Proteção Civil não cumpriu em Monchique regras de comando definidas após Pedrógão

Miguel A. Lopes / Lusa

Após a tragédia que assolou Pedrógão Grande no ano passado, a Proteção Civil definiu novas regras para a organização de operações de socorro no terreno. No entanto, estas novas direções de comando não foram seguidas no primeiro grande incêndio do ano, que lavra há sete dias em Monchique. 

De acordo com o Público, que avança com a notícia nesta quinta-feira, desde abril de 2018 que ficou estipulado que deve ser o comando nacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) a assumir a liderança do combate a incêndios de grandes proporções – em que estejam mobilizados mais de 648 bombeiros – ou um comandante de agrupamento, não os comandantes distritais.

O comandante distrital da PC de Faro, Vítor Vaz Pinto, foi afastado na segunda-feira da liderança estratégica do combate às chamas. No entanto, e de acordo com as novas regras, não devia ter estado no comando das operações desde sábado – dia que foi atingido o contingente de 648 bombeiros.

Só na terça-feira, no quinto dia de operações, é que o comando nacional assumiu a liderança do teatro de operações em Monchique. O incêndio continua ativo e, de acordo com o Sistema Europeu de Informação e Fogos Florestais, já destruiu cerca de 22 700 hectares.

O diário recorda ainda que as novas regras da Proteção Civil decorrem de um despacho assinado pelo próprio presidente da ANPC, o tenente-general Mourato Nunes, no final de março, sendo depois publicadas em Diário da República no início de abril.

Sistema permite “flexibilidade”

Em resposta à notícia avançada pelo matutino, a segunda comandante nacional, Patrícia Gaspar, disse que as regras não foram violadas, uma vez que o Sistema de Gestão de Operações definido após Pedrógão permite “flexibilidade” na gestão.

Segundo a Proteção Civil, os números estipulados que obrigam à alteração na mudança do comando são valores de “referência”. No entanto, aponta o jornal, a legislação não aponta em lado nenhum os números de “referência” nem a “flexibilidade” das regras.

“Independentemente do número fixo para a passagem para outro nível, que funciona como referência, no limite, a avaliação final é sempre feita pelo comandante nacional. A opção tomada teve não só a ver com o número de operacionais, mas a dimensão da operação no terreno”, explicou Patrícia Gaspar.

No mais recente balanço, a Proteção Civil disse que a situação do incêndio de Monchique e Silves está, nesta manhã de quinta-feira, mais calma e sem fronte ativas, mas com alguns “pontos quentes”, alertando para a possibilidade de reativações durante a tarde.

Patrícia Gaspar disse que o vento deverá soprar moderado durante a tarde, mas com possibilidade de rajadas. O número de feridos subiu para 36, um dos quais grave, sendo que 19 são bombeiros.

Costa condena apelos “irresponsáveis”

O primeiro-ministro qualificou como “absolutamente irresponsável qualquer tipo de apelo” para que as populações não sigam as indicações das autoridades nas evacuações preventivas durante os incêndios porque “o bem mais precioso que existe é a vida”.

António Costa falou ontem pela primeira vez publicamente desde o início do incêndio de Monchique, e, num balanço sobre a vaga de calor dos últimos dias na ANPC, em Carnaxide, agradeceu aos portugueses “pelo enorme trabalho” de prevenção que este ano foi feito.

“Gostaria de insistir muito que é essencial para a perseveração da vida humana, para diminuirmos o risco de acidentes pessoais, que todos sigam as instruções das autoridades. As autoridades quando apelam à evacuação não estão a violar a Constituição, nem a lei, estão a assegurar o bem mais precioso que existe que é a vida”, defendeu.

Por isso, sublinhou, “é absolutamente irresponsável qualquer tipo de apelo para que as populações não sigam estas indicações”.

Para o primeiro-ministro, o facto de este ano ter havido menos ocorrências, menos incêndios, apesar de um estado climatérico mais adverso, deve-se em primeiro lugar “a esses grandes esforços” de prevenção. Os dados, referiu, “são muito claros” e mostram “a capacidade que o país tem hoje de prever as situações de risco” e a resposta dada pelo conjunto de instituições.

Uma dezena de localidades evacuadas em Silves

Durante a noite de ontem, mais de 100 pessoas foram retiradas mais de uma dezena de localidades em Silves, tendo ficado a pernoitar num pavilhão da Escola EB 2,3 João de Deus, segundo fonte da autarquia.

De acordo com a presidente da Câmara Municipal de Silves, Rosa Palma, desde as 20:00 de quarta-feira até ao momento “houve uma grande alteração” da situação no concelho.

