português.
          Assim sendo, continuaremos a usar por norma a expressão “terramoto”, mas não vemos necessidade de, nesta peça, corrigir um termo que não está incorrecto.

          • Está incorrecto!
            Claro que em Portugal já se usou “terremoto” (e muitas outras palavras que ainda se usam no Brasil), mas muitas dessas palavras entraram em desuso e/ou foram “evoluindo”…
            A partir do momento que certa palavra deixou de ser usada no português corrente (e é desconhecida da maioria da população), tendo sido substituída por outra mais reconhecida/aceite por todos, é errado “andar” para trás”!
            Isto partindo do principio que o objectivo de um site noticioso é informar de uma forma simples e acessível e não andar a dar a conhecer palavras do português “antigo”…

  2. E claro me perdoe , mas pode ser a falto do petróleo que é retirado ?? Posso ser irônico mas para mim o petróleo e um amortecedor e lubrificador da terra , se usarmos o petróleo sabiamente a terra agradece

  3. Vanderlei por acaso já tinha pensado em algo do género também, no planeta Terra tudo tem uma razão de estar lá, seja o que for…….

  4. Já agora mais um reparo… no titulo…. não deveria de ser comer mas sim engolir pois os oceanos são quase todos líquidos.

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