Trabalhadores remotos a “brincar” durante reuniões. E despedidos se desligarem a câmara

Inquérito demonstra que os directores de empresas não são grandes adeptos do teletrabalho. Cultura empresarial a desaparecer.

Já se sabe: o teletrabalho passou a ser regra em milhares, ou milhões, de empresas por causa do coronavírus.

Os trabalhadores a partir de casa deixaram de ser excepção para serem habituais. É frequente conhecermos alguém que trabalha maioritariamente em casa, desde Março de 2020.

Mas como reagem os patrões, os directores de empresas? Avaliando a amostra seguinte, não são adeptos deste regime.

Um inquérito organizado pela Wakefield Research, publicado pela Vyopta, averiguou as opiniões de 200 directores de empresas nos Estados Unidos da América – cada empresa tem no mínimo 500 funcionários.

A participação, o desempenho, tem sido um problema. A grande maioria dos executivos (92%) respondeu que os seus funcionários que estão menos envolvidos desligam o microfone ou a câmara durante as reuniões online.

Quem desliga a câmara, lamentam 93% dos patrões, piora também o seu desempenho na empresa, no geral.

Quase metade (43%) dos directores acha que, durante as reuniões online, os funcionários que não ligam microfone ou câmara estão “ocupados” com uma destas distracções: a “vaguear” pela internet, a navegar por redes sociais, a enviar mensagens por telemóvel ou a falar com outras pessoas em aplicações de conversas online.

E esses responsáveis deixam o aviso: quem prefere “desaparecer” nesses momentos – ou seja, não se mostrar nas reuniões – provavelmente não terá um futuro de longo prazo naquela empresa. Ou seja, deverá ser despedido em breve. Ou, no mínimo, o respectivo contrato (caso haja contrato) não vai ser renovado.

A participação dos funcionários é menor mas muitos patrões admitem que são parcialmente responsáveis por este desempenho mais fraco. 46% dos superiores indicaram que deveriam fornecer ferramentas melhores para aproximar os trabalhadores remotos dos trabalhadores em regime presencial.

Há outro ponto curioso: a grande maioria dos directores (93%) acha que muitos funcionários ficaram frustrados por passarem a trabalhar em casa e, por isso, estão menos participativos nas reuniões online.

Um problema considerável é a cultura empresarial, que está a desaparecer em muitos locais. Há menos contactos, menos diálogos entre os funcionários. E 47% dos patrões vêem que os seus trabalhadores mais novos nem falam – não falar passou a ser um hábito.

Quase todos os directores (96%) consideram que quem trabalha em casa está em desvantagem, comparando com quem trabalha principalmente na empresa.

Praticamente a mesma “fatia”, de 94%, tem noção de que os trabalhadores remotos têm menos oportunidades dentro da empresa do que os seus colegas que trabalham em regime presencial.

O convívio virtual cria outros entraves: as capacidades desenvolvem-se mais lentamente, há menos colaboração entre as equipas e diversos erros “escapam” aos superiores.

Além disso, a confiança baixou. Em média, os directores admitiram que só confiam totalmente em 61% dos seus funcionários, no caso de teletrabalho.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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