Quase 8 mil caloiros abandonaram a universidade no segundo ano

Bobo Boom / Flickr

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Quase oito mil alunos que se inscreveram pela primeira vez numa licenciatura abandonaram os estudos no ano seguinte, segundo dados do Ministério da Educação, que destacam pela negativa os cursos de Ciências Sociais, Comércio e Direito.

Mais de um em cada dez caloiros que entraram no Ensino Superior público em 2011 abandonou a universidade ou o politécnico no ano seguinte, segundo dados da Direção-Geral de Estatística da Educação e Ciência (DGEEC).

Nos politécnicos a percentagem de abandono da licenciatura em que se tinham inscrito foi de 12,6% enquanto nas universidades foi de 11,8%.

No total, “não foram encontrados no Ensino Superior” público quase seis mil alunos: 2.926 nas universidades e 3.100 nos politécnicos.

no ensino privado a percentagem de abandono foi muito maior – 17,2% nas universidades e 14,4% nos politécnicos – mas como entraram apenas cerca de 13 mil novos alunos, o número real de abandono foi pouco mais de dois mil estudantes.

Entre instituições privadas e públicas, a DGEEC perdeu o rasto a cerca de oito mil alunos no ano letivo de 2012/2013.

Foi nos cursos de Ciências Sociais, Comércio e Direito que se registou um número maior de casos de abandono (menos 2.460 alunos), seguindo-se as áreas de Artes e Humanidades (972 alunos) e as Engenharias, Indústrias Transformadoras e Construção (957 alunos), segundo os quadros da DGEEC.

Em termos percentuais é nos cursos da área da agricultura que se regista maior abandono, com 15% dos estudantes a desaparecerem do sistema de ensino. Seguindo-se novamente as áreas da Ciências Sociais, Comércio e Direito; Artes e Humanidades e a área da Educação.

Entre as várias universidades públicas do país, a Universidade Aberta destaca-se pela negativa: na única instituição de Ensino Superior público de ensino à distância mais de 41,4% dos alunos desapareceram do sistema depois de se terem inscrito numa licenciatura. Ou seja, dos 2001 caloiros, 828 não se matricularam no Ensino Superior no ano seguinte.

Já as instituições com as mais baixas percentagens de abandono são as Universidades de Aveiro (6%, que corresponde a 61 alunos), Coimbra (6,1%, ou seja 167 alunos) Beira Interior (6,6%) e a Universidade do Porto, com 7,5% (194 alunos).

Na capital, 814 alunos que entraram num curso de licenciatura das Universidades de Lisboa e Nova abandonaram o ensino no ano seguinte (cerca de 10%).

Já entre os institutos politécnicos, o de Tomar destaca-se pela negativa – um em cada quatro caloiros (25,2%) abandonou os estudos no ano letivo seguinte – seguindo-se o Instituto Politécnico de Setúbal, onde quase um em cada cinco alunos (19,7%) deixou de estudar.

Em termos absolutos, o Instituto Politécnico do Porto foi o que viu mais alunos abandonar o ensino: 578 estudantes (11,5%). No politécnico de Leiria abandonaram o ensino 313 estudantes (12,9%) e no de Coimbra 262 (11%).

Nos mestrados integrados, a percentagem de abandono é muito inferior: 3,6% no ensino público universitário e 7,9% no privado.

No entanto, nos mestrados de 2º ciclo, mais de um em cada cinco alunos de uma instituição pública abandonou os estudos no ano seguinte: 22,6% nas universidades e 22,3% nos politécnicos.

Nos doutoramentos a situação agravou-se, com 32,3% dos estudantes de ensino privado a abandonar no ano seguinte assim como 20,5% dos alunos do ensino público.

/Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. Há cursos que desiludem os alunos logo no início. Há alunos que têm de sair de casa para estudar mas que não têm fibra moral para viver sem o controlo dos pais. Há alunos que percebem a meio do curso que não é aquilo que querem ou que não vale a pena investir mais para não ter trabalho na área do curso.

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