Protecção Civil “mandou calar” os bombeiros (mas não é “lei da rolha”)

Autoridade Nacional Protecção Civil / Facebook

Presidente da Protecção Civil, o coronel Joaquim Leitão, ao centro, com a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, ao lado.

A Protecção Civil rejeita a ideia de que tenha sido imposta a “lei da rolha” aos bombeiros, depois de ter anunciado que estes não têm autorização para prestar informações aos jornalistas sobre os incêndios.

A medida, anunciada esta quarta-feira, suscitou várias críticas de que o Governo está a impor a “lei da rolha” aos bombeiros. Passos Coelho, líder do PSD, foi uma das vozes que o afirmou.

Mas a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) rejeita a alegação e justifica a decisão com a necessidade de “focar” os comandantes das operações “no essencial, que é dar resposta às emergências“.

A ANPC vai, a partir de agora, fazer dois “briefings” diários sobre os incêndios no país, às 09h00 e às 19h00, incluindo aos fins-de-semana, na sua sede em Carnaxide, Lisboa.

“Às terças-feiras, pelas 12h00, a seguir ao briefing do Centro de Coordenação Operacional Nacional (CCON), o Comandante Operacional Nacional, Rui Esteves, fará um ponto de situação mais alargado relativo à situação do país, aos dados relativos à semana anterior e às expectativas para a semana seguinte”, anunciou ainda a ANPC.

De acordo com o mesmo texto divulgado pela agência Lusa, fora destes horários, os jornalistas podem acompanhar a informação sobre “os incêndios rurais em www.prociv.pt, através de contacto com o Oficial de Operações e Emergências (OFOPE) do Comando Nacional de Operações de Socorro ou com a assessoria de imprensa da ANPC”.

“Procedimento de excepção para situação de excepção”

Deste modo, fica claro que os comandantes das operações não vão fornecer informações aos jornalistas, mas a ANPC rejeita a ideia da “lei da rolha”.

“Rejeitamos liminarmente qualquer associação deste processo a uma qualquer lei da rolha”, aponta a adjunta nacional de Operações Patrícia Gaspar, explicando que o que está em curso “é um procedimento de excepção para uma situação de excepção”.

“Estão a ocorrer simultaneamente ocorrências elevadas que implicam recursos elevadíssimos e por isso é fundamental que os comandos se possam focar no essencial: que é dar resposta às emergências”, salienta ainda.

Não foi emitida qualquer proibição. Estamos apenas a concentrar tudo em Carnaxide para facilitar e garantir a conduta operacional dos comandos”, acrescenta a responsável.

Passos acusa Governo de só se preocupar com comunicação

Para Passos Coelho é evidente que está aqui em causa uma imposição da “lei da rolha” à Protecção Civil, por parte do Governo, e um sinal de que o Executivo tem como “política primeira a comunicação”.

“Não vá a comunicação falhar, tivemos hoje notícia, provavelmente a última, de que a lei da rolha se deverá observar em matéria de serviços de Protecção Civil”, criticou o líder do PSD durante o discurso no jantar do grupo parlamentar do partido.

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses também já veio acusar a ANPC de aplicar a “lei da rolha”.

ZAP // Lusa

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11 COMENTÁRIOS

  1. Viva o amigo Chavez! Viva o Maduro! Portugal e a Venezuela – dois países irmãos onde agora vigora o mesmo direito de expressão – não é por acaso que o Poucochinho Bosta era o número 2 do grande lider Pinócrates! ALguma coisa havia de aprender e de se entranhar, ou o que é que pensam?

    A verdade é algo que o PS abomina – bom bom é controlar um povinho ignorante que ainda não percebeu quem é que Lhe vai á dispensa roubar o pão enquanto Lhe promete padarias sem fim – bom bom é esconder que os tachos da protecção civil foram tirados a quem toda uma vida combateu incêndios e foi entregue a quem ? Aos boys do PS, claro. Vamos continuar a fingir! De fingimento em fingimento até á volta da Troika – que quando ela vier atiramos a culpa para os outros e fazemos cara de amuados!

    Continuem portugueses a escolher assim tão bem os Vossos líderes – só assim continuaremos a navegar em mares nunca antes navegados (que os outros não são estúpidos o suficiente para meter os seus barcos em poças de esgoto com agitações de tufão ….)

    • Não é mandar calar É dar informações correctas. Os Bombeiros é suposto andarem a apagar os incêndios, não a falarem constantemente para as televisões e cada um a dizer a sua coisa.

      Não deve saber do que está a falar. Comparar Portugal com a Venezuela é mesmo de quem não sabe fazer uma análise isenta. Desde que seja para dizer mal do Governo e bater palmas ao “Diabo” tudo serve

      • Oh Mi!!!!
        Quanto recebe por proteger quem lhe anda a desgovernar o seu dinheiro?
        Ou será que não paga impostos????
        Então quem é que sabe de incêndios ??? Sao uns tipo em Lisboa ou quem anda no terreno ?
        Meu Deus aí que isto chegou?????

  2. agora ninguem fala?!?!?!
    realmente estamos no caminho da liberdade. Agora trabalha tudo e ninguém se pode expressar. a questão de prestar informações correctas é dúbia pois as criticas que surgem tem a ver com questões operacionais e muitos são recados subtis para que a censura não imponha processos disciplinares ou judiciais. Deem o comando aos comandantes das corporações. criem comandos regionais. como é que um bombeiro de barcarena conhece a topografia de Mangualde.
    é uma vida de aparências.

  3. “Proteção Civil mandou calar os bombeiros”. MAI tutela Proteção Civil. António Costa tutela MAI. Logo António Costa mandou calar…
    Pensam que, se as notícias, com as suas contradições, não nos chegarem não nos aperceberemos da falta de organização, preparação e colaboração que existe entre os diferentes organismos.

  4. Deveria ser engraçado comparar o orçamento anual da ANPC e a dos Bombeiros a nivel nacional, e a ANPC não combate fogos, acho que o resultado seria surpreendente, penha tenho eu de viver num pais maravilhoso mas tão mal gerido.

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