Há 12 sinais que mostram que está apaixonado — e estão cientificamente comprovados

Não consegue tirar alguém do pensamento? Sonha acordado sobre alguém quando deveria estar a trabalhar? A imaginar um futuro juntos? Estes pensamentos são apenas alguns dos sinais que indicam que está apaixonado.

Os investigadores estudaram exatamente o que significa “apaixonar-se” e descobriram que o cérebro de uma pessoa apaixonada parece muito diferente de alguém que sente apenas desejo, e é também diferente do cérebro de alguém numa relação de longo prazo, avança a Live Science.

Estudos liderados por Helen Fisher, antropóloga da Universidade Rutgers e uma das principais especialistas na base biológica do amor, revelaram que a fase “apaixonada” do cérebro é um período único e bem definido de tempo. E existem 12 indicadores de que se está apaixonado.

Pensar que a pessoa é especial

Quando se está apaixonado, começa-se a pensar que a pessoa amada é única, associada à incapacidade de sentir uma paixão romântica por qualquer outra pessoa.

De acordo com um estudo de 2017 na revista Archives of Sexual Behavior, esta monogamia resulta de níveis elevados de dopamina central — um químico envolvido na atenção e no foco — no cérebro.

Foco nos aspetos positivos

As pessoas que estão verdadeiramente apaixonadas tendem a concentrar-se nas qualidades positivas do seu parceiro/a, ignorando ao mesmo tempo as suas características negativas. De acordo com um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology, as relações são normalmente mais bem sucedidas quando os parceiros são idealizados.

Aqueles que estão apaixonados também se concentram em eventos e objetos triviais que lhes recordam o seu ente querido, sonhando com esses momentos.

De acordo com a pesquisa publicada em 2013 na revista Motivation and Emotion, estar apaixonado impede as pessoas de se concentrarem em outras informações.

Pensa-se também que esta atenção focada resulta de níveis elevados de dopamina central, bem como de um pico na norepinefrina central, um químico associado ao aumento da memória na presença de novos estímulos.

Instabilidade emocional

Apaixonar-se por alguém causa frequentemente instabilidade emocional e fisiológica. Euforia, aumento de energia, insónias, perda de apetite, tremores, coração acelerado e respiração acelerada, bem como ansiedade, pânico e sentimentos de desespero podem surgir quando a relação sofre o mais pequeno contratempo.

Quando os problemas são mais graves, estas mudanças de humor podem mesmo causar comportamentos toxicodependentes, de acordo com um estudo de 2017, publicado na revista Philosophy, Psychiatry and Psychology.

E de facto, quando são mostradas fotos dos entes queridos, disparam as mesmas regiões do cérebro que se ativam quando um toxicodependente dá uma “snifadela”.

Segundo Fisher, estar apaixonado é uma forma de vício e quando este é retirado a alguém, essa pessoa pode sofrer “desistências e recaídas”.

Atração mais intensa

Passar por algum tipo de adversidade com outra pessoa tende a intensificar a atração romântica, de acordo com a investigação de Fisher, mas a dopamina central também pode ser responsável por esta reação.

De acordo com a investigação, quando uma recompensa é adiada, os neurónios produtores de dopamina na região do meio do cérebro tornam-se mais produtivos.

Pensamentos intrusivos

As pessoas que estão apaixonadas relatam que passam, em média, mais de 85% do tempo em que estão acordados a pensar no seu “objeto amoroso”, segundo Fisher.

O pensamento intrusivo, como esta forma de comportamento obsessivo é chamada, pode resultar na diminuição dos níveis de serotonina central no cérebro, uma condição que tem estado associada a um comportamento obsessivo. O distúrbio obsessivo-compulsivo é tratado com inibidores de recaptação de serotonina.

Segundo um estudo de 2012 publicado no Journal of Psychophysiology, os homens que estão apaixonados têm níveis de serotonina mais baixos do que os homens que não estão, enquanto que o oposto se aplica às mulheres. Verificou-se que os homens e mulheres que estavam apaixonados estavam a pensar no seu ente querido durante cerca de 65% do tempo em que estavam acordados.

Dependência emocional

Pessoas apaixonadas mostram regularmente sinais de dependência emocional na relação, como possessividade, ciúmes, medo de rejeição e ansiedade de separação.

Por exemplo, Fisher e outros investigadores olharam para o cérebro de indivíduos que viam fotos de um ente querido rejeitado, ou de alguém por quem ainda estavam apaixonados depois de terem sido rejeitados por essa pessoa.

A imagem de ressonância magnética funcional (fMRI) mostrou ativação em várias áreas do cérebro, incluindo áreas do cérebro como os giroscópio cingulado que demonstraram desempenhar um papel nos desejos de cocaína.

“A ativação de áreas envolvidas no vício da cocaína pode ajudar a explicar os comportamentos obsessivos associados à rejeição no amor”, escreveram os investigadores em 2010, num estudo publicado no Journal of Neurophysiology.

Planear um futuro

O desejo de união emocional com uma pessoa amada, a procura de formas de se aproximar e o sonho de um futuro juntos são também sinais de alguém apaixonado.

Segundo um estudo da Universidade de Harvard, quando os níveis de serotonina começam a voltar aos níveis normais, a hormona oxitocina aumenta. Este neurotransmissor está associado à criação de relações mais sérias.

