Quarentena de 21 dias, testes e fecho de casinos levam Macau a erradicar covid-19

Macau, um dos primeiros territórios a identificar o novo coronavírus, é agora um dos locais livres de covid-19, estando há cerca de 380 dias sem qualquer registo de infeção local, segundo os dados oficiais. O país registou, até agora, 49 casos, dos quais 47 são importados.

“Todas as pessoas, à entrada, são colocadas em quarentena, desde que venham de países em que exista um risco elevado ou moderado de infeção. São colocadas em quarentena durante 21 dias”, “realizados testes de ácido nucleico” e “feitos, pelo menos, dois testes serológicos”, disse à Rádio Renascença o porta-voz dos serviços de saúde, Vítor Moutinho.

O primeiro caso de infeção foi anunciado no país a 22 de janeiro de 2020. “Desde essa altura que é verificada a temperatura, é feito um inquérito epidemiológico e cumpre-se um período de quarentena”, criando-se “uma bolha dentro do território de Macau, em que só entra no dia a dia da comunidade quem garantidamente não é portador vírus”, contou.

O porta-voz disse que a vantagem está no controlo das novas variantes. “Macau e algumas regiões asiáticas têm tido ou tiveram casos, no início do ano, das chamadas variantes inglesa ou brasileira, que dão negativo nos testes de ácido nucleico – naqueles testes em que as pessoas colocam os cotonetes no nariz ou na garganta – até ao 17.º ou 18.º dia”.

“Têm aparecido casos em que esse teste é positivo ao 19.º dia ou ao 20.º e até em dias subsequentes. Daí que as autoridades tenham definido que a quarentena é de 21 dias, mais sete dias de vigilância”, indicou, referindo que a medida “começou em janeiro”, quando “surgiram as novas variantes”, não havendo “casos ocultos dentro da comunidade”.

Outras das medidas implementadas após a deteção do primeiro caso foi a venda racionada de máscaras, obrigatórias nos transportes públicos. Em fevereiro, o Governo encerrou os casinos, a principal fonte de receita no território.

“Os casinos sofreram um abalo que, ainda hoje, apesar de estarem a recuperar ligeiramente, ainda se sente na cidade. Os turistas são poucos, a economia é de média escala. Houve um abalo. O desemprego aumentou. Antes da pandemia era difícil encontrar espaços para abrir alguma loja, hoje em dia o que mais há é lojas para alugar”, sublinhou.

Sobre a vacinação, há disponibilidade para toda a população. “A primeira fase foi para grupos prioritários, como pessoal médico, profissionais dos laboratórios, trabalhadores dos postos fronteiriços, trabalhadores da administração pública que tinham de efetuar atendimento na linha geral, bombeiros, polícia, e pessoal alfandegário”, contou.

“Numa segunda fase, abrimos aos indivíduos com elevado risco de exposição ocupacional, estamos a falar de trabalhadores na cadeia de frio e produtos alimentares frescos importados, porque há registo, aqui na Ásia, de produtos importados quer da Europa, quer dos EUA, quer do Brasil, que vinham contaminados com o vírus. Depois foram trabalhadores do transporte aéreo, da indústria do turismo e da indústria do jogo”, indicou.

A terceira fase inclui pessoas com necessidades urgentes de se deslocarem a países estrangeiros ou regiões endémicas.

  Taísa Pagno //

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