Retirada de contentores no Porto de Lisboa acompanhada por agentes da PSP

Steven Governo / Lusa

Agentes da PSP o acesso ao porto de Xabregas durante a vigília dos estivadores em greve

Uma equipa da PSP está desde o início da manhã no Porto de Lisboa, numa medida de prevenção para a retirada de contentores retidos há cerca de um mês, quando começou a greve dos estivadores.

Cerca de quatro dezenas de estivadores estão concentrados hoje de manhã junto à entrada do Porto de Lisboa, em Alcântara, ladeados por dezenas de polícias, constatou a agência Lusa no local.

Fonte da PSP confirmou que, cerca das 08h00, se encontravam no Porto agentes daquela força de autoridade, que se deslocaram ao local “por iniciativa própria”, depois das notícias dos últimos dias sobre a retirada de contentores.

Até às 09h00 da manhã, três camiões entraram no Porto para recolher contentores, tendo o primeiro saído vazio, perante o aplauso dos estivadores, enquanto que um segundo já saiu carregado, tendo o motorista sido insultado pelos estivadores em greve.

Este foi um dos momentos de maior tensão entre os estivadores, que se encontram há mais de um mês em greve.

Segundo a edição de hoje do jornal Negócios, há contentores parados no Porto de Lisboa, com produtos que, não sendo bens alimentares deterioráveis, têm prazo curto de validade.

Hoje, a empresa de trabalho portuário Porlis, que o sindicato acusa de empregar estivadores em situação precária vai tentar movimentar as centenas de contentores que se encontram bloqueados desde 20 de abril, altura em que começou a greve, conta o Negócios.

De acordo com António Mariano, presidente do Sindicato dos Estivadores, “o porto de Lisboa não tem serviços mínimos, o que constitui uma violação do direito à greve”.

O sindicalista denunciou ainda a existência de “fura greves no interior do Porto de Lisboa”, os quais foram acompanhados pelas forças de intervenção da PSP.

“A saída de carros com mercadoria não está a ser efetuada de forma legal”, queixou-se.

Despedimento coletivo

Na segunda-feira, os operadores do Porto de Lisboa anunciaram que vão avançar com um despedimento coletivo por redução da atividade, depois de o Sindicato dos Estivadores ter recusado, na sexta-feira passada, uma nova proposta para um novo contrato coletivo de trabalho.

“Chegamos ao limite. Há mais de um mês que o Porto de Lisboa está completamente parado. Vamos avançar para um despedimento coletivo, porque temos que redimensionar por não termos trabalho”, afirmou Morais Rocha, presidente da Associação de Operadores do Porto de Lisboa.

O Porto de Lisboa está parado há 35 dias e, segundo o sindicalista António Mariano, “os estivadores vão continuar no local a sensibilizar para o que está a acontecer”.

A última fase de sucessivos períodos de greve, que se iniciou há três anos e meio, arrancou a 20 de abril com os estivadores do Porto de Lisboa em greve a todo o trabalho suplementar em qualquer navio ou terminal, isto é, recusam trabalhar além do turno, aos fins-de-semana e dias feriados.

De acordo com o último pré-aviso, a greve vai prolongar-se até 16 de junho.

ZAP / Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Mais uns quantos trabalhadores que vão ser despedidos. Depois empregam outros trabalhadores ainda a serem mais explorados. Assim vai a nossa lei laboral. Despedimentos e mais despedimentos.

    • Mas não estavam a pedi-las? é só exigencias? isto é que é negociação? não sabem quando devem ser razoáveis?
      Se forem trabalhadores eficazes e eficientes (e isto não é exploração) ninguém os despede!!!
      Agora, se forem mandriões e aparecerem outros mandriões a “trabalhar” por menos dinheiro, aí sim, começa a haver exploração, mas a culpa é de quem não é sério no seu trabalho.

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