Primeiro-ministro dos Países Baixos com segurança reforçada após ameaças de rapto

Stephanie Lecocq / EPA

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte.

Aumento das medidas de segurança está relacionado com uma crescente ameaça direta, mas também com a crescente onda de crimes violentos que os Países Baixos está a viver.

O primeiro-ministro dos Países Baixos, Mark Rutte, passou, nos últimos dias, a ser acompanhado de segurança extra face a suspeitas de que o governante poderá ser vítima de rapto ou de um ataque por parte de grupos organizados de criminosos. A decisão foi tomada depois de relatos que davam conta de que Rutte estaria a ser vigiado nas suas deslocações diárias para o trabalho, as quais faz de bicicleta, por um grupo frequentemente relacionado com o tráfico de droga.

De acordo com o jornal De Telegraaf, os elementos das forças de segurança que passarão a acompanhar Rutte são agentes dos Serviços de Segurança Diplomáticos e da Família Real. Os relatos mais recentes remetem para as negociações do Orçamento do Estado holandês, onde o governante foi visto a chegar com o que a mesma fonte apelidou de “guarda de segurança de elite” — com os seus porta-vozes a recusarem comentar o assunto.

Quem o fez foi Geert Wilders, político da extrema-direita dos Países Baixos, que no Twitter apelidou a situação de “terrível“, acrescentando ainda que não deseja algo semelhante a ninguém.

Em declarações a um programa de televisão, o jornalista do De Telegraaf que divulgou a história, Mick van Wely explicou que a ameaça está a ser levada muito a sério pelos serviços de segurança e que há elevados níveis de preocupação em torno da situação — em grande parte devido ao contexto de criminalidade que está neste momento a caracterizar o país.

De facto, o número de incidentes violentos a envolver gangues ligados ao tráfico de droga, nomeadamente com a chamada máfia marroquina, tem vindo a aumentar em números de tal forma altos que a polícia dos Países Baixos considerou que o país se está a tornar de narcotráfico, escreve o The Guardian.

Na memória da população está o assassinato de Peter R de Vries, um jornalista responsável por cobrir precisamente a criminalidade no país. Depois do evento trágico, imagens da morte começaram a circular pelas redes sociais, em tom de aviso por parte dos autores, de forma a dissuadir outros jornalistas de realizarem trabalhos semelhantes, mas também figuras de poder.

Antes da sua morte, De Vries foi porta-voz de Nabil B, antigo membro de um gangue que se tornou informador da polícia dos Países Baixos. Também ele acabaria morto antes de o julgamento dos seus antigos colegas se ter iniciado — está ainda a decorrer com fortes medidas de segurança, já que a polícia atribuiu ao cabecilha do grupo o rótulo de “um dos homens mais perigosos do mundo“.

As pessoas envolvidas no julgamento, entre 20 a 30, também tiveram a sua segurança reforçada, como foi o caso de juízes e advogados.

  ZAP //

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