Suspeitos de Ébola serão internados mesmo que o doente não queira

O diretor-geral da Saúde, Francisco George, revelou que as autoridades irão internar para tratamento as pessoas com critérios clínicos e epidemiológicos que as classifiquem como casos suspeitos de doença por vírus do Ébola, mesmo que essa não seja a sua vontade.

Em entrevista à agência Lusa, Francisco George sublinhou que “é preciso salvaguardar o interesse público, que é um valor maior”.

Em nome do interesse público, as autoridades irão garantir o internamento de todas as pessoas que apresentem critérios que os definam como casos suspeitos.

Estarão nesta situação as pessoas que, se tiverem estado nos últimos 21 dias num país afectado pela epidemia do vírus Ébola ou em contacto com um doente com infecção pelo vírus, e apresentar febre superior a 38ºC de início súbito.

Questionado sobre a hipótese de o doente considerado suspeito recusar o internamento, Francisco George disse que essa é uma questão que “não se põe”.

“Mesmo que não sejam observados os princípios constitucionais que estipulam essas garantias individuais, neste caso, nós não vamos observar essas garantias”.

“Seguramente que todos os tribunais deste país iriam compreender”, adiantou.

Para Francisco George, “esta epidemia é dramática“.

“Estamos perante um problema como não era admitido que viesse a acontecer, desde sempre. Estamos perante uma situação de grande gravidade, mas não em toda a África”.

“É um drama. Não sabemos neste momento antecipar o que irá acontecer nos próximos meses”, disse.

Rodrigo Gatinho / portugal.gov

O director-geral da Saúde, Francisco George

O director-geral da Saúde, Francisco George

Portugal registou três casos suspeitos que afinal eram paludismo

Portugal registou, até ao momento, três casos suspeitos de Ébola, que os diagnósticos revelaram negativos, afirmou o diretor-geral da saúde.

Estas três situações foram investigadas “sobretudo por razões de precaução”, mas tratavam-se de casos de paludismo.

Os riscos eram muito baixos em termos de suspeição, mas entendemos que era preciso testar o próprio dispositivo que foi criado”, disse.

“Em Portugal, admitimos a hipótese de um, dois, três doentes poderem entrar no nosso país depois de terem estado nos últimos 21 dias numa zona afetada e durante nesse período de incubação viajarem e poderem declarar a doença no nosso país”, disse Francisco George, em entrevista à agência Lusa.

Para o diretor-geral da Saúde, em Portugal “há um risco muito baixo” de a infecção chegar ao nosso país.

Não temos e não teremos uma atividade epidémica em Portugal de forma alguma comparável à situação” que existe na Guiné Conacri, Serra Leoa e Libéria.

“O grande problema está na costa ocidental de África, mais precisamente, em termos de risco, na Guiné Conacri, na Serra Leoa e na libéria”, sublinhou.

“São estes países onde a epidemia está sem controlo. Há aqui um grande risco, mas fundamentalmente nestas regiões”, acrescentou.

ZAP / Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Fernando George também está a pedir por elas; pelas medidas de legitima defesa preventiva. Ora se ele está a dizer que se suspeitar de uma vulnerabilidade minha me interna contra a minha vontade, eu terei o direito de me defender preventivamente de uma futura hipotética agressão. A figura da legitima defesa preventiva foi legitimada por todos os governos dos estados que apoiaram a guerra do IRAK

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