“As coisas estiveram muito descontroladas e com projeções muito fortes e rápidas, devido ao vento e à morfologia do próprio terreno, mas agora, atendendo ao que se viveu há horas, as coisas estão bem mais tranquilas”, afirmou Rosa Palma.

Quanto às pessoas deslocadas para o pavilhão da escola em Silves, a autarca esclareceu que são moradores, ou turistas de alojamentos locais, de localidades situadas ao longo da Estrada Nacional 124 (EN124), no concelho de Silves.

Segundo Rosa Palma, até ao momento não existe “conhecimento oficial” de que alguma habitação no concelho tivesse ardido.

Praias cobertas por nuvem de fumo

Os efeitos do incêndio que lavra há sete dias em Monchique, com frentes já em Silves e Portimão, já chegaram até à zona das praias. Atualmente, o cenário das praias do Algarve é pintado de cor-de-laranja, com uma enorme nuvem de fumo a cobrir a costa.

Este é um Algarve diferente do habitual e os residentes e turistas mostram isso mesmo através das suas redes sociais. “O fogo não pode ser ignorado por nenhum turista”, pode ler-se nas redes sociais.

ZAP ZAP // Lusa

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12 COMENTÁRIOS

  1. Quem diz que não cumpriu?!
    O comando nacional assumiu a liderança e delegou-a novamente no comando distrital!!
    O que é perfeitamente natural, porque quem está em Oeiras não conhece o terreno tão bem como que está no Algarve…

  2. Já aqui escrevi sobre a “Proteção Civil”, relativamente para que (não) serve, etc. É altura de alguém tomar medidas e acabar com estes tachos ocupados porvaidosos incompetentes. Antigamente, havia Bombeiros com os respetivos comandos, e isto funcionava. Agora criaram um processo de complicar a ação de quem sempre esteve ao lado das pessoas, naquilo que realmente era proteção civil.

    • Mas quais bombeiros?!
      É que maioria deles são de associações privadas e nem sequer respondem directamente ao Estado – como é que um serviço publico poderia ser comandado por associações privadas?!
      Havia de ser bonito…
      Atenção que parasitas incendiários com o Marta Soares NÃO representam os bombeiros – representam (e são eleitos) apenas pelos presidentes das associações de bombeiros (normalmente políticos, como ele)!!!
      Portanto, atenção que esse palerma quer é tacho (como sempre teve!!) e envergonha os bombeiros todas as vezes que vem disparatar para os media!!
      Um excelente artigo de opinião sobre quem é esse lobista parasita que está sempre a atacar a ANPC, apenas para defender o seu tacho!:
      https://www.publico.pt/2017/10/31/politica/opiniao/estou-farto-de-corporacoes-1790780

    • Concordo com o Sousa, a “protecção civil” (seja lá o que isso for) só serve para atrapalhar e promover o “desfile das vaidades”. Os bombeiros voluntários eram compostos por pessoas que se dedicavam voluntariamente à protecção do património nacional no que se refere a catástrofes naturais, como é o caso de incêndios, inundações, etc.. Hoje os bombeiros são os “paus-mandados” dos “peritos” da ANPC que já demonstraram não fazerem nada com competência. A GNR também mudou a sua forma de agir, tornou-se ditatorial e, caso não sejam acatadas as suas “ordens”, passam à detenção por “desobediência à autoridade”, não atendendo à argumentação e vontade dos cidadãos nem se responsabilizando pelos danos causados com as suas acções. As casas daqueles que desobedeceram não arderam, os “desobedientes” salvaram os seus bens, provando que as ordens da GNR nem sempre protegiam o povo, nem a ANPC pois desviou os bombeiros dos locais onde eles realmente faziam falta. Considero que, com tantos meios disponíveis, meios aéreos e terrestres, incluindo máquinas de “rastos”, poderiam ter travado o desenvolvimento do fogo se estes fossem aplicados correctamente.
      Já sei que alguém intitulado “Eu!” (e outros que tais) me vai passar um atestado de estupidez não respeitando a minha opinião, são as gentes que temos, detentores da verdade absoluta, e é por esse motivo que evito fazer comentários, mas desta vez não resisti…

      • Só palermices!!
        Tens que ver menos CMTV’s e deixar de ouvir palermas/parasitas como o Marta Soares ou outros “treinadores de bancada” e ir para o terreno, para depois comentares com algum conhecimento!!
        Só mesmo na cabeça de alguém que anda mesmo a leste, é que acha que é possível existir algum país com o mínimo de organização sem uma autoridade de protecção civil.
        O que poderá estar mal, não é protecção civil, são sim os tachos políticos que alguns ocupam na protecção civil – mas isso são coisas diferentes e convém não misturar!
        Então as casas de quem desobedeceu à GNR não arderam (e as de quem obedeceu arderam)?!
        Estás muito bem informado… pela CMTV, presumo!…
        Os bombeiros voluntários continuam a ser: “compostos por pessoas que se dedicavam voluntariamente à protecção do património nacional no que se refere a catástrofes naturais, como é o caso de incêndios, inundações,etc”!
        .
        Podes comentar à vontade!!
        Eu respeito todos os comentários – mesmo que sejam comentários cheios de estupidez e ignorância; até porque não é proibido alguém escrever disparates sem o mínima noção da realidade!…
        Mas não abdico é a da minha liberdade para comentar o que quer que seja!..

        • Vou tentar descer ao teu nível, apesar de me ser bastante difícil, não é o meu hábito.
          É só egocentrismo!!
          Tens de ver menos ARTV e deixar de ouvir ar mentiras políticas que aí se discursam. Tens de acreditar menos nas argumentações das “Patrícias” que falam muito bem para ludibriar o povo.
          Só mesmo um frustrado da vida é que vem para aqui descarregar as suas ofensas para cima de todos os que nem sequer conhece. Só mesmo um mal-formado ataca tudo e todos agindo como se fosse o detentor da verdade absoluta, uma espécie de DEUS OMNIPOTENTE dos comentários válidos, todos os outros comentários serão, no teu entender, de pessoas inaptas e desinformadas, só tu és o “sabão” que tudo sabe.
          Dizes que respeitas todos os comentários, falta acrescentar, que concordem contigo, aos outros ages com uma falta de respeito de bradar aos céus. Sabes onde podes meter os teus comentários? Aí mesmo onde estás a pensar, pelo menos igualas o odor.
          Não pretendo que abdiques de comentar seja o que for, só fico chateado pelos teus comentários desprovidos de educação e civismo, onde perdura o egocentrismo e descarga das frustrações da vida…
          Podes entender o que quiseres, estou-me nas tintas para os entendimentos daqueles que se escondem por detrás de apelidos egocêntricos.

          • Eh lá!…
            Quanta frustração… isso não te faz nada bem!…
            E, se duvidas houvesse, deixas-te um belo exemplo de respeito, cultura, educação e civismo…
            Gostei especialmente desta parte:
            “Sabes onde podes meter os teus comentários?”
            “Aí mesmo onde estás a pensar, pelo menos igualas o odor.”
            Lindo…
            Para quem se queixava dos comentários… será que não fizeste exactamente o criticas?!
            Pois…
            Mas pronto; deste o teu melhor e isso é que interessa!…

  3. Ai Costa, Costa que os teus amigos são uns bardinas do carvalho e não percebem nada desta m$#%&. Se não fosse o mau tempo o país estaria novamente todo debaixo de chamas. Ai Costa, Costa

  4. O problema de Portugal não são os portugueses! O problema de Portugal é que temos um bandalho, aldrabão, especulador enquanto primeiro-ministro. Esse charlatão, antigo membro, nº2, do governo do 44, mete os amiguinhos sem qualquer tipo de competência em lugares de topo da administração do estado e depois é asneiras atrás de asneiras. Enquanto lá tivermos este paspalho o país não melhorará, a não ser a reboque da Europa. Mas mesmo aí estamos nos últimos lugares do crescimento económico.

  5. Caríssimos!

    Já se percebeu que não sabem do que falam!
    Já se percebeu que confundem o funcionamento da Proteção Civil, com o governo!
    Já se percebeu que nestes momentos, em vez de ajudarem a resolver problemas, tentam (de forma ignorante) criar outros e pegam por tudo….só falta criticar por causa de um bombeiro ir beber um copo de água a um Café!
    Estamos num pais de mesquinhos, achistas, bombeiros de sofá e técnicos de proteção civil na mesa do café!

    Vocês que criticam, também são responsáveis por tudo isto….tenham juízo e ajudem a resolver, sem mesquinhez e criticas futeis!!!!

  6. “Para o primeiro-ministro, o facto de este ano ter havido menos ocorrências, menos incêndios, apesar de um estado climatérico mais adverso, deve-se em primeiro lugar “a esses grandes esforços” de prevenção. ”

    É.

    Ou será porque o ano passado já ardeu quase tudo?

    • A sério que ardeu quase tudo no ano passado?!
      Quem disse?!
      E esse ” quase tudo” é o quê?!
      Enfim… se o Costa fala demais, o que dizer destes comentários apalermados?!

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