Sob suspeita, Juan Carlos exila-se na República Dominicana (via Porto) para salvar a monarquia

Sergio Barrenechea / EPA

O rei emérito de Espanha, Juan Carlos, viajou este fim-de-semana para a República Dominicana, depois de decidir viver noutro país face à repercussão pública das investigações sobre os seus alegados fundos em paraísos fiscais.

O destino escolhido pelo pai do Rei Felipe V de Espanha está a ser avançado pela imprensa espanhola nesta terça-feira, sublinhando o diário ABC que alguns dos seus amigos mais próximos, como é o caso do multimilionário Pepe Fanjul, têm ligações ou propriedades nesta ilha e que o terão convidado a deslocar-se até lá.

Segundo a imprensa internacional, Juan Carlos viajou já passado fim-de-semana, ainda antes de ser tornado público que comunicou ao seu filho que deixaria Espanha.

O rei emérito de Espanha deixou Madrid no passado domingo e rumou depois ao Porto, cidade onde apanhou um avião com destino a Santo Domingo, na República Dominicana.

A SIC Notícias adianta contudo que esta ilha das Caraíbas não será o destino definitivo de exílio do monarca espanhol, referindo que Juan Carlos deve voltar a viajar dentro de algumas semanas para um outro destino.

Deverá rumar a Marrocos, país com boas relações com Espanha. Estoril chegou também a ser apontado como possível destino, uma vez que Juan Carlos passou algumas temporadas nesta freguesia do concelho de Cascais na sua juventude, no século XX.

O jornal online El Confidencial escreve que Juan Carlos poderá preferir viver em Portugal, onde passou a primeira infância, ou em França ou Itália, onde tem família.

De acordo com os diários espanhóis, só cinco pessoas saberão ao certo onde está o Reio Emérito: o seu filho, o Rei Filipe VI; o primeiro-ministro, Pedro Sánchez; Félix Sanz Roldán, ex-líder do Centro Nacional de Inteligência, e amigo do rei emérito; o seu advogado Javier Sánchez Junco; e Jaime Alfonsín, chefe da Casa Real Espanhola e braço direito do Rei.

Foi esta segunda-feira noticiado que o rei emérito de Espanha comunicou ao seu filho que decidiu deixar Espanha e escolher outro país para viver por causa das suspeitas que recaem sobre si em alegados esquemas de corrupção.

Juan Carlos diz que pretende facilitar o exercício das funções de Filipe VI, pelo que deixará de viver no Palácio da Zarzuela, perante “a repercussão pública” de “certos eventos do passado”. “Agora, guiado pela convicção de prestar o melhor serviço aos espanhóis, às suas instituições e a ti como Rei, comunico-te a minha ponderada decisão de me trasladar, nesta altura, para fora de Espanha”, cita o jornal online Observador.

Em junho passado, o Supremo Tribunal espanhol decidiu investigar as suspeitas de corrupção do rei emérito na construção do comboio de alta velocidade entre Medina e Meca. Suspeita-se que terá recebido 100 milhões em “luvas” da Arábia Saudita.

No ano passado, o antigo monarca, de 82 anos, também já tinha anunciado que iria deixar de exercer atividades institucionais e que iria abandonar a vida pública, cinco anos depois de ter abdicado da coroa em favor do filho.

Juan Carlos foi o primeiro rei após a ditadura franquista e um artífice essencial na transição espanhola da ditadura para a democracia a partir de 1977.

ZAP //

 

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6 COMENTÁRIOS

  1. Salvar o quê? Não passa de um reles corrupto! Um tipo a viver com todas as mordomias à custa dos contribuintes e “exila-se” na a RD para quê? Salvar o quê?

  2. É impossível de perceber o que se passou na cabeça de um homem com o estatuto social e económico de Juan Carlos, para cair nas teias da corrupção mais reles. O que é que ele queria? Mais dinheiro? Um estatuto mais elevado? No fundo trata-se de um indivíduo estúpido e sem ética que merecia ir parar à prisão. Felizmente Felipe VI parece ter herdado os genes da mãe…

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