Em Portugal, quase metade das IPSS dão prejuízo

José Coelho / Lusa

Mais de 40% das IPSS deram prejuízo em 2016. O Estado comparticipa menos de metade dos gastos das instituições de solidariedade e 22% das necessidades financeiras não têm cobertura.

Quase metade das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) deram prejuízo em 2016. Esta é a conclusão do estudo “Importância económica e social das IPSS em Portugal”, encomendado pela Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) à Universidade Católica e consultado pelo Jornal de Notícias.

Segundo o estudo, 10% das 5647 instituições existentes deparam-se com problemas de asfixia financeira e 18,76% apresentam este resultado negativo antes de amortizações e impostos.

Ao JN, Américo Mendes, autor do estudo, revela que esta é “uma percentagem significativa de IPSS no vermelho“. “Ouvimos sempre dizer que há muitas dificuldades. Agora, temos um dado mais objetivo.”

O responsável pela análise acrescenta ainda que esta investigação “desmonta a ideia de que é o Estado que paga as instituições”, já que a comparticipação estatal não chega a metade (46,12%) – a Segurança Social assegura 38,76% dos gastos, mais 31,7% dos utentes.

Com todas as parcelas somadas, chega-se à conclusão de que 22% das necessidades financeiras das IPSS portuguesas não têm cobertura.

Também em declarações ao matutino, Lino Maria, presidente da CNIS, afirma que “o Estado não comparticipa como era necessário e expectável à luz do acordo de cooperação”.

Além disso, acrescenta ainda que os donativos da sociedade civil às instituições não chegam a 1% porque “está instalada a ideia na comunidade de que é o Estado que financia e suporta, o que tem levado a algum afastamento“.

O estudo sublinha ainda que o peso dos gastos com pessoal nos orçamentos das instituições representa 58,41% dos custos das IPSS – o Estado comparticipa por utente, ainda que no passado já tenha ajudado nas despesas com os trabalhadores.

“Ao não cumprir as suas obrigações, o Estado está a falhar e a pôr em perigo um estrato populacional muito significativo”, afirma Lino Maia, que lamenta o “desrespeito muito grande por parte de quem fiscaliza”.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. O Estado está a falhar é certo mas também uma boa parte das IPSS não cobra NADA aos seus “clientes” é TUDO de BORLA, quer sejam necessitados quer não o sejam. Ora todas as partes deviam de comparticipar…

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