Teorias da ‘Síndrome de Havana’ “violam as leis da física”, dizem cientistas cubanos

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Rolando Pujol / EPA

Embaixada dos EUA em Havana, Cuba

Cuba divulgou um relatório, o mais detalhado até à data, no qual cientistas locais criticam as alegações de que diplomatas norte-americanos e canadianos foram submetidos a ataques misteriosos quando estavam destacados no país.

O relatório, desenvolvido por um painel de 20 membros da Academia de Ciências de Cuba – incluindo neurocientistas, físicos, psicólogos e otorrinologistas -, analisou a variedade de sintomas relatados, verificando se poderia se tratar de uma única síndrome, indicando que algumas das explicações violavam as leis básicas da física, noticiou o Guardian.

Os especialistas reconheceram, contudo, que não foram capazes de examinar muitas das evidências citadas por investigadores norte-americanos.

Mais de duas dúzias de funcionários das embaixadas norte-americanas e canadianas em Havana relataram ter adoecido entre 2016 e 2017, levando funcionários dos Estados Unidos (EUA) a afirmarem que foram vítimas de “ataques sónicos” e ao encerramento da maioria das operações. Em 2017, o Canadá também reduziu o pessoal diplomático no país.

Investigadores de ambos os países não conseguiram concluir o que pode ter causado as doenças, mesmo com casos semelhantes relatados desde então na Alemanha, Áustria, Rússia, China e EUA. Alguns dos afetados disseram ter ouvido um som alto e penetrante e sentido uma pressão intensa no rosto, acompanhada de dores, náuseas e tonturas.

O relatório, publicado na segunda-feira, referiu que os próprios cientistas norte-americanos rejeitaram muitas das explicações sugeridas e disseram que várias das doenças podem ter sido causadas por condições pré-existentes ou por problemas que ocorrem normalmente em qualquer população.

Um relatório da Academia Nacional de Ciências dos EUA, divulgado em dezembro de 2020, concluiu que a “energia de radiofrequência pulsada e dirigida parece ser a explicação mais plausível” para as doenças entre os diplomatas norte-americanos. O estudo não identificou uma fonte para a energia.

O relatório cubano considerou essa conclusão “intrigante porque o relatório não cita nenhuma evidência direta do envolvimento da [radiofrequência] nos eventos em Havana ou em qualquer outro lugar”.

“Nenhuma forma conhecida de energia pode causar danos cerebrais [com precisão semelhante à de um laser] nas condições descritas para os supostos incidentes em Havana”, referiu.

A única explicação que não pode ser descartada, sugeriram os especialistas, é a possibilidade de o psicológico dos diplomatas ter originado os sintomas físicos.

  Taísa Pagno //

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