De Beja a Faro, para dizer que quem quis “cortar as pernas” ao seu Governo não tem perdão

Mário Cruz / EPA

O secretário-geral do PS, António Costa

No terceiro dia de campanha, as críticas chegaram para o PSD mas também para os antigos parceiros de geringonça, aqueles que “cortaram as pernas” ao Governo de António Costa.

Deu-se, esta quarta-feira, a estreia de António Costa nas arruadas. Foi dia de visitar Beja, logo após a demissão de 12 chefes de equipa do Hospital.

“Sei que há um diálogo com o Conselho de Administração do Hospital de Beja e certamente vão encontrar uma boa solução para o problema”, disse apenas aos jornalistas. Mas não aconteceu. Apesar de se terem reunido, os profissionais não chegaram a um entendimento pelo que, para já, ainda não há solução.

Ao longo do caminho, e protegido pelo cordão humano, Costa ouviu uma senhora a pedir um hospital no concelho. Segundo o Observador, o ainda primeiro-ministro respondeu com o hospital central que já está a ser construído, mas em Évora.

Horas depois, já em terras algarvias, ouviu um independente pedir o Hospital Central do Algarve, que nem sequer consta do Orçamento do Estado – aquele documento que abana para dizer que, se conseguir a maioria absoluta e a tão falada “estabilidade”, será aprovado de imediato.

Da saúde para os ataques, o secretário-geral socialista virou-se quer para a direita, quer para a esquerda e não foi parco nas palavras.

É imperdoável como, num momento onde o mais importante era todos arregaçarem as mangas para recuperarmos o que perdemos na crise, o que fizeram foi derrubar o Governo e o Orçamento do Estado”, sublinhou António Costa, mirando ao Bloco de Esquerda e ao PCP.

“Não me venham com a desculpa de que afinal queriam negociar, porque estivemos seis meses a negociar”, continuou. “Não deram sequer oportunidade de prolongar as negociações e tentar melhorá-lo na especialidade, reservando o voto para a votação final. Não, quiseram logo cortar-nos as pernas ao início e chumbaram o Orçamento logo na generalidade.”

Segundo o líder socialista, esses partidos atuaram “muito mal, porque o Orçamento “não era o Orçamento do António Costa, não era o Orçamento do Governo, mas o Orçamento para as portuguesas e para os portugueses”.

“Este Orçamento, se estivesse em vigor, teria permitido a todos os pensionistas, com pensões até 1097 euros, que já tivessem recebido este mês o aumento extraordinário. Um aumento extraordinário de pensões que não vão recebê-lo porque esses partidos chumbaram no parlamento o Orçamento”, argumentou.

Costa, entre outras situações, falou que o documento já teria permitido reduzir os impostos da classe média, das famílias com filhos e dos jovens em início de atividade.

“Agora estão todos nesta campanha eleitoral a dizer que é preciso menos impostos. Pois perderam uma excelente oportunidade de termos menos impostos ao não terem aprovado o Orçamento para 2022”, acrescentou.

Depois, voltou-se para o PSD com o objetivo único de desacreditar as propostas do adversário.

Em matéria de fiscalidade, por exemplo, “o PSD quer baixar o IRC de igual para todos”. Ora, “nós baixámos nas empresas que fazem o que é preciso para que o país se desenvolva”, como as que “reinvestem em capitais próprios”, as que criam postos de trabalho” ou as que investem na inovação ou “parcerias com universidades”.

Na Saúde, há “outra diferença muito importante”. “O PSD pode fazer os jogos de palavras que quiser, mas mudar a expressão de que o SNS é ‘tendencialmente gratuito’ e substituir o ‘tendencialmente gratuito’ por ‘que ninguém seja excluído por carência enconómia’…”.

“Quem quer mudar a Constituição para ficar tudo na mesma? O dr. Rui Rio diz que deve ser tendencialmente gratuito, mas há os que podem e os que não podem. O que eles querem é que a classe média passe a pagar os cuidados no SNS“, atirou Costa, citado pelo Expresso.

Por último, o apelo à estabilidade – o mesmo que dizer maioria absoluta. “Vamos ter estabilidade para o país ter políticas estáveis, ou vamos andar de crise em crise, com governos provisórios de dois anos.”

  Liliana Malainho, ZAP // Lusa

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