Ministro do Ambiente diz que queixa sobre hidrogénio é “caluniosa e infundada”

Manuel Araújo / Lusa

O ministro do Ambiente disse, esta sexta-feira, em Góis, que a denúncia relacionada com o projeto do hidrogénio verde em Sines “é caluniosa e completamente infundada”.

“Espero bem que quem fez essa denúncia não seja de facto um anónimo“, afirmou o ministro do Ambiente e da Ação Climática aos jornalistas, defendendo que o autor da queixa “merece que seja instaurado contra ele um processo crime”.

“A estratégia do hidrogénio é uma coisa clara, transparente e conhecida”, declarou João Pedro Matos Fernandes.

“Não há aqui nenhuma aprovação de projeto, não há aqui nenhum contrato, nem nenhum financiamento”, sublinhou o governante, para assegurar que “todas as palavras que se associam a este processo não têm pés nem cabeça“.

Das 70 candidaturas ao projeto, “foram selecionadas 37”, incluindo a que foi apresentada pelo referido consórcio.

“Qual favorecimento?”, perguntou Matos Fernandes, para realçar que não existe qualquer “contrato estabelecido”, além de enaltecer que “as três maiores empresas de energia [portuguesas] se associaram para apresentar um projeto” destinado a “produzir hidrogénio verde a partir da água do mar”.

“Nós estamos mesmo muito satisfeitos” com o facto de aquele consórcio “ter aparecido”, acrescentou o ministro com a pasta do Ambiente.

O ministro salientou que, “no próximo ano, a central de Sines vai encerrar” e que será “fundamental encontrar emprego para as pessoas que ali trabalham”, além de que o futuro empreendimento permitirá “poupar 600 milhões de euros por ano em importação” de energia.

“Há muitas pessoas incomodadas que Portugal deixe de ser um importador de energia e passe a ser um exportador de energia. Estou até muito satisfeito e acho que é fundamental para o país que assim seja”, acentuou.

Segundo a última edição da revista Sábado, o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, e o secretário de Estado da Energia, João Galamba, estão a ser investigados num processo que averigua “indícios de tráfico de influências e de corrupção, entre outros crimes económico-financeiros”, alegadamente cometidos no âmbito do projeto do hidrogénio verde.

No mesmo dia, o ministro da Economia reagiu a esta notícia, dizendo que os factos da investigação “não têm qualquer fundamento” e acrescentando ir avançar com uma queixa-crime por “denúncia caluniosa”.

Galamba pretende apresentar queixa-crime

Também o secretário de Estado da Energia, João Galamba, através de um comunicado do Ministério do Ambiente, avançou a intenção de apresentar queixa-crime por eventual denúncia caluniosa, na sequência daquela investigação e de “transmitir à Procuradoria-Geral da República (PGR) a sua total disponibilidade para prestar os esclarecimentos necessários”.

A nota do Ministério do Ambiente e da Ação Climática acrescenta que a Estratégia para o Hidrogénio “é pública e, no seu âmbito, foi aberta uma Manifestação de Interesse, em 18 de junho” deste ano.

“Através desse mecanismo de consulta ao mercado foram apresentados 74 projetos que, após avaliação do Comité de Admissão de Projetos (que conta com o apoio técnico da Direção-Geral de Energia e Geologia e do Laboratório Nacional de Energia e Geologia), foi reduzida a uma shortlist de 37“.

Relativamente ao consórcio constituído pela EDP, REN e Galp, Bestas e Martifer, “apresentou projeto no âmbito deste instrumento de consulta de mercado” e que passou “à segunda fase”.

Contudo, a tutela adverte que “nenhum dos projetos apresentados” foi, entretanto, “aprovado ou financiado”.

“Não havendo nenhuma aprovação, nenhum contrato, nenhum financiamento e, consequentemente, nenhum pagamento, é inexplicável o teor da denúncia hoje noticiada pela revista Sábado”, finaliza o comunicado.

A PGR apenas confirmou a existência de um inquérito a correr termos no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), ainda sem arguidos constituídos.

ZAP // Lusa

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6 COMENTÁRIOS

  1. Como cientista, gostava de em primeiro lugar saber se já fizeram testes à rede de distribuição de gás para saber se está preparada para transportar H2 sem fugas.
    A molécula de hidrogénio é 75÷ do tamanho da molécula de metano. É que se a generalidade da rede de distribuiçao não estiver preparada para transportar este gás, não estou a ver que no futuro alguém com a cabeça no sítio faça melhoramentos, pois isso implicaria custos incomportáveis e obras intermináveis nas estradas/prédios..
    Era bom termos “Elon Musks” no governo, ou pelo menos académicos/cientistas com formação na área da energia. Termos pessoas formadas em direito, economia, relações internacionais a decidirem que investir no hidrogénio é bom dá que pensar…

  2. Aposta do HIDROGENIO ‘e correcta e vamos a todo o vapor…. os desafios sao muitos… mas ambicao tambem…vamos ver se entidades, empresas estao a altura do fesafio.
    Minha opiniao deveriam chamar universidades, empresas, etc para criarem os sistemas mais correctos e mais seguros…. quanto ao resto, dificuldades aguca o engenho.
    Concordando ou nao com Planos do governo, vamos para frente com isso…

  3. Aprove-se a p…ta da lei dos corruptos em Portugal se verem privados de utilizarem dos seus bens e caso se prove corrupção ativa ou passiva, ficarem sem nada. O povo é que não pode,continuar a olhar sempre com a mesma desconfiança os políticos, ainda por cima gente nova que pode ser útil e ter um futuro promissor.

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