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Tensão sobre a reunificação do Chipre, depois de uma praia simbólica ser reaberta

Katia Christodoulou / EPA

Na semana passada, as autoridades pró-Turquia no Chipre reabriram parcialmente a praia de Varosha, que estava fechada desde 1974, altura em que os turcos invadiram a ilha num confronto com tropas pró-Grécia que causou a divisão do país. A movimentação é vista como um golpe político.

A “invasão” foi vista como forma de chamar a atenção para as eleições presidenciais do Chipre do Norte, que decorreram no último domingo e que contam com o apoio da Turquia, uma vez que o presidente Recep Tayyip Erdogan, comemorou a reabertura de Varosha. Esta atitude aumentou a tensão com Nicósia.

Varosha era a estância balnear mais cosmopolita do Chipre quando no Verão de 1974 as tropas turcas invadiram o norte da ilha, para proteger a minoria cipriota turca após um golpe de Estado orquestrado por nacionalistas gregos.

Muitos dos seus habitantes, cipriotas gregos, fugiram das casas de férias com a roupa que tinham no corpo. Varosha estava fechada desde então, e tornou-se numa verdadeira cidade fantasma.

A reabertura do local e a respetiva jurisdição e controlo são dos temas mais sensíveis nas recorrentes negociações para a reunificação da ilha. Varosha tem sido utilizada ao longo dos tempos como carta e trunfo pelos cipriotas turcos.

Na opinião de Fahim Teskin, jornalista turco independente “esta decisão abrupta foi uma tentativa clara de Ancara para influenciar as presidenciais na RTCN (República Turca do Chipre do Norte) e alterar os parâmetros na resolução da divisão da ilha”.

Para muitos cipriotas, a cidade-fantasma de Varosha é símbolo do impasse e da frustração dos últimos 46 anos. Múltiplas tentativas de negociação para tentar reunificar a ilha foram em fracasso. A divisão de Chipre está na base das tensões no leste do Mediterrâneo, e Ancara não reconhece a República de Chipre.

Foi neste ambiente tenso que decorreu, domingo passado a primeira volta das presidenciais na RTCN. O atual Presidente Mustafa Akinci (esquerda liberal, favorável a uma solução federalista e à reunificação) acusa a Turquia de querer influenciar o resultado. Akinci revelou ter sido pressionado a não se recandidatar, e até ameaçado de morte.

Segundo o Expresso, estas eleições são importantes porque o Presidente da RTCN tem, formalmente, mandato para negociar com os cipriotas gregos, a Turquia, a Grécia e o Reino Unido, no âmbito das eternas negociações patrocinadas pela ONU.

A ONU já prometeu lançar novo processo negocial após as eleições na RTCN, tendo a última ronda falhado em 2017.

  ZAP //

 

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