Operação Marquês. Rio critica “descrédito” da justiça e acusa Marcelo e Costa de “hipocrisia”

Lusa / Lusa

Na primeira reação à decisão instrutória da Operação Marquês, Rui Rio foi duro nos recados que deixou. O líder do PSD disparou em todas as direções e nem António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa escaparam.

Rui Rio disse esta segunda-feira que a decisão instrutória do processo Marquês é a prova da justiça a “não funcionar”.

Neste sentido, o presidente do PSD recorda que já propôs uma reestruturação do sistema judicial aos vários partidos com assento parlamentar, mas que estes não quiseram “mexer no sistema”.

Numa declaração sem direito a perguntas, Rio criticou as violações do segredo de justiça e a intoxicação da opinião pública por parte das autoridades judiciais, referindo que a justiça está em “descrédito” e que “é o pior exemplo da doença do regime”.

“Pela primeira vez na história deste regime, um primeiro-ministro é indiciado por vários crimes e o juiz diz que os crimes prescreveram ou que as provas não foram obtidas de forma legal”, recordou, frisando que “as decisões da justiça têm de ser entendidas” e que a “morosidade dos processos é um grave problema”.

Defende ainda que “não é preciso revolucionar ou destruir tudo. É necessário reformar”, sublinha, pedindo para que a independência do poder judicial não signifique que a justiça seja “um mundo à parte”.

“A justiça não pode ser um Estado dentro de um Estado”, acrescentou.

“Hipocrisia e falta de coragem”

No meio de tantas críticas à decisão de Ivo Rosa, Rui Rio também lançou algumas farpas à postura de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa perante o processo.

“O PSD renuncia à demagogia, mas não renuncia a voltar a defender que a reforma da justiça é a primeira das reformas que Portugal tem de fazer. E à hipocrisia de dizer que o que está a acontecer é ‘a justiça a funcionar’ eu digo que é a justiça a não funcionar”, disse, referindo-se às declarações de Marcelo Rebelo de Sousa antes de se conhecer a decisão do juiz Ivo Rosa.

Como recorda o Expresso, o Presidente da República não comentou o caso e apenas frisou: “De cada vez que há avanço num processo judicial, nomeadamente nos megaprocessos, isso é visto pelos portugueses como a justiça a funcionar”.

Para Rio, não é só Marcelo que, com essa afirmação, está a ser “hipócrita”, mas também António Costa.

“O mesmo se pode dizer da hipocrisia da afirmação ‘à justiça o que é da justiça e à política o que é da política’, porque todos sabemos que no estado de direito democrático é obrigação dos órgãos de soberania assegurar o quadro legislativo e os recursos técnicos e humanos adequados para que a soberania da justiça seja respeitada e as suas decisões verdadeiramente independentes”, disse, referindo-se à frase usada por Costa desde que José Sócrates foi acusado.

Para o social-democrata, é “esta hipocrisia e falta de coragem que têm feito crescer os movimentos políticos extremistas”. O país vive na impunidade, pelo menos para os mais poderosos”, acrescentou.

O juiz Ivo Rosa, do Tribunal Central de Instrução Criminal, decidiu levar a julgamento os arguidos José Sócrates e Carlos Santos Silva, pronunciados por três crimes de branqueamento de capitais e outros três de falsificação de documentos cada um.

O magistrado acabou por deixar cair todos os crimes de corrupção de todos os arguidos do processo.

A decisão do juiz ficou muito aquém do pedido pelo Ministério Público que tinha acusado 28 arguidos, entre os quais nove empresas, de um total de 188 crimes económicos e financeiros, entre os quais corrupção e fraude fiscal.

Ana Isabel Moura, ZAP //

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8 COMENTÁRIOS

  1. Mas o descrédito da justiça já existe há muitos anos, a corrupção na justiça existe há muitos anos e nem o ps nem o psd fizeram alguma coisa para o resolver!

  2. Não percebo nem entendo tanto “barrulho”. Não foram os políticos com leis dúbias que mantiveram o sistema de impunidade? O enriquecimento ilícito como ficou? Penas para a corrupção nunca inferior a 10 anos e o enriquecimento ilícito nunca inferior a 5 anos, sem possibilidade de pena suspensa, pq senão continuamos a ser um país de bananas (os políticos).

  3. Venho propor que o dia 9 de Abril, seja proclamado o dia da Impunidade nacional!
    Sr. PR, isto não é a justiça a funcionar, é a justiça a emperrar, a justiça a premiar o crime de colarinho branco, a isentá-lo de cauções e a proporcionar aos prevaricadores chorudas indemnizações pagas por quem foi roubado. Chamem-lhe o que quiserem, mas isto não é justiça!!! Isto é brincar com quem paga impostos!

  4. Não admira o clamor do povo, foi chamado pelo MP para o Big brother. È claro que com tantas horas de manipulação esperavam mais! Eu não conheço o Sr. Juiz, mas algo me dis que é pessoa confiável ao contrário dos outros. Nunca o vi o ‘MM. Juiz’ nas televisões a “vender” informação, a fazer passerele em publico ao contrário de outros que desfilam constantemente pela necessidade dos aplausos e de fazer passar a mensagem.

  5. Finalmente ouvi Rui Rio falar justo e acertado, embora de nada valha, pois, o país está contaminado de mafiosos que tudo dominam.

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