Sporting vs FC Porto | Um ano depois, a Taça para os leões

António Cotrim / Lusa

O Sporting venceu o FC Porto, mais uma vez nas grandes penalidades, e arrecadou a 17ª Taça de Portugal.

Num jogo muito disputado no Estádio do Jamor, que terminou empatado 1-1 no tempo regulamentar, o Porto foi globalmente dominador ao longo dos 120 minutos, mas precisou de empatar a duas bolas nos descontos do prolongamento para levar a decisão para a marca dos 11 metros.

Aí, e como tem sido tradição nos últimos embates entre as duas equipas nas Taças, o Sporting voltou a ser mais forte, vencendo por 5-4 nos penáltis.

O Jogo explicado em Números

  • Grande oportunidade para o Porto logo aos seis minutos, com Tiquinho Soares a aproveitar um mau alívio de Bruno Gaspar para, em plena grande área, rematar forte para grande defesa de Renan Ribeiro. Respondeu Bruno Fernandes, com um pontapé de fora da área, aos dez minutos, para defesa de Vaná.
  • O primeiro quarto-de-hora foi repartido, com 50% de posse de bola para ambos os lados, mas o Sporting com três remates, contra um do Porto (ambos os conjuntos enquadraram um disparo). Destaque negativo para a eficácia de passe, com os “leões” a não passarem dos 72% e os “dragões” dos 64%.
  • Aos 23 minutos o Porto marcou, por Marega, num lance anulado por fora-de-jogo, mas o jogo continuava a arrastar-se sem grandes lances de ataque. O equilíbrio continuava a ser a nota dominante à passagem da meia-hora, com ligeiro ascendente portista (54% de posse), mas o “leão” continuava mais rematador, com quatro disparos. O “dragão” destacava-se nos duelos individuais, com 29 ganhos em 40.
  • Até que, aos 41 minutos, o Porto marcou e contou mesmo. Herrera trabalhou na direita da grande área, cruzou e Soares, de cabeça, atirou para o fundo da baliza. Ao terceiro remate, segundo enquadrado, os “dragões” facturaram. Mas a vantagem não durou muito.
  • Em cima dos 45 minutos, a bola chegou a Bruno Fernandes à entrada da área e o médio rematou rasteiro, com a bola a entrar rente ao poste direito da baliza de Vaná – ao quinto disparo leonino, segundo enquadrado. Contudo, Danilo Pereira teve influência na trajectória do lance, pelo que foi autogolo do médio portista.
  • A primeira parte valeu sobretudo pelos últimos cinco minutos, altura em que surgiram os dois golos.
  • Tirando isso, muita luta e vontade, poucos lances de ataque bem construídos e uma igualdade 1-1 que reflectia a tendência pouco clara da partida – apesar de os “dragões” registarem 54% de posse. Os “leões” remataram mais, mas estiveram desinspirados nos duelos individuais, tendo ganho apenas 35% nesta fase.
  • O melhor em campo era Héctor Herrera, com um GoalPoint Rating de 6.6. O mexicano registava uma assistência, 81% de eficácia de passe, cinco recuperações de posse e outras tantas acções defensivas.
  • Mais uma vez o Porto entrou melhor, com Marega a servir Soares aos 48 minutos para o brasileiro rematar ao poste direito da baliza de Renan Ribeiro. À passagem da hora de jogo praticamente só dava “dragão”, com 62% de posse de bola na segunda parte e cinco remates desde o intervalo, contra nenhum dos homens de Alvalade (embora nenhum enquadrado).
  • Tiquinho Soares era o homem mais perigoso em campo. Para além do golo que marcou, chegou aos 70 minutos com um registo de cinco remates, o máximo do jogo, dois deles enquadrados, três dribles eficazes em outras tantas tentativas e quatro de seis duelos aéreos ofensivos ganhos.
  • Nesta fase do jogo o Sporting registava somente três acções com bola na área portista desde o descanso, demonstrativo das dificuldades dos lisboetas. Os portistas continuavam a dominar e, aos 75 minutos, registavam 60% de posse e dez remates desde o intervalo, com três enquadrados.
  • O Porto continuou a pressionar até final do tempo regulamentar, mas os dois centrais leoninos, Mathieu e Coates, e principalmente Renan Ribeiro foram evitando o golo portista – Porto que ainda atirou de novo ao poste, por Danilo, já no período de descontos. E o jogo foi para prolongamento.
  • O prolongamento ameaçava arrastar-se, mas aos 101 minutos, o Sporting colocou-se em vantagem. Cruzamento da esquerda de Marcos Acuña, Felipe não conseguiu cortar e a bola chegou a Bas Dost ao segundo poste e o holandês, de primeira, desviou para o fundo das redes. Primeiro remate nesta fase e golo, no 11º disparo leonino, segundo enquadrado.

Rodrigo Antunes /Lusa

  • As forças começavam a faltar às duas equipas, ao Porto para definir bem o ataque continuado que impôs até final da partida, ao Sporting para colocar velocidade nos contra-ataques. Mas no último lance (confuso) do prolongamento, na sequência de um livre, Felipe surgiu na grande área a empatar e a levar o jogo para penáltis.
  • Bas Dost (à barra) falhou para o Sporting, Pepe (também à barra) e Fernando Andrade (defesa de Renan) desperdiçaram para o Porto, pelo que os “leões” arrecadaram a 17ª Taça de Portugal, após Luiz Phellype concretizar o pontapé decisivo.

O Homem do Jogo

O jogo esteve repartido em alguns momentos, mas no global o FC Porto foi quase sempre superior. Os “dragões” dominaram na posse de bola, nos remates, nos enquadrados, em suma, nas principais estatísticas da partida. Um dos responsáveis por essa superioridade foi Héctor Herrera.

O mexicano fez um jogo irrepreensível, naquela que poderá ter sido a última aparição pelos portistas, terminando o jogo com um GoalPoint Rating de 8.4.

O médio terminou como um dos três mais rematadores, com cinco disparos, enquadrando dois, fez uma assistência e criou duas ocasiões flagrantes em sete passes para finalização, foi o mais interventivo da partida, com 95 acções com bola, e recuperou 12 vezes a posse de bola.

Jogadores em foco

  • Renan Ribeiro 6.9 – Grande exibição do guarda-redes brasileiro. Antes de travar o penálti de Fernando Andrade, o guardião já havia sido um dos responsáveis por o Porto só ter empatado ao cair do pano do prolongamento, com oito defesas, seis delas a remates na sua grande área, duas a disparos que se dirigiam aos ângulos da baliza.
  • Sebastián Coates 6.8 – O central uruguaio foi um autêntico muro. Ao todo ganhou quatro de seis duelos aéreos defensivos e somou 23 acções defensivas – 16 duelos, cinco desarmes e duas intercepções.
  • Mathieu 6.8 – Uma prestação “gémea” em relação a Coates. Também o francês esteve quase intransponível, com três duelos aéreos defensivos ganhos em seis, e também 23 acções defensivas – 15 alívios, quatro desarmes, uma intercepção, um bloqueio de remate, um de cruzamento e outro de passe.
  • Tiquinho Soares 6.6 – O ponta-de-lança fez tudo para contrariar o desfecho da partida. O brasileiro foi também um dos mais rematadores, com um golo em cinco disparos, dois enquadrados, um ao poste, completou as três tentativas de drible e ganhou quatro de oito duelos aéreos ofensivos.
  • Felipe 6.0 – O brasileiro mostrou alguma intranquilidade defensivamente, apesar de ter ganho os cinco duelos aéreos defensivos em que participou, mas compensou esse facto com o golo que fez ao cair do pano do prolongamento, que levou o jogo a penáltis.
  • Yacine Brahimi 5.9 – O argelino foi dos mais inconformados. Nem sempre definiu e decidiu bem, mas terminou com cinco remates (dois enquadrados), completou oito de nove tentativas de drible e ainda ajudou colectivamente com nove recuperações de posse.

Resumo

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