A queda da seleção da Islândia: De Valhalla à crise de resultados e escândalos sexuais

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Oliver Weiken / EPA

A seleção islandesa passou do seu auge a um dos momentos mais conturbados da sua história, atravessando uma crise de resultados e escândalos sexuais.

Reza a mitologia nórdica que os guerreiros mais nobres e destemidos mortos em batalha são levados pelas valquírias após a morte para viverem com Odin, em Valhalla. Num inocente ato de imaginação, poderá dizer-se que os futebolistas da seleção islandesa conquistaram este estatuto nos últimos anos.

Afinal de contas, todo o mundo do futebol apaixonou-se pela história destes Vikings. A garra e a paixão pela nação que trazem às costas superou quaisquer dotes técnicos e os adeptos das mais diferentes origens renderam-se ao seu encanto.

No Euro 2016, Portugal não foi além do empate contra os islandeses, que viriam a vencer a Inglaterra, por 2-1, nos oitavos de final. Só caíram nos quartos de final aos pés da França, num jogo aceso que terminou com 5-2 no placard.

Nunca a seleção islandesa tinha estado presente numa fase final de uma prova continental ou mundial. Dois anos depois, no Mundial na Rússia, a Islândia voltou a marcar presença, mas desta vez não foi além da fase de grupos.

Quase quatro anos depois, a seleção nórdica está praticamente irreconhecível. No ano passado, a Islândia disputou 14 partidas, ganhando apenas três: um às Ilhas Faroé e outros dois ao Liechtenstein. Já este ano, foi goleada pela Coreia do Sul e empatou com o Uganda e com a Finlândia.

A Islândia defrontou a Espanha num jogo particular, esta terça-feira, saindo derrotada por 5-0. Na convocatória, apenas se reconhecem dois nomes dos seus tempos áureos: Bjarnasson e Bodvarsson.

No entanto, a crise da seleção islandesa não é apenas de resultados. Fora dos relvados, três dos seus principais futebolistas viram-se envolvidos em alegados crimes de agressão sexual.

Em julho do ano passado, um jogador que atua num clube da Premier League foi detido por ser suspeito de abuso sexual de menores. Em causa está o médio Gylfi Sigurðsson.

A Tribuna Expresso recorda ainda que, em maio do ano passado, uma mulher publicou uma mensagem no Instagram, recordando uma violação sofrida onze anos antes, por dois homens, “um deles conhecido em todo o país”. Um jornal islandês dizia que o caso envolvia um futebolista da seleção.

Pouco depois, a televisão nacional emitiu uma entrevista com outra mulher, que admitiu ter sido assediada e agredida por outro internacional islandês.

Mais tarde, descobriu-se os envolvidos. A acusação de violação recai sobre Aron Gunnarsson, capitão da seleção islandesa; e a acusação de assédio envolve Kolbeinn Sigthorsson, que terá chegado a acordo para silenciar a vítima.

Gunnarsson insiste na sua inocência, enquanto Sigthorsson reconheceu ter agido de forma incorreta, embora rejeite as acusações de violência física e sexual.

  Daniel Costa, ZAP //

2 Comments

  1. Já deviam ser assim no tempo dos vikings…….e continuam a ser vikings na actualidade. Os vikings eram conhecidos por serem guerreiros muito violentos e sabe-se lá que mais.

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