Rio venceu o aparelho, mirou em Costa e está “picado para ganhar as legislativas”

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José Coelho / EPA

Rui Rio, líder do PSD

O voto dos militantes livres ditou a vitória de Rui Rio nas eleições diretas do PSD, este sábado. Com o terceiro mandato assegurado, o líder apontou para o futuro e garantiu que vai vencer as legislativas de 30 de janeiro.

Com uma vantagem de 1,7 mil votos, Rui Rio ganhou as diretas do PSD por 52% contra 47% de Paulo Rangel. Antes de entrar na sala do Sheraton, no Porto, ouvia-se “I’m Still Standing”, de Elton John, a metáfora perfeita para o líder do partido, que continua em pé.

Foi a primeira vez que um candidato do PSD ganhou contra o apoio da maioria dos dirigentes do partido, das distritais e das concelhias, que, na ótica do vencedor, “têm de se ligar mais aos militantes”.

Rui Rio já era o líder social-democrata com mais tempo de oposição. Agora, vai manter-se no cargo que ocupa desde janeiro de 2018, num mandato que, previsivelmente, se estenderá por dois anos.

Cavaco Silva foi o líder que mais tempo esteve à frente do PSD, durante quase dez anos, seguido de Pedro Passos Coelho, que completou perto de oito como presidente dos sociais-democratas, e com o terceiro lugar a caber, até agora, a Durão Barroso, que esteve 4,5 anos como presidente social-democrata.

Vencida a primeira batalha, Rio mira no futuro – que se decide já no dia 30 de janeiro. São as eleições legislativas a verdadeira prova de fogo para o social-democrata, que acredita que sairá vencedor.

Vamos ganhar as legislativas“, disse, convicto, na noite deste sábado.

“Já disse largas dezenas de vezes, tudo o que disse na campanha interna está válido. Vou a eleições democráticas, vou a eleições para ganhar, quero respeitar o resultado. Quer ganhe quer perca, quero que os restantes partidos o respeitem, e estar disponível para garantir a governabilidade do país”, afirmou.

No discurso da noite passada, Rui Rio levantou o véu sobre o programa que tem para o país, pedindo uma “governação que tenha mais rigor e menos facilitismo” – uma crítica clara ao atual primeiro-ministro, António Costa.

Na ótica do líder laranja, o país precisa de “criar mais riqueza e menos endividamento”, além de se “concentrar em produzir mais riqueza e reduzir o endividamento”.

“Temos de ter a força para reformar, a força para afrontar interesses instalados para depois mudar”, elencou, citado pelo Público.

Afastando-se do PS, sublinhou: “Temos de ganhar as eleições legislativas para que possamos ter um país com melhores empresas, empresas que possam dar melhores empregos aos portugueses, pagar melhores salários aos portugueses, onde os jovens não tenham de emigrar.”

Os serviços públicos também merecem atenção, nomeadamente o Serviço Nacional de Saúde, assim como a redução da carga fiscal.

“Precisamos de um país mais descentralizado, mas para fazer um país mais desconcentrado, mais descentralizado, temos de conseguir na Assembleia da República os votos necessários para o fazer”, assinalou.

Rui Rio sai agora reforçado e admitiu: “Eu funciono melhor quando me picam. E agora estou picado e é possível ganhar as eleições legislativas.

O que se segue

O prazo limite para a entrega da lista de deputados para as legislativas termina em 20 de dezembro, um dia depois de terminar o Congresso do partido, que decorrerá entre 17 e 19 de dezembro, na FIL, em Lisboa.

Se a vitória tivesse sido de Rangel o processo prometia gerar polémica, já que o eurodeputado defendeu durante a campanha interna que devia ser o líder eleito a conduzi-lo, enquanto Rio invocava os estatutos que atribuem à Comissão Política Nacional (CPN) a tarefa de propor essa lista ao Conselho Nacional, órgão com a competência de a aprovar.

Com a reeleição de Rio, a questão de quem é o responsável máximo está resolvida, mas dificilmente o processo será pacífico, depois de muitos dirigentes distritais e concelhios terem apoiado Paulo Rangel e o atual e futuro presidente já ter perdido várias votações recentes em Conselho Nacional.

“Fazer listas com nomes, seja para o Conselho Nacional, para a Comissão Política Nacional, seja o que for, é sempre difícil em qualquer partido. No nosso sempre foi e continuará a ser”, admitiu, no seu discurso de vitória.

Segundo o calendário já aprovado pela direção, o prazo para as distritais aprovarem as suas escolhas termina já na terça-feira, abrindo-se depois até 6 de dezembro um período de negociações com a Comissão Política Nacional. O Conselho Nacional para aprovar as listas já foi marcado para 7 de dezembro (com uma segunda data para dia 10, caso chumbem na primeira tentativa).

Entre as decisões sobre a lista, estará a de saber se o PSD vai a votos sozinho ou com o CDS: apesar de numa reunião da Comissão Política Nacional a maioria dos seus membros ter manifestado preferência pela primeira opção, o tema não chegou a ir a votos, e, esta semana à Renascença, Rio prometeu levar novamente à direção a proposta de um acordo pré-eleitoral com os democratas-cristãos.

Até ao Congresso, dentro de três semanas, Rio terá ainda de apresentar as suas escolhas para os órgãos nacionais, em particular para a Comissão Política Nacional, e já sabe que pelo menos um dos seus vice-presidentes desde 2018, Nuno Morais Sarmento, não irá manter-se no cargo por vontade do próprio.

Outra tarefa do presidente do PSD será a elaboração do programa eleitoral do partido, que deverá atualizar o texto já apresentado às legislativas de 2019, com os documentos entretanto produzidos pelo Conselho Estratégico Nacional (CEN) do partido.

A moção de estratégia “Governar Portugal” com que Rio se candidatou à liderança do PSD foi um texto curto, com apenas 18 páginas, centrado em mensagens políticas e em que se remetia várias vezes para a sua proposta de estratégia global de há dois anos ou para o anterior programa eleitoral.

Na próxima legislatura, e em função dos resultados eleitorais, Rio terá de decidir se avança com dois diplomas apresentados publicamente durante a sua direção, mas não entregues no Parlamento devido à dissolução: o projeto de revisão constitucional e o de revisão da lei eleitoral para a Assembleia da República.

Este sábado, assim como na campanha, Rio manifestou abertura para possíveis acordos de governação pós-legislativas, dizendo que “vai a eleições democráticas” para “ganhar” e que irá “respeitar essas eleições quer ganhe, quer perca”, esperando a mesma postura dos outros partidos.

  ZAP // Lusa

2 Comments

  1. lá foi o rangel de malas aviadas para o parlamento europeu e ele não se deve importar nada..visto que os salários por lá são bem mais elevados que cá

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