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Rio apresenta recandidatura. “Seria muito prejudicial para o país se o PSD mudasse agora de líder”

Estela Silva / Lusa

Rui Rio, presidente do PSD

Rui Rio apresenta recandidatura à liderança do PSD

O presidente do PSD apresentou, esta sexta-feira, na cidade do Porto, a sua recandidatura à liderança, tendo considerado que “seria muito prejudicial”, não só para o país como para o partido, mudar agora de líder.

Rui Rio começou por abordar o recente resultado do PSD nas eleições autárquicas, tendo afirmado que o partido cumpriu com “todos os objetivos a que se propôs”: mais presidentes de Câmara, presidentes de freguesia, vereadores, membros de Assembleias Municipais, não esquecendo o crescimento em número de votos e nos centros urbanos, assim como a conquista da maioria das capitais de distrito.

“Este resultado, particularmente nos centros urbanos, evidencia uma tendência de voto ascendente para o PSD e descendente para o PS. Ganhar as próximas eleições legislativas e substituir a governação socialista está hoje, seguramente, bem mais perto de nós, como todo o partido e todo o país soube reconhecer”, declarou.

“O caminho faz-se caminhando”, disse o líder social-democrata, acrescentando que só falta cumprir uma etapa deste percurso, “ganhar as legislativas”, e que portanto “ninguém entenderia que deixasse esta tarefa a meio e não estivesse disponível para a realizar por inteiro”.

O presidente do PSD lamentou pois que, nas últimas semanas, tenha surgido uma “incompreensível tendência autofágica que originou divisões internas”, num momento que é de vitória dentro do partido.

Rio considerou também que seria “muito prejudicial para o partido, e principalmente para o país, se o PSD mudasse de presidente no justo momento em que o povo deu sinais visíveis de uma grande abertura para votar no PSD” e, por isso, afirmou que tem a “obrigação” de se recandidatar.

“Não estamos perante a escolha de um bom tribuno”

O líder social-democrata deixou uma palavra aos militantes, lembrando que são eles que “livremente devem escolher o seu presidente” e que “não são as estruturas dirigentes nacionais ou locais que são as donas dos votos” e da “dignidade das pessoas”.

“O PSD tem de ser um partido de homens e mulheres livres. Não pode ser uma coutada seja de quem for, muito menos de quem tantas vezes se move em defesa do seu lugar pessoal”, atirou ainda.

“Não estamos perante a escolha de um bom tribuno, nem de um eficaz angariador de votos partidários. Estamos perante a responsabilidade da escolha de alguém que tenha capacidade de resiliência, coerência de percurso, experiência e vocação executiva e inequívocos atributos de liderança”, afirmou.

Sobre o seu adversário, o eurodeputado Paulo Rangel, o atual líder diz que não podia “dar um passo atrás”, sobretudo quando o seu rival “teve o pior resultado da história do PSD”.

O presidente admitiu ainda que vai ter de se conter nos debates com o adversário. “Quando me picam, eu vou melhor. E eu estou picado”, disse, acrescentando que tudo fez para agregar o partido e acusando de mentir quem diz o contrário.

Questionado sobre como vai resolver as divisões internas, Rio declarou que “seguramente não será em período pré-eleitoral, mas em período pós-eleitoral”. “Vou ter a mesma atitude que tive até aqui porque quando dizem que não quero agregar, sabem que é mentira e eu detesto mentira e hipocrisia”.

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“Eu, a partir da primeira eleição tive um adversário, o doutor Santana Lopes, e a primeira coisa que fiz foi convidá-lo para encabeçar o Conselho Nacional; a segunda coisa foi convidar Paulo Rangel para número dois dessa lista, que não me tinha apoiado nessa altura; a terceira foi convidar para líder parlamentar o doutor Negrão, que tinha sido mandatário de Pedro Santana Lopes e a quarta foi convidar como cabeça de lista ao Parlamento Europeu Paulo Rangel”, recordou.

E, portanto, lembra o social-democrata, “tudo fez” para agregar as pessoas no partido, acrescentando que só se pode agregar quem quer ser agregado.

Para Rio, “o que está verdadeiramente em causa é a escolha do principal governante de Portugal” e “de alguém que os portugueses reconheçam ter o perfil adequado ao exercício do cargo que vai estar em disputa entre o PSD e o PS”.

“Primeiro o país, depois o partido e por fim nós próprios”

Com críticas ao Governo e a António Costa, o social-democrata disse que “Portugal reclama um primeiro-ministro que fale a verdade e que não utilize os instrumentos governativos para fazer campanha partidária”, e que os use sim para “desenvolver o país e melhorar a vida das pessoas”.

“Portugal tem de ter um Governo que não esteja agarrado ao PCP e ao BE e estagnado no tempo da luta de classes”, atirou ainda, acrescentando que também faz falta “um Governo que perceba que as empresas não são as opressoras dos trabalhadores, mas sim as únicas entidades capazes de criar emprego e promover o progresso do país”.

Segundo o ex-autarca da Invicta, o país precisa ainda de “governantes que apoiem as pequenas e médias empresas, em vez das grandes sorvedouras de dinheiros públicos às quais o PS está sempre pronto a nunca faltar com nada”, referindo-se, por exemplo, a entidades como a TAP e o Novo Banco.

Além disso, o líder do PSD considera que o país precisa de um “Governo que tenha uma estratégia da redução da carga fiscal, de racionalização da despesa e da redução da dívida publica, para libertar a sociedade civil e aliviar o espartilho do brutal endividamento em que o país se meteu”.

“Primeiro Portugal, depois o partido e por fim nós próprios. É com esta máxima de Francisco Sá Carneiro em mente, e com desejos de que o PSD saiba reencontrar a unidade interna que tantos têm procurado destruir, que decidi voltar a candidatar-me”, concluiu.

  Filipa Mesquita, ZAP //

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