Rastreios ao VIH parados e suspensão de consultas preocupa organizações

World Bank Photo Collection / Flickr

Organizações de luta contra a sida alertaram esta quarta-feira que existem outras infeções além da Covid-19, manifestando preocupação com os doentes que viram as suas consultas de infeciologia suspensas e com os rastreios ao VIH que estão praticamente parados.

O Grupo Ativistas em Tratamento (GAT) é uma das organizações que faz mais testes no país, mas neste momento o número de testes realizados “é residual”, disse esta quarta-feira à agência Lusa o diretor-executivo da organização.

Para Ricardo Fernandes, esta situação “é grave”: “Pode haver pessoas com infeções sexualmente transmissíveis, com VIH, que não sabem e que a única maneira que têm é adquirir um autoteste numa farmácia, mas tem que ter posses financeiras para o fazer e nós fazemo-lo gratuitamente”.

A presidente da Liga Portuguesa Contra a Sida (LPCS), Eugénia Saraiva, contou que “há pessoas a comprarem o autoteste na farmácia” e a terem resultados positivos, que ligam a pedir ajuda. “Existe uma linha SNS 24 que dará a resposta para um centro de saúde”, que depois encaminha para um hospital, mas não era isso que as pessoas faziam.

Como razões para os testes estarem parados, Ricardo Fernandes apontou a diminuição da procura, porque as pessoas estão em confinamento, e a falta de material de proteção para os técnicos e para os utentes.

“Neste momento, é muito difícil comprar álcool, gel, viseiras, máscaras, fatos no mercado e isso faz com que tenhamos muitas dificuldades em operar também, o que nos leva a pensar que há muitas pessoas que precisariam de fazer o teste e não o conseguem fazer”, lamentou o responsável.

A falta deste equipamento também foi apontada pela LPCS e pela associação Abraço. “Estamos todos centrados, com medo, e isso é natural da Covid-19, mas não podemos esquecer que existem outras doenças, outras infeções que merecem também a nossa atenção”, alertou Eugénia Saraiva.

O VIH, as infeções sexualmente transmissíveis, as hepatites víricas são uma preocupação para LPCS, a qual refere que “está disponível para rastrear” estas doenças, mas para isso os profissionais têm de estar protegidos com viseiras, máscaras, luvas e fatos.

Ao abrigo do seu plano de contingência, a Liga tinha algumas máscaras, mas neste momento não tem “qualquer poder económico para as adquirir”, disse Eugénia Saraiva.

Marcelo Camargo / ABr

“Somos uma instituição de solidariedade (…) que nunca mais viu entrar qualquer donativo”, mas “vai continuar a distribuir os bens alimentares” a quem precisa com “todas as precauções, embora sem qualquer proteção”, declarou.

Estas dificuldades também foram relatadas pela presidente da Abraço, Cristina Sousa, que disse ser muito difícil adquirir estes equipamentos. A instituição presta apoio domiciliário e tem equipas no terreno, mas a grande dificuldade neste momento é protegê-las porque o material de proteção individual “é insuficiente e está muito caro”.

“Tínhamos um stock de máscaras que nos sobrou da gripe A, já lá vão 10 anos, e é o que nos tem valido, temos pedido apoios às autarquias, a particulares e estamos na expectativa que nos chegue alguma coisa”, adiantou Cristina Sousa.

As organizações alertam para a necessidade de se retomarem as consultas de infeciologia e da PrEP [profilaxia pré-exposição da infeção por VIH]. Com as consultas suspensas desde março, “as pessoas começam a entrar numa espiral de grande ansiedade e cabe-nos a nós fazer baixar essa ansiedade e fazer a gestão do stresse emocional”, disse Eugénia Saraiva.

“Mas estamos muito preocupados e queremos acreditar que em breve as consultas de infeciologia e da PrEP voltem a estar disponíveis”, declarou. Esta preocupação é partilhada por Ricardo Fernandes, para quem, neste momento, o seguimento das pessoas com VIH está comprometido.

Apesar de haver seguimentos por via telefónica, os médicos mandarem realizar análises a alguns doentes e os casos mais complicados ser seguidos por infeciologistas, Ricardo Fernandes considera que vai haver consequências desta situação.

“Provavelmente, vai haver alguns abandonos e falta de adesão à terapêutica e algumas pessoas que vão desaparecer do sistema”, sublinhou.

Eugénia Saraiva salientou que a Covid-19 é “uma infeção democrática, porque atinge qualquer um”, mas atinge sempre “os mais vulneráveis”, como as pessoas que vivem com a infeção por VIH e que perderam o seu emprego.

“Cabe também às organizações dizer a estas pessoas que não estão sozinhas e que estamos a procurar soluções para que voltem a ter as suas consultas, a poder fazer as suas análises e a sua medicação da forma, o mais possível, normal”, rematou.

Lusa //

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