Portugal está em risco elevado de escassez de água

Manuel Jorge Marques / Flickr

Enseada junto à Barragem da Caniçada, em Terras de Bouro

Portugal está entre os 44 países que esgotam, pelo menos, 40% das suas reservas de água, colocando-se numa situação de risco elevado de escassez de água, de acordo com um estudo do projeto “Aqueduto” do World Resources Institute.

Portugal está em risco elevado de escassez de água e ocupa a 41ª posição de uma lista que coloca 17 países, maioritariamente no Médio Oriente e Norte de África, em risco extremamente elevado de escassez de água.

De acordo com um estudo do projeto Aqueduto do World Resources Institute – uma organização sem fins lucrativos sedeada em Washington, nos EUA, e financiada por fundações, Governos, ONG e organismos internacionais -, esses 17 países, que representam um quarto da população mundial, usam pelo menos 80% das suas reservas de água a cada ano, com a agricultura, as indústrias e os municípios a representarem a maior fonte de pressão sobre as suas reservas de água.

Portugal está entre os 44 países que esgotam, pelo menos, 40% das suas reservas de água, colocando-se numa situação de risco elevado de escassez de água.

Os autores do estudo sublinham que uma margem tão reduzida entre oferta e procura como a que se verifica nos países mais pressionados deixa-os mais vulneráveis a variáveis como secas ou um maior uso das reservas de água, sendo cada vez maior o número de países que passam por um ‘Dia Zero’, ou seja, em que ficam sem acesso a água canalizada.

“A escassez de água coloca sérias ameaças à vida humana, à sua subsistência e à estabilidade económica. Isso está prestes a piorar, a menos que os países tomem medidas: o crescimento da população, o desenvolvimento socioeconómico e a urbanização estão a provocar uma maior procura por água, enquanto as alterações climáticas podem tornar mais variável a precipitação e a procura”, refere o relatório.

Sobre o Médio Oriente e o Norte de África, a região do mundo mais pressionada nesta matéria, o estudo aponta que a reutilização de águas residuais poderia gerar uma nova fonte de água potável, tendo em conta que 82% das águas residuais nestes países não são reutilizadas.

Na Índia aumentam as preocupações com as reservas ao nível do subsolo, para além das preocupações com as reservas à superfícies: os aquíferos estão a esgotar-se, em grande parte devido ao uso para regadio.

“As conclusões do estudo Aqueduto contextualizam esta crise: a Índia ocupa o 13º posto na lista de países mais pressionados pela escassez de água em termos globais e a sua população é três vezes superior à população combinada dos 17 países mais pressionados no mundo”, lê-se no relatório.

O estudo, que também analisa regiões dentro de países, indica, por exemplo, que a África do Sul, que em 2018 evitou por pouco o ‘Dia Zero’, ocupa uma posição na lista fora dos países mais afetados – 48º lugar, correspondente a um risco médio-elevado de escassez de água -, mas a zona da Cidade do Cabo é uma zona de enorme pressão e rivaliza em termos de regiões ameaçadas com países inteiros.

O estudo indica que viver pressionado pela falta de água não tem que ser uma fatalidade e que inverter essa situação depende em grande parte da gestão que se faz dos recursos.

Para além de exemplos de alguns países que já tomaram medidas para evitar a falta de água nas torneiras, como a Austrália que cortou para metade o consumo doméstico para evitar um ‘Dia Zero’, o estudo apresenta recomendações genéricas, aplicáveis à generalidade dos países, como apostar em técnicas de regadio eficientes, fazendo com que cada gota de água conte, investir em infraestruturas mais amigas do ambiente e tratar e reutilizar águas residuais, para que deixem de ser encaradas como desperdício.

O estudo Aqueduto analisou a situação em 164 países, para os quais era possível ter dados utilizáveis pelo modelo de análise usado, refere o estudo.

// Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Pois a minha minita e a charquita onde entanco a água para lavar os trapitos, regar a hortita, o milhito e os feijões nunca secaram e, que me lembre, o fio de água foi sempre o mesmo e já assim era no tempo do meu bisavô assim era (uma vez caiu dentro da charca com uma bebedeira e, quando demos por ela, já estava meio morto). E lá que vou buscar o cântaro da água para os gastos em casa e não temos cá casas de banho nem nada dessas coisas (as necessidades fazem onde calha e cobrem com terra para não aborrecerem ninguém). Era assim há 50 e 100 anos atrás, havia água com fartura, os rios e ribeiros tinham peixes e águas límpidas, podíamos nadar a vontade e pescar que ninguém nos incomodava. E hoje com o progresso? – Temos rios e ribeiros com águas pretas e mal cheirosas, peixes nem vê-los e quem nadar naquelas águas apanha umas comichões na pele e uma disenteria que nunca mais se vê livre delas. Acabem com os saneamentos e outras modernices, que só servem para encher os cofres e os bolsos sabemos lá de quem, com aquelas faturas que vêm no fim do mês e que muita gente se vê à rasquinha para pagar, distribuam o povo pelo território e em vez de etares construam fontanários públicos, como havia antigamente, e quem quiser água que a vá lá buscar. Já me vieram cá da câmara a falar num contador de água e em luz elétrica e eu perguntei quem pagava. E eles disseram que era a minha reforma; só que minha reforma não dá para um bacalhauzito, quando no tempo de Salazar que Deus haja com 5 escudos compravam-se dois bacalhaus dos pequenos. Acabaram por se ir embora a resmungar e nunca mais cá apareceram. Acabem com o alcatroamento e a betonagem da terra por todo quanto é sitio que as águas já não afundam e não vão brotar no mar; acabem com a construção desenfreada. A minha maior alegria foi ver o mar com uma só onda deitar uma casa abaixo que tinha sido construída sobre as dunas. Oxalá que muitas mais ele deite abaixo. O planeta precisa doutro ordenamento e a natureza vinga-se e vence sempre. (Este texto foi escrito pelo Manuelzinho de Vila Pouca, que andou para padre, mas fui, com a apodo Zé do pipo e nome de baptismo José Esteves, que lho ditei, contando-lhe as coisas como foram e são).

    • Beba-se um copito à sua saúde, Sr. Zé do pipo, por ter uma visão tão antiga mas tão simples e sustentável da natureza. Quem nos dera a muitos de nós portugueses que vivemos no inferno de lisboa e arredores, antros de muitos vícios e ganâncias, e em muitos outros infernos do litoral português, ter a sua minita, a sua charquita, a sua hortita, o seu milhito e os seus feijões, os rios e ribeiros de águas límpidas e muitos peixes onde nadava, não ter água canalizada nem eletricidade… quem nos dera, porque seriamos muito mais felizes e despreocupados, mesmo sem bacalhau pois, como o senhor muito bem diz, até o bacalhau a pataco do tempo de Salazar nos tiraram. Faça-nos um favor: conte mais coisas dos tempos que o senhor ainda vive e o Manuelzinho de Vila Pouