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Um crime “pode ser um ato de serviço público”. Snowden defende Rui Pinto, mas vídeo não será exibido em tribunal

Em nove minutos, Edward Snowden faz uma reflexão sobre as denúncias de Rui Pinto e dúvidas não restam: “as histórias reveladas suscitaram interesse público e espero que concordem comigo”. O vídeo não será exibido em tribunal.

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O antigo analista informático da NSA, que denunciou um esquema de cibervigilância praticado pelo Governo norte-americano, gravou um vídeo de apoio a Rui Pinto, que acabou por ser publicado no YouTube, na madrugada desta quinta-feira.

Segundo o Observador, os advogados do português pediram que o vídeo fosse exibido na sala de audiências durante o julgamento, mas o tribunal recusou o pedido, apesar de o ter incluído no processo como prova.

Edward Snowden faz uma reflexão sobre o interesse público e as leis nacionais de partilha de informações confidenciais, estendendo-a ao caso do português.

“Se o uso da força foi necessário e proporcional à ameaça apresentada, por exemplo, para defender a nossa própria vida, a questão de se é correto perante a lei torna-se secundária”, começa por afirmar, concluindo: “Até mesmo um ato criminoso pode ser um ato de serviço público“.

No caso de Rui Pinto, “não há dúvidas de que as histórias reveladas suscitaram interesse público”. “E espero que concordem comigo.”

“O indivíduo e as suas circunstâncias, embora sejam materiais e relevantes nalguns contextos, não são o fator mais importante. Isto porque tem menos interesse para o público e, na minha opinião, para a lei, a forma como um facto foi adquirido do que se esse facto é verdadeiro e necessário para conhecimento do público para se fazer justiça”, sustenta o norte-americano.

“O resultado final de qualquer ato de denúncia é encontrado nas suas consequências. Não é uma questão de como nos deparámos com o caso, mas sim até onde nos levou”, acrescenta.

Snowden estava inicialmente na lista de testemunhas arroladas por Rui Pinto, mas na sessão de dia 19 de maio, a defesa do alegado hacker informou o tribunal de que já não seria possível ouvi-lo, não tendo sido dada uma explicação concreta.

Ainda assim, a razão pode estar relacionada com o facto de Snowden estar exilado na Rússia, uma vez que uma simples ligação por videochamada para o Tribunal de Lisboa pode levar à sua localização.

A solução encontrada foi gravar um vídeo de apoio a Rui Pinto.

Rui Pinto é acusado de 90 crimes relacionados com o facto de ter acedido aos sistemas informáticos e caixas de emails de pessoas ligadas ao Sporting, à Doyen, à sociedade de advogados PLMJ, à Federação Portuguesa de Futebol, à Ordem dos Advogados e à PGR.

  Liliana Malainho, ZAP //

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