Sistema de vigilância em cidade chinesa deteta “pessoas suspeitas” – e tem jornalistas estrangeiros como principal alvo

Jerome Favre / EPA

As autoridades de Henan encomendaram um sistema de vigilância que estará a ser usado para identificar jornalistas, estudantes internacionais e outras “pessoas suspeitas” que chegam à cidade.

Um documento, publicado em julho no site do governo de Henan, revelava planos para a instalação de um sistema com capacidade para compilar arquivos individuais sobre  “pessoas de interesse” que chegassem a Henan, através do uso de 3.000 câmaras de reconhecimento facial que estão ligadas a vários bancos de dados nacionais e regionais.

Um contrato de 5 milhões de yuans foi concedido a 17 de setembro à empresa de tecnologia chinesa Neusoft, que deveria terminar a construção do sistema dentro de dois meses após a assinatura, revelam os documentos publicados no site do governo de Henan. No entanto, a Reuters não conseguiu confirmar se o sistema está operacional no momento, e a Neusoft, sediada em Shenyang, também não respondeu aos pedidos de esclarecimentos da agência.

Contudo, vários especialistas em segurança referem que está é mais uma das tentativas da China de construir o que descrevem como uma das redes de tecnologia de vigilância mais sofisticadas do mundo, com milhões de câmaras em locais públicos e uso crescente de técnicas como monitorização de smartphones e reconhecimento facial.

A IPVM, empresa de vigilância sediada nos Estados Unidos, que acompanhou de perto a expansão da rede e identificou pela primeira vez o documento de Henan, refere que a licitação especificava jornalistas como alvos de vigilância, fazendo referência a um plano para que as autoridades de segurança pública os localizem rapidamente e obstruíssem o seu trabalho.

O documento de licitação – que conta com quase 200 páginas – não apresenta motivos pelos quais deseja detetar jornalistas ou estudantes internacionais. De acordo com a Reuters, outro grupo que o documento mostrou interesse em identificar eram as “mulheres de países vizinhos que são residentes ilegais”.

As câmaras especificadas no documento, refere a Reuters, devem ser capazes de construir um arquivo relativamente preciso para indivíduos cujos rostos estão parcialmente cobertos por uma máscara ou óculos, e os visados ​​devem ser inseridos ​​no banco de dados através do simples carregamento de uma imagem ou pesquisa pelos seus atributos faciais.

Vários grupos que defendem a liberdade de imprensa sublinham que o Partido Comunista Chinês, atualmente no poder, aumentou o controlo sobre os media desde que o presidente chinês, Xi Jinping, assumiu o cargo em 2012, como tal, não se mostram surpreendidos com este sistema.

Segundo a Reuters, o acesso público ao documento do concurso foi desativado nesta segunda-feira. O governo provincial de Henan e a polícia não responderam ao pedido de comentários. O Ministério da Segurança Pública e o Ministério das Relações Externas da China também não proferiram qualquer reação.

  ZAP //

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