Príncipe da Pontinha criou o seu próprio reino e luta pela independência de Portugal

Principado Ilhéu da Pontinha / Facebook

Ilhéu da Pontinha, na Madeira

“Antes príncipe louco do que madeirense enganado”. A frase é do auto-denominado Príncipe da Pontinha, o homem que comprou o rochedo situado a cerca de 70 metros da ilha da Madeira e que proclamou a sua Independência de Portugal.

A história do Príncipe Renato II, como o professor Renato Barros se auto-proclama, está a conquistar o mundo, graças ao documentário “Um sonho soberano” realizado por Gonçalo Guerra. O filme fez parte da selecção oficial do Madeira Film Festival 2016 e agora, foi nomeado para o Barcelona Planet Film Festival.

A obra cinematográfica relata o “sonho” deste Príncipe Renato II, O Justo, conforme se auto-denomina, que comprou o ilhéu da Pontinha, em 2000, e que em 2007, declarou a sua independência de Portugal.

Estamos a falar de um ilhéu que se situa a cerca de 70 metros da ilha da Madeira, à qual está ligado por uma ponte pedonal, e que tem uma área de apenas 178 metros quadrados. Aí se situa o Forte de S. José e é basicamente, um rochedo com uma pequena cave e uma plataforma em cima, não tendo sequer electricidade instalada, “alimentado-se” da energia gerada por um moinho de vento e por um painel solar.

Ilhéu custou 25 mil euros

Para conhecer em detalhe a história deste ilhéu da Pontinha, é preciso recuar a 1903. Nessa altura, o Rei D. Carlos I vendeu a posse do ilhéu e o seu domínio a uma família inglesa abastada, os Blandys que se dedicavam a produzir Vinho da Madeira.

Em 2000, quando soube que os Blandys o queriam vender, o então professor de Arte Renato Barros reuniu as poupanças, vendeu alguns bens e pagou 25 mil euros pela sua propriedade. Uma “loucura”, achou a família, conforme o próprio Príncipe da Pontinha assume num artigo que escreveu, em 2014, para o jornal inglês The Guardian.

Aí, conta também, como o seu pai era um mero taxista e como ele é agora “um Príncipe” que decidiu criar o seu próprio reinado, o único lugar do mundo onde o seu poder é “absoluto”.

Também se assume como “um pacifista” que “não precisa de dinheiro” e diz que, se tivesse a idade do filho, que terá agora, 28 anos, “provavelmente, vendia a ilha e comprava um Ferrari”. Mas, com 57 anos, diz que só quer “apreciar tudo aquilo que tem”.

Ingrid Beullens / Facebook

Belga Ingrid Beullens "oferece" a Renato Barros o seu Retrato Real.

Belga Ingrid Beullens “oferece” a Renato Barros o seu Retrato Real.

“Pontinha significa “um ponto”. Todas as mudanças no mundo começam com algo muito pequeno e este é o meu país – apenas um pequeno ponto”, frisa ainda o Príncipe Renato II no The Guardian.

Entre o sonho e o interesse regional

O ZAP tentou, sem sucesso, falar com Renato Barros, mas, em declarações ao site Business Insider, ele acusa o Estado português de o querer “roubar”. “Estou a tentar evitar o sangue e a guerra, mas o governo português e a comunidade internacional não levam a sério as minhas pretensões”, lamenta.

Renato Barros terá pendente, nas Nações Unidas, uma candidatura para reconhecimento da independência da Pontinha, enquanto parece pouco provável que as autoridades portuguesas lhe concedam esse desejo de soberania.

E o Governo Regional da Madeira não parece também, disposto a “libertar-se” do ilhéu, até porque terá tido, no passado, interesse em valorizar o Forte de S. José com um projecto de restauração. Isto até ter percebido que o ilhéu estava nas mãos de um particular.

Assim, o Governo Regional não pôde lá construir nada e também, estará a impedir Renato Barros de valorizar o espaço. Uma ideia que o politólogo António Oliveira Dias deixa num artigo de opinião no Diário de Notícias da Madeira, onde aponta que este foi “o rastilho” para “o grito de Ipiranga de Renato”.

Principado Ilhéu da Pontinha / Facebook

E para que este seu “sonho soberano” vá avante, “basta que um País Soberano o reconheça, para se consolidar no direito Internacional a soberania da Pontinha”, considera António Oliveira Dias. O politólogo também, entende que o ilhéu cumpre os “3 pressupostos basilares” para a independência de uma nação face à Carta das Nações Unidos, a saber, “haver território”, “haver população” e existir “um governo formal e efectivo”.

Ora, o Principado da Pontinha cumpre todos estes desígnios, incluindo “uma Constituição e um governo adequado à sua dimensão”, conforme refere António Oliveira Dias.

Enquanto alimenta o sonho, Renato Barros, que é o único residente permanente do ilhéu (porque a família não vive lá com ele), continua a dar aulas e gere uma galeria de Arte na Madeira. Além disso, ocupa-se com os “23 processos” que moveu em tribunal contra o Estado português, conforme referiu ao Business Insider.

Para o futuro da Pontinha, tem muitos planos, incluindo o de criar a Universidade do Principado, com o curso “Gestão de um País”, e o de reconstruir o Forte tal como ele era no passado.

Principado Ilhéu da Pontinha / Facebook

Planos de reconstrução do Forte de S. José no Principado da Pontinha

Planos de reconstrução do Forte de S. José no Principado da Pontinha

SV, ZAP

6 COMENTÁRIOS

  1. Pronto, independência já!

    Agora estabeleça -se a fronteira e as respectivas taxas alfandegárias, taxas para os vistos, para as obras de arte que trafica, etc. E ele amaina logo!
    Há cada palerma!…

  2. Hummm…. este independentista deve andar a almoçar ali para os lados de Mafra, onde existe um grupo que frequenta um certo restaurante de comida japonesa que se farta de falar no Continente de Mafra. Já têm hino, bandeira e possível localização para o grande aeroporto internacional do Continente de Mafra ( sim, porque isso de ser um país é coisa… pequena ).

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