Lucy Brown, neurocientista do Albert Einstein College of Medicine em Nova Iorque, refere que este impulso para estar com outra pessoa é como o nosso impulso para beber água e outras coisas de que precisamos para sobreviver.

“Estudos de ressonância magnética funcional mostram que os sistemas neurais subjacentes ao impulso, reconhecimento de recompensas e euforia são ativos em quase todos os indivíduos quando olham para o rosto da pessoa amada e pensam em algo romântico. Isto coloca o amor no setor de sistemas de sobrevivência, como aqueles que nos deixam com fome ou sede“, contou Brown à Live Science.

“Eu penso no amor como parte da estratégia reprodutiva humana. Ele ajuda-nos a formar laços, que nos ajudam a sobreviver. Fomos construídos para experimentar a magia do amor e para sermos levados em direção a outras pessoas”, acrescenta.

Sentimentos de empatia

As pessoas que estão apaixonadas sentem normalmente um forte sentimento de empatia para com quem amam, sentindo a dor da outra pessoa como se fosse sua e estando dispostas a sacrificar qualquer coisa pela outra pessoa.

No estudo de Fisher, os cientistas descobriram padrões significativos na atividade cerebral de pessoas que estavam apaixonadas. Os seus neurónios-espelho, que estão ligados a sentimentos de empatia, eram mais ativos em pessoas que estavam numa relação amorosa e de longo prazo.

Interesses alinhados

Apaixonar-se pode resultar em alguém a reordenar as suas prioridades diárias para se alinhar com as da pessoa. Enquanto alguns podem tentar ser mais como um ente querido, outro dos estudos de Fisher, apresentados em 2013 na conferência “Ser Humano”, descobriu que as pessoas são atraídas pelos seus opostos, pelo menos pelos seus opostos “cérebro-químicos”.

Por exemplo, a investigação descobriu que pessoas com personalidades dominantes em testosterona (altamente analíticas, competitivas e emocionalmente contidas) eram frequentemente atraídas para companheiros com personalidades ligadas a altos níveis de estrogénio e oxitocina.

Estes indivíduos tendiam a ser “empáticos, carinhosos, confiantes, introspetivos, e procuram significado e identidade”, disse Fisher em 2013.

Sentimentos possessivos

Aqueles que estão profundamente apaixonados sentem frequentemente o desejo sexual pela pessoa amada, mas há fortes laços emocionais ligados.

O desejo de sexo está associado a um desejo de exclusividade sexual, e a ciúmes quando o parceiro é suspeito de infidelidade. Segundo o Indian Journal of Endocrinology and Metabolism, a oxitocina é libertada durante o sexo. Esta hormona, tal como mencionado acima, cria laços sociais e aumenta a confiança.

Pensa-se que este apego tenha evoluído de modo a que uma pessoa apaixonada obrigue o seu parceiro a recusar outros pretendentes, assegurando assim que o namoro do casal não seja interrompido até que a conceção tenha ocorrido.

Segundo Fisher, isto evoluiu como uma necessidade biológica, permitindo às pessoas em relações românticas “concentrar [a sua] energia de acasalamento num determinado indivíduo”.

Desejo de união emocional

Embora o desejo de união sexual seja importante para as pessoas apaixonadas, o desejo de união emocional tem prioridade. Um estudo de Fisher de 2002 concluiu que 64% das pessoas apaixonadas (a mesma percentagem em ambos os sexos) discordam da afirmação: “O sexo é a parte mais importante da minha relação“.

Sentir-se fora de controlo

Fisher e os seus colegas descobriram que os indivíduos que relatam estar “apaixonados” costumam dizer que a sua paixão é involuntária e incontrolável.

Para o seu livro “Love and Limerence” de 1979, a falecida psicóloga Dorothy Tennov pediu a 400 homens e mulheres de Connecticut que respondessem a 200 declarações sobre amor. Muitos participantes expressaram sentimentos de impotência, dizendo que a sua obsessão era irracional e involuntária.

De acordo com Fisher, um dos participantes, executivo de negócios durante 50 anos, escreveu sobre uma pessoa por quem estava apaixonado:

“Estou a avançar para a conclusão de que esta atração por Emily é uma espécie de ação biológica, instintiva, que não está sob controlo voluntário ou lógico… Dirige-me”.

“Tento desesperadamente argumentar com ela, limitar a sua influência, canalizá-la (para o sexo, por exemplo), negá-la, apreciá-la, e fazê-la responder! Apesar de saber que Emily e eu não temos absolutamente nenhuma hipótese de fazer vida juntos, os pensamentos que tenho com ela são uma obsessão“, relatou em 2016.

Infelizmente, estar apaixonado nem sempre dura e os psicólogos dizem que a fase eufórica inicial não dura mais de três anos, de acordo com Fisher.

É um estado impermanente que ou evolui para uma relação a longo prazo a que os psicólogos chamam “apego”, ou se dissipa, e a relação dissolve-se.

Se existem barreiras físicas ou sociais que inibem os parceiros de se verem regularmente — por exemplo, se a relação é de longa distância — então a fase “apaixonada” pode durar mais tempo do que duraria de outra forma.

  Alice Carqueja, ZAP //

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