A “Super Ómicron”, uma sublinhagem da variante, pode ser a culpada pela quinta vaga

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A sublinhagem BA.2 da variante Ómicron já está a circular em vários países da Europa e há especialistas que acreditam que é a principal culpada pelo grande aumento de casos em Portugal, aliada à reabertura das escolas.

Nas últimas semanas, Portugal tem batido sucessivos recordes de novos casos diários, mas a culpa não é só da variante Ómicron “normal”. Já desde meados de Janeiro que uma sublinhagem da variante chamada BA.2 está a contribuir para o aumento de casos, aponta o Observador.

Esta mutação está já a espalhar-se na Ásia e na Europa e a Organização Mundial de Saúde apelou a que os países a investigassem para se perceber se é uma versão ainda mais perigosa ou transmissível do que a Ómicron original, apelidada de BA.1. Por enquanto, a OMS ainda não distingue a sublinhagem BA.1 da BA.2.

“A circulação da linhagem descendente BA.2, que difere da BA.1 em algumas das mutações, inclusive na proteína da espícula, está a aumentar em muitos países. As investigações sobre as características da BA.2, incluindo as propriedades de fuga imunitária e virulência, devem ser uma prioridade”, apelou a OMS.

A BA.2 foi identificada pela primeira vez na Índia e na África do Sul no fim de Dezembro e acredita-se que tenha surgido de uma mutação da Ómicron, que por sua vez também nasceu de uma mutação da variante Delta, recorda o Público. Por enquanto, não há dados que comprovem que cause doença mais grave.

Em Portugal, o número de novas casos estabilizou entre 10 e 14 de Janeiro, mas notou-se um grande aumento pouco tempo depois, tendo ontem chegado aos 65 mil. A reabertura das escolas no dia 10 foi dada como a razão para a subida, mas a circulação da BA.2 pode também ser um motivo.

O último relatório do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) deu conta que os primeiros casos da BA.2 foram identificados em Portugal entre 27 e Dezembro e 2 de Janeiro. O número de casos atribuído a mutação subiu de 0,2% para 0,7% na semana seguinte, mas ainda não sabemos o seu peso total.

De acordo com o engenheiro Fernando Batista, a BA.2 pode ser uma das causas do enorme aumento de casos. O perito chegou a esta conclusão ao observar os gráficos da evolução pandémica das últimas semanas.

Até 10 de Janeiro, ainda no período de contenção após as festividades, a linha que contabilizava o total de casos da Delta e BA.1 estava a subir ao mesmo ritmo que a incidência a sete dias em Portugal, enquanto que a linha que só referente à Delta estava a descer. Assim, o aumento de casos devia-se à BA.1.

No entanto, depois de 10 de Janeiro, a linha correspondente à incidência continuou a subir, mas a linha que somava os casos da Delta e da BA.1 começou a descer. “Ou o motivo é o surgimento da BA.2 ou é apenas a abertura da sociedade“, teoriza.

O engenheiro lembra ainda que em países como a Dinamarca (o epicentro da sublinhagem BA.2 na Europa), a Suécia ou os Países Baixos, há um aumento da incidência semelhante ao português e que nestes já está comprovada a alta transmissão da BA.2.

Diana Lousa, bioinformática do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier (ITQB), explica ainda ao Observador que a mutação BA.2 é mais difícil de ser identificada. No caso da BA.1, basta que o teste PCR não detecte um dos três genes que consegue sondar, já que a sua maior diferença em relação à Delta é a eliminação de um gene.

Mas este gene volta a estar presente na BA.2, pelo que só uma sequenciação genómica pode distinguir esta linhagem da variante Delta, o que está a atrasar a revelação dos dados e a confirmação sobre se a BA.2 é mais transmissível ou causa doença mais grave.

Nem tudo são más notícias e é provável que esta linhagem nem tenha um grande impacto na práctica. João Manuel Braz Gonçalves, virologista da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, nota estas mutações são previsíveis quando a convivência de um vírus com a humanidade se começa a equilibrar.

Quando o vírus saltou entre variantes, a transmissibilidade também aumentou cerca de cinco vezes. Mas em comparação com a BA.1, a transmissibilidade da BA.2 é apenas 1,5 vezes superior, sendo apenas uma “Super Ómicron“.

“Se calhar, o vírus está a tentar evoluir para ser mais transmissível, mas não está a conseguir,” refere Diana Lousa, que lembra que “não parece haver diferenças no que toca à doença que a BA.2 causa ou ao escape à imunidade”.

Há outros cientistas que ainda duvidam do verdadeiro impacto da BA.2 em Portugal, como Carlos Antunes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que acredita que qualquer aumento de casos trazido pela linhagem foi esmagado pela verdadeira causa das novas infecções — a reabertura das escolas.

“As crianças infetam-se nas escolas, passam o vírus aos pais, os pais transmitem no local de trabalho”, remata.

  Adriana Peixoto, ZAP //

1 Comment

  1. Mas as escolas segundo a DGS e o Ministério da Saúde são seguras, não são de forma alguma locais de contaminação e propagação, não é?

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