“Glória”, a primeira série portuguesa da Netflix conta “segredo bem guardado” do Estado Novo

Netflix

A série portuguesa de ficção “Glória”, realizada por Tiago Guedes, a primeira a ser produzida para a Netflix, estreia-se nesta sexta-feira na plataforma de ‘streaming’.

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“Glória” é um ‘thriller’ de espionagem e ação, passado em Portugal nos anos finais da ditadura do Estado Novo, e ainda durante a Guerra Fria, sendo uma história de ficção assente num contexto e em factos reais.

A ação concentra-se na aldeia da Glória do Ribatejo, onde durante décadas funcionou um centro norte-americano de transmissões (RARET), que tinha como objetivo transmitir “propaganda ocidental para os países do Bloco de Leste”.

“O que tínhamos era propaganda americana que era emitida desde a Glória do Ribatejo“, realça o realizador Tiago Guedes em entrevista à Rádio Renascença.

O RARET “acabou por ser um ponto nevrálgico importante nisso que foi a Guerra Fria, a forma como foram contaminando as mentalidades que estavam para lá da “Cortina de Ferro””, acrescenta o realizador.

“Isto aconteceu num Portugal em ditadura“, frisa ainda, notando que cresceu “a achar que o Salazar sempre defendeu uma enorme neutralidade e que não estava nem com os americanos, nem com os alemães, ou russos, não estava com ninguém”. “No entanto, a CIA conseguiu de alguma forma convencê-lo a construir esta empreitada na Glória do Ribatejo”, aponta.

Tiago Guedes sublinha ainda que a aldeia do Ribatejo “era um centro gigantesco, altamente tecnológico à época” e que “todos os funcionários americanos e provavelmente muitos dos portugueses que trabalharam lá” viviam lá.

“Um segredo muito bem guardado”

“Este projeto trouxe uma história original, não só para quem não é português, que fica a perceber o papel que Portugal teve como plataforma neste período da Guerra Fria; e também para os portugueses, porque a RARET, apesar de ser um complexo de 200 hectares onde trabalhavam 500 pessoas, continua a ser um segredo muito bem guardado ao longo destes anos todos“, explica o criador da série, Pedro Lopes, em entrevista à Lusa.

A história de ficção é protagonizada pelo engenheiro João Vidal (o ator Miguel Nunes), filho de um alto dirigente do Estado Novo, recrutado pelo KGB, a polícia secreta de Moscovo.

A série conta ainda com a participação de Victoria Guerra, Afonso Pimentel, Adriano Luz, Carolina Amaral, Joana Ribeiro, Albano Jerónimo, Marcelo Urgeghe, Stephanie Vogt e Jimmy Taenaka, entre outros.

Ficção portuguesa ganha “visibilidade” e “músculo financeiro”

Pedro Lopes, o criador e argumentista da série, afirma que “Glória” representa a entrada de Portugal “num outro patamar de fazer ficção”.

“Termos acesso a outro músculo financeiro permitiu que houvesse mais tempo para escrever, para filmar, para a direção de arte preparar a recuperação dos edifícios, a decoração, os ensaios dos atores. Quando entramos num mercado internacional, a diferença está nos pormenores”, realça Pedro Lopes.

“Glória”, cuja primeira temporada de dez episódios está disponível na Netflix a partir desta sexta-feira, é uma coprodução da SPi e da RTP. A estação pública de televisão também irá exibir a série, em data a anunciar.

Pedro Lopes sublinha a relevância da Netflix, a operar em Portugal desde 2015, e realça que a exibição de “Glória” na plataforma que tem “mais de 293 milhões de subscritores” e está “presente em mais de 190 países”, pode “trazer visibilidade a Portugal e à nossa indústria“.

A série chega à Netflix numa altura em que outras plataformas de ‘streaming’ estão também a produzir e a exibir séries de ficção portuguesa, como “Auga Seca”, cuja segunda temporada também se estreia hoje na HBO Portugal, e “Operação Maré Negra”, para a Amazon Prime Video.

  ZAP // Lusa

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