Rio encerra congresso com fortes críticas ao Governo. Tem “poucochinha” ambição

José Coelho / Lusa

O presidente do PSD disse este domingo, no encerramento do congresso do partido, que com a atual governação socialista os portugueses só podem ter uma ambição “poucochinha” e aumentos salariais que não ultrapassam os 0,7%.

“Com este Governo e com estas alianças parlamentares, os portugueses poderão ter aumentos salariais de 0,5% ou 0,7%, mas nunca terão os aumentos que os catapultem para os padrões de vida europeus”, criticou no seu discurso de encerramento do congresso, que decorreu este fim-de-semana em Viana do Castelo.

Rio alertou que “é cada vez mais estreita a diferença entre salário mínimo nacional e o salário médio” e que tal só pode ser alterado com a inversão do modelo económico.

“Sem alterar o seu modelo económico e sem coragem para seguir uma política reformista, o país nunca chegará aos padrões médios da União Europeia. Dito de outra forma, com esta governação os portugueses podem ter alguma ambição, desde que seja poucochinha”.

Rio atacou também “a maior carga fiscal da história de Portugal”, que classificou própria de uma governação “fortemente marcada pela ideologia comunista e socialista”. “Cobrar mais impostos para saciar a permanente vontade de crescimento da despesa pública corrente é marca da governação socialista, que o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda acarinham e incentivam”, criticou.

O presidente do PSD foi aplaudido de pé quando entrou para a sala do Centro Cultural de Viana do Castelo onde decorreu o 38º Congresso do partido. A lista da direção de Rui Rio ao Conselho Nacional elegeu 21 dos 70 membros deste órgão, enquanto a lista de Paulo Cunha, apoiada por Luís Montenegro, conseguiu 16.

Reformas na Justiça e no sistema político

Na mesma intervenção, que durou cerca de 50 minutos, o presidente recém-eleito do PSD considerou que Portugal tem de fazer reformas para devolver “transparência” ao sistema político, avançando com limite de mandatos dos deputados, e para reforçar a confiança na justiça e combater lógicas dos “tabloides”.

Segundo Rio, o sistema político permanece sem alterações desde o período pós-revolucionário, apresentando sintomas de “enquistamento e de utilização perversa das normas em vigor”. “O desgaste e a descredibilização do sistema são, por isso, naturais em face do decorrer do tempo e da natureza humana. Impõe-se fazer uma reforma que devolva transparência, verdade e eficácia ao nosso sistema político”, defendeu.

Neste ponto, Rui Rio falou da necessidade de se repensar a forma como são eleitos os deputados e o executivos autárquicos, a possibilidade de se introduzir limite de mandatos no parlamento “tal como já acontece com as autarquias locais, reduzir “moderadamente” o número de deputados, alterar a composição da comissão de ética na Assembleia da República “para evitar conflitos de interesses” e “revisitar” a lei dos partidos.

Na questão da justiça, considerou que a reforma “tarda já há muito”.

“Quando a justiça não funciona, ou funciona de forma totalmente insatisfatória, é naturalmente o próprio Estado de Direito democrático que fica em causa. Hoje é manifestamente que a confiança que os portugueses depositam no seu sistema judicial está muito aquém do necessário e muito abaixo daquilo que já foi”, sustentou.

Neste ponto da reforma da justiça, o presidente do PSD deixou mesmo um recado de que “é preciso fugir à habitual demagogia que parte, logo de início, do princípio de que quem está na política é, por definição, suspeito do que possa haver de pior”.

“Essa lógica abstrusa pode agradar aos tabloides que vivem do escândalo e da suspeita gratuita, mas não serve a dignidade e muito menos a nobreza da função política. Tem de haver coragem para combater a demagogia e o populismo, que são dois dos mais perigosos adversários da democracia”, advertiu Rui Rio.

Mas o presidente do PSD foi ainda mais longe nos seus avisos: “Se a classe política está desprestigiada, os agentes judiciais não o estão menos, o que é obviamente um sintoma muito negativo para o próprio regime democrático”.

Ao todo, contabilizou o Expresso, Rio deixou 44 fortes ataques ao Governo de António Costa, que foram desde a Saúde à Justiça, passando pela Economia e a Segurança Social.

O aviso de Rio

No final do seu discurso, Rio deixou um “recado” sem destinatário explícito para reiterar qual a sua postura na vida política. O presidente do PSD avisou que quem só está na política para receber sairá “sem honra e glória”.

“O Homem vive com o que recebe, mas marca a sua vida com o que dá. Por isso, quando estamos na vida pública só conseguiremos marcar a nossa passagem com o que a ela damos”, avisou. Para Rio, “quem nela está para receber, saíra dela sem qualquer honra e glória”, considerando que na história do PSD “muitos saíram com honra e com glória”.

“Saibamos nós seguir esses exemplos e servir Portugal como eles serviram”, apelou.

No final da sua intervenção, o líder reeleito reforçou o seu entendimento de que o PSD serve o país tanto no Governo, como na oposição. “É por isso que o PSD esteve e continuará a estar disponível para encontrar pontos de entendimento com outros partidos e com a sociedade em geral”, afirmou, depois de se ter referido em concreto à necessidade de duas reformas de regime, nas áreas do sistema político e da justiça.

O 38.º Congresso do PSD terminou cerca das 14:30 como habitualmente com o hino nacional e o hino do partido.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Sobre o que fazia diferente e como nem uma palavra, os portugueses querem saber é de soluções e como as pensam fazer, lavagem de roupa suja usam máquina de lavar roupa, só usam a lavagem de roupa suja aqueles que não têm uma ideia do que fazer para tornar Portugal melhor

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