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Praia em Chipre reabre após 46 anos. Tornou-se símbolo da divisão do país

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As autoridades pró-Turquia em Chipre reabriram parcialmente, nesta quinta-feira, a praia de Varosha. A praia encontrava-se fechada desde 1974, altura em os turcos invadiram a ilha num confronto com tropas pró-Grécia que causou a divisão do país, localizado no leste do Mediterrâneo.

Centenas de pessoas entraram em Varosha esta quinta-feira – acompanhadas por controlo policial – perto da cidade portuária de Famagusta, informaram os jornalistas da agência France Presse.

Desde os anos 70 que parte da ilha – no Chipre do Norte – é controlada por turco-cipriotas, mas é reconhecida pelo governo da Turquia como país independente. No entanto, a comunidade internacional reconhece apenas a República do Chipre.

Na altura, os habitantes cipriotas gregos de Varosha fugiram após os avanços das tropas turcas em 1974. A zona ficou sob controle militar turco, isolada e abandonada, acabando por ficar devastada com tempo. A praia tornou-se assim um símbolo da divisão do país. O local fica perto da fronteira entre norte e sul, diz o The Guardian.

A “invasão” foi vista como forma de chamar a atenção para as eleições presidenciais do Chipre do Norte, marcadas para este fim de semana e que contam com o apoio da Turquia. O próprio presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, comemorou a reabertura de Varosha.

Na eleição, o primeiro-ministro do Chipre do Norte, Ersin Tatar, — não reconhecido pela comunidade internacional — enfrenta Mustafa Akinci.

Contudo, Nicos Anastasiades, presidente de Chipre reconhecido internacionalmente, classificou a medida como “ilegal”. O presidente condena assim a ação e diz que vai entrar com um recurso junto do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Também a Rússia já se manifestou, e considerou a reabertura da praia “inaceitável”.

António Guterres, o secretário-geral da ONU, e Josep Borrell, diretor de política externa da UE, expressaram preocupação com uma ação que, segundo eles, pode aumentar as tensões na região.

Ainda assim, as autoridades cipriotas turcas insistem que a medida é benéfica para todos e que os direitos dos proprietários de propriedades cipriotas gregas não são afetados, uma vez que apenas a praia foi aberta.

  ZAP //

4 Comments

  1. Praia no Chipre?! “Praia em Chipre” é que é bom português! Se tivermos uma notícia a começar pelo nome deste país não diríamos “O Chipre” assim como não dizemos “O Portugal”, por isso a expressão “Praia no Portugal” estaria incorrecta.

    • Cara leitora,
      Obrigada pelo reparo. Tecnicamente, tem razão.
      Apesar de ser comum ler-se “o Chipre”, trata-se da República de Chipre, logo, “em Chipre”.
      O facto de não dizermos “o Portugal” é irrelevante. Caso contrário teríamos por isso que dizer “em Brasil”, “em Monáco”, “em Sicília”…
      Mas em bom português, falamos da República Federativa dO Brasil, do Principado dO Mónaco, da ilha dA Sicília… e da República de Portugal.

  2. Não concordo! Isto da língua é muito complicado e muitas vezes não tem muita lógica! Repare nós dizemos “o Porto” mas não dizemos “a Lisboa”! Por isso dizemos “no Porto” mas não “na Lisboa” dizemos “em Lisboa”, porque há topónimos precedidos de determinante artigo definido e outros não, sem haver regra. Não dizemos por exemplo “o Marrocos”, “o Moçambique” porque não admitem o determinante artigo definido como é o caso de Chipre e de Portugal! Dizemos “em Marrocos” “em Moçambique” “em Angola” mas dizemos ” no Egipto” “na
    Argélia” , isto sem se perceber muito bem porquê!!!

  3. Se dissesse “o Portugal” teria de dizer República do Portugal! O texto, acredite valorizou-se muito com a correcção. Obrigada pela vossa atenção!

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