Robert vive há 22 anos numa cidade fantasma à procura de prata (e ainda não a encontrou)

QKC / Wikimedia

Cerro Gordo, nos EUA

O ex-professor de 70 anos anda à procura de prata há 22 anos, na cidade fantasma de Cerro Gordo, nos Estados Unidos, sendo o único habitante.

Robert Louis Desmarais é o único habitante da cidade fantasma de Cerro Gordo, no estado norte-americano da Califórnia. Na mina agora abandonada, mas que já foi considerada a mais abundante da região, o ex-professor procura prata há 22 anos.

O norte-americano, de 70 anos, visitou pela primeira vez este lugar remoto numas férias com o objetivo de procurar minerais. No entanto, depois da visita, decidiu ficar lá a viver “nas montanhas e sob as estrelas”, diz à BBC.



Convencido de que ainda falta encontrar muita prata, Robert desce regularmente à mina, com um cinzel e um martelo, para “quebrar pedra e ver o que está por trás”. “Espero encontrar, é por isso que estou aqui. Durante 22 anos, encontrei o equivalente a um carrinho de mão cheio de prata”. Para já, vende minerais a turistas por preços que variam de cinco a 20 dólares.

Depois de ter vivido na cidade durante alguns anos, foi-lhe oferecida uma cabana que já foi a casa de um mineiro chamado William Hunter. Foi aí, a uma altitude de 850 metros, que o velho professor se estabeleceu, com uma visão dominante do vale que lhe permite ver os visitantes muito antes de chegarem à cidade.

Longe de tudo e todos

Robert não leva uma vida fácil. Todos os dias, corta e guarda lenha. Há eletricidade na montanha, mas não há água, então tem de carregar uma carga de camião da cidade vizinha, Keeler.

A cidade já foi uma estação ferroviária e uma cidade próspera. A prata era retirada da montanha para Keeler, atravessava o Lago Owens e era transportada num comboio para Los Angeles. Porém, desde que o lago foi drenado como parte do projeto do aqueduto de LA, a população diminuiu para 30 pessoas.

Lone Pine, a cidade que fica a 24 quilómetros de distância, é o local mais próximo para obter suprimentos e onde existem cafés, lojas, hotéis e bares.

Sendo alguém que vive completamente sozinho, “além dos fantasmas”, como gosta de brincar, Robert gosta de mostrar Cerro Gordo aos visitantes, que foi fundada em 1865 e cresceu rapidamente para abrigar uma população de 4500 pessoas.

O ex-professor gostava de fazer viagens de mineração subterrânea, mas os atuais donos da terra, os empresários Brent Underwood e Jon Bier, estão contra essa ideia porque consideram que as minas são “inerentemente perigosas”.

Os dois compraram a cidade por 1,4 milhões de dólares, em julho do ano passado, a uma sexta-feira 13, tal como manda uma cidade fantasma. Tal como Robert, também pensam que pode a terra esconde ainda muitas riquezas.

“Já conseguiram retirar pelo menos 500 milhões de dólares em minerais da montanha e há rumores de que há pelo menos outros 500 milhões ali em baixo. A cidade tem sido cedida de sonhador a sonhador desde a sua fundação”, dizem.

Brent Underwood e Jon Bier

Os novos proprietários querem reviver aquilo que a cidade já foi, ao instalar um alojamento para os turistas passarem a noite. Além disso, pediram mais ideias no Reddit sobre o que poderiam fazer mais para dar vida a este lugar.

Um utilizador desta rede social sugeriu a construção de um cinema mas Cerro Gordo já tem uma capela convertida numa sala com um projetor e cadeiras de cinema. A dupla planeia fazer uso deste espaço para projetar vários filmes.

Outros utilizadores também deram conselhos sobre o que deveriam plantar por lá. “Sugeriram-nos que cultivássemos mais tremoço de soda de uva (Lupinus excubitus), que é muito bonita e roxa, e que tenhamos algumas cabras para controlar as ervas daninhas que estão a aproximar-se das casas para evitar futuros incêndios”.

O anterior proprietário pediu a Robert que vigiasse a cidade, o que fez de forma voluntária. Os novos proprietários agora contrataram-no como cuidador. O ex-professor repara janelas, já matou cobras e ratos, mas nunca coiotes, que considera “criaturas importantes e maravilhosas” e recolhe o lixo que a “gente má” deixa.

Um utilizador do Instagram chegou a escrever-lhe: “Muito obrigado por vigiar Cerro Gordo durante todo este tempo”. E outro também disse: “Quero sentar-me ao lado de uma fogueira sob as estrelas e ouvir as suas histórias”.

Infelizmente, o Robert nunca vai ver estes comentários, já que não tem computador. “Sou da velha escola. Gosto dos animais, de aventura e das estrelas”.

ZAP ZAP // BBC

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