Tensão com o Irão. Reino Unido envia mais um navio para o Estreito de Ormuz

(h) British Ministry of Defence

O HMS Montrose

O Reino Unido vai aumentar temporariamente a sua presença militar no Golfo, com o envio de um segundo navio de guerra, anunciou hoje o Governo britânico e uma fonte do departamento da defesa, no contexto das tensões com Teerão.

Segundo um porta-voz do Governo britânico, o navio HMS Duncan será enviado para a região do Golfo para transmitir à fragata HMS Montrose, já no local, que continue a garantir “liberdade de navegação” naquela zona.

Esta rotação, que estava programada, foi avançada, indicou uma fonte da Defesa, que não especificou quanto tempo os dois navios permaneceriam na área. Segundo uma outra fonte do Governo, o Executivo também elevou no seu nível máximo, o nível de alerta nas águas territoriais iranianas para os navios britânicos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico pediu calma face às crescentes tensões sobre o transporte marítimo no Golfo Pérsico, anunciando que o Reino Unido não quer um conflito com o Irão. Jeremy Hunt afirmou que “este é um momento para cabeças frias” para garantir que não haja “escalada não intencional”.

Hunt referiu que Londres deu “uma resposta ponderada e cuidadosa” à situação, acrescentando que o Reino Unido está “a ser claro para o Irão” de que não está “à procura de agravar essa situação”.

A tensão na zona do Estreito de Ormuz, por onde é transportado quase um terço do petróleo bruto mundial, atingiu o pico nas últimas semanas, com os Estados Unidos a acusarem o Irão de vários ataques contra petroleiros, e o Irão a abater um aparelho não tripulado (‘drone’) norte-americano.

Na quarta-feira, navios da Guarda Revolucionária do Irão tentaram, sem sucesso, intercetar um petroleiro britânico que navegava no Estreito de Ormuz, segundo as autoridades britânicas.

O navio britânico The British Heritage deixou o Golfo Pérsico e navegou pelo Estreito de Ormuz quando as embarcações iranianas se aproximaram e ordenaram que seguisse em direção a águas daquele país.

A Guarda Revolucionária do Irão negou ter tentado impedir que o petroleiro britânico cruzasse o estreito de Ormuz, revela um comunicado divulgado pela agência de notícias Sepah News.

O Irão exigiu também que a Marinha britânica liberte o petroleiro iraniano que está arrestado em Gibraltar desde a semana passada e acusou Londres de fazer “um jogo perigoso”.

Os comentários do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão acontecem um dia depois de a polícia de Gibraltar, território britânico no sul de Espanha, confirmar a detenção do capitão e de um oficial do petroleiro iraniano ‘Grace 1’, com base em suspeitas de violação das sanções europeias por transportarem petróleo bruto para a Síria.

Teerão admitiu que o navio transportava petróleo iraniano, mas negou que fosse para a Síria.

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Segundo as autoridades de Gibraltar, a interceção do navio aconteceu em águas territoriais britânicas, numa zona reivindicada pela Espanha, que considera Gibraltar parte integrante do seu território.

Espanha disse que a decisão de travar o navio foi realizada a pedido dos EUA, mas Gibraltar negou na quinta-feira essa informação, afirmando que agiu por decisão própria “baseada na violação de leis existentes e não em considerações políticas estrangeiras”.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Mousavi, declarou à agência de notícias estatal IRNA que “os pretextos legais para a apreensão não são válidos… A libertação do petroleiro é do interesse de todos os países”.

O Irão começou recentemente a ultrapassar os limites do enriquecimento de urânio, como resposta à decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de retirar os EUA do acordo nuclear há um ano atrás. O acordo foi estabelecido em 2015 e assinado por várias potências mundiais.

Trump também impôs sanções duras às exportações de petróleo do Irão, agravando a crise económica que fez com que a sua moeda caísse drasticamente.

  ZAP // Lusa

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