Televangelista turco condenado a 1.075 anos de prisão por crimes sexuais

Adnan Oktar / Wikimedia

Adnan Oktar, ao centro

Um televangelista muçulmano, que se cercava de mulheres seminuas nos seus vídeos de pregação, foi condenado na Turquia a 1.075 anos de prisão por crimes sexuais, fraude e espionagem.

Segundo noticiou na segunda-feira o Guardian, Adnan Oktar, de 64 anos, pregava o criacionismo – teoria que tenta explicar a origem da vida e a evolução do homem através da criação divina – e os valores conservadores, enquanto as mulheres seminuas dançavam ao seu redor.

As autoridades de Istambul detiveram Oktar em 2018, juntamente com outros 200 indivíduos, por suspeitas de crimes financeiros. Agora, foi condenado a 1.075 anos por diversos delitos, incluindo agressão sexual, abuso sexual de menores, fraude e tentativa de espionagem política e militar, informou a emissora privada NTV.

Os executivos Tarkan Yavas e Oktar Babuna, que faziam parte da organização de Adnan Oktar, foram condenados a 211 e 186 anos, respetivamente.

A agência de notícias Anadolu relatou que o televangelista foi também considerado culpado por ajudar um grupo liderado pelo pregador muçulmano Fethullah Gülen, que a Turquia responsabiliza por uma tentativa de golpe, em 2016. Oktar negou a acusação.

No mesmo processo foram julgados 236 indivíduos, 78 dos quais sob custódia enquanto aguardavam julgamento. A maioria dos suspeitos declarou-se inocente desde a primeira audiência, que decorreu em setembro de 2019.

Durante o julgamento, o tribunal ouviu detalhes chocantes sobre os crimes sexuais. Oktar disse ao juiz presidente, em dezembro, que tinha cerca de 1.000 namoradas. “Há um amor transbordante no meu coração pelas mulheres. O amor é uma qualidade humana. É uma qualidade de um muçulmano”, referiu noutra audiência, em outubro.

Oktar chamou a atenção do público pela primeira vez na década de 1990, quando liderava uma seita envolvida em vários escândalos sexuais. O seu canal ‘online’ começou a transmitir em 2011, atraindo denúncias de líderes religiosos turcos. O canal, várias vezes multado pelo órgão de vigilância da media turca, foi entretanto encerrado pelo governo.

Uma das testemunhas, identificada apenas como CC, contou em tribunal que, juntamente com outras mulheres, foi abusada por Oktar de forma repetida. Algumas das vítimas de violação foram forçadas a tomar pílulas anticoncepcionais, indicou CC, acrescentando que ela própria o fez quando tinha 17 anos.

Questionado sobre 69.000 pílulas anticoncepcionais encontradas na sua casa, Adnan Oktar indicou que eram usadas para tratar doenças de pele e irregularidades menstruais.

Em 2018, as autoridades turcas demoliram a villa de Oktar, onde se encontrava o estúdio do televangelista, e confiscaram todas as suas propriedades.

Oktar rejeita a Teoria da Evolução, de Charles Darwin, tendo escrito um livro de 770 páginas, chamado “O Atlas da Criação”, com o pseudónimo Harun Yahya.

Taísa Pagno //

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