Santana promete marcação cerrada à esquerda e quer seguros de saúde para todos

António Cotrim / Lusa

O presidente do Aliança, Pedro Santana Lopes, discursa durante o 1.º Congresso do Aliança

Pedro Santana Lopes foi eleito presidente da Aliança no I Congresso, em Évora, e deixou a promessa de marcação cerrada à “frente de esquerda” e a proposta de um seguro de saúde “para todos” os portugueses.

Numa reunião em que, além do ex-primeiro-ministro, “brilharam” apenas o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros António Martins da Cruz, o cabeça-de-lista às europeias, Paulo Sande, e o ex-dirigente do PSD da Covilhã Carlos Pinto, o líder da Aliança propôs-se ocupar um novo espaço político para travar o “combate” com a esquerda e ser vigilante quanto à atuação do Presidente da República.

A avaliação do desempenho de Marcelo Rebelo de Sousa esteve, aliás, presente nos dois discursos do antigo primeiro-ministro no congresso de Évora. No primeiro, Pedro Santana Lopes pediu a Marcelo para “não exagerar” na solidariedade institucional com o Governo, a propósito da greve dos enfermeiros. No segundo, pediu ao Presidente para intervir na questão do “cerco à Madeira” levado a cabo pelo Governo para conseguir uma vitória eleitoral do PSD nas regionais de 22 de setembro.

“Sempre defendi e defendo a solidariedade institucional entre chefe de Estado e Governo, mas não é preciso exagerar, é preciso o devido equilíbrio”, disse, logo na sua primeira intervenção, embora garantindo que “a Aliança não é oposição ao Presidente da República, nem quer ser”. Quanto a apoios para uma hipotética recandidatura, nada a dizer, considerou, uma vez que “o homem ainda não decidiu se se recandidata ou não“.

Pedro Santana Lopes, instou ainda o Presidente da República a convidar para o Conselho de Estado os “presidentes de órgãos dos diferentes poderes”, bem como os parceiros sociais para promover consensos

Quanto ao combate político, não podia ser mais taxativo: “Preparem-se. Onde houver combates, onde houver causas justas, onde houver opressão, onde houver injustiças, nós vamos lá estar, nas cidades e nos campos, nas fábricas, nos hospitais, nas escolas, e vamos estar ao lado dos que têm limitações físicas e não são protegidos, não têm direito à plena inclusão”, acentuou, prosseguindo: “A questão é de boas ou más políticas. De boas ou más escolhas. Não somos de facto iguais”.

Na primeira intervenção, em que se confessou “esmagado” pelo que ouviu dos militantes, Santana Lopes aproveitou para fazer um pequeno ‘ajuste de contas’ com o passado, regressando a 2004, quando o então Presidente da República Jorge Sampaio decidiu dissolver o parlamento, em face de uma crise política, e provocar assim a queda do seu Governo. Se tal não tivesse acontecido, sugeriu, o país poderia estar hoje “muito diferente”, para melhor.

Na segunda intervenção, a que encerrou o congresso, Santana surgiu com medidas concretas como a instituição de um seguro de saúde “para todos os portugueses” e a ideia de acabar com a subsidiação das empresas públicas esbanjadoras de dinheiro dos contribuintes.

“Todos devem ter o seu seguro de saúde”, defendeu Santana Lopes, acrescentando que cerca de metade dos portugueses não têm sequer rendimentos que lhe permitam pagar IRS, pelo que no acesso aos seguros de saúde “precisam de ser apoiados”.

É preciso “mudar a estrutura de financiamento do Serviço Nacional de Saúde”, acentuou o presidente da Aliança, concluindo: “O SNS, assim como está, não dá“. “Temos de generalizar os seguros de saúde”, afirmando que “é insustentável que só os ricos possam escolher entre o serviço público e o serviço privado de saúde”.

Aliança não é “o partido de um homem só”

Num congresso com pouca juventude, mas que correu de forma semelhante à dos partidos tradicionais, com uma sucessão de intervenções até às primeiras horas da madrugada, foram poucas as “estrelas” a brilhar a partir do púlpito, apesar de Santana frisar por diversas vezes ter ficado provado no congresso que este não é “o partido de um homem só”.

Além do líder, também o embaixador António Martins da Cruz entusiasmou com uma intervenção crítica da postura do Governo português quanto à crise na Venezuela, acusando o executivo de António Costa de ter envergonhado Portugal, “quando mandou, à última hora, um grupo de polícias” para aquele país, “tarde e a más horas”, sem “preparar a viagem”, tendo os elementos da PSP sido impedidos de entrar no país.

A partir do púlpito, o antigo presidente social-democrata da Câmara da Covilhã Carlos Pinto discursou igualmente e “apontou baterias” ao PS, PCP, BE e PEV, avisando-os que “acabou a festa”, já a partir das próximas eleições europeias, e elegendo como “a missão mais urgente” para a Aliança acabar com a “frente de esquerda”.

Já o cabeça-de-lista da Aliança às eleições europeias de 26 de maio, Paulo Sande, afirmou que não pede “o impossível, apenas o indispensável”, nesta “corrida eleitoral” e assumiu querer “traduzir o europês para português”.

Entre as medidas que defendeu, aludiu a “um sistema de mandato negociado por parte da Assembleia da República”. O sistema implica que, em assuntos de grande importância, o Governo obtenha da parte do Parlamento um mandato que estabeleça as linhas vermelhas e objetivos concretos, antes da deliberação no Conselho de Ministros da União Europeia.

Outra proposta mencionada por Paulo Sande é a apresentação de um “cartão vermelho” por parte de um número determinado de parlamentos nacionais quando alguma proposta da Comissão Europeia violar o princípio da subsidiariedade.

A eleição dos órgãos nacionais do partido, cuja votação decorreu na manhã de hoje, foi pacífica, com apenas a lista A, encabeçada por Pedro Santana Lopes, a concorrer.

Quase no final do período da votação, foi o momento de o líder também depositar os seus votos na urna e, depois, reconheceu aos jornalistas ser “sempre difícil” fazer listas, ainda que se tenha congratulado por todas as regiões do país estarem representadas na sua proposta.

Segundo os resultados, votaram 372 dos 545 delegados do partido inscritos nos cadernos eleitorais, com a lista de Santana Lopes a eleger todos os membros propostos para os diversos órgãos.

Santana tem sete vice-presidentes na Direção Política Nacional e Luís Cirilo como diretor executivo. Entre os vices estão Martins da Cruz, a antiga secretária de Estado Rosário Águas e o ex-autarca da Covilhã Carlos Pinto e a advogada portuguesa da cantora pop Madonna, Ana Pedrosa-Augusto.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

    • O SNS já acabou há muito. Só não vê quem não quer. E morreu por um simples motivo: era demasiado caro para os resultados que proporcionava. Com uma população envelhecida o SNS tinha a morte anunciada há muito. Mesmo há muito tempo.

  1. “Seguros de saúde para todos…”
    Hahahaaa!…
    O Santana está cada vez mais alucinado… e o pior é ter quem ainda lhe dê ouvidos, depois da nulidade (para não dizer merd@!) que foi durante toda a sua vida politica!…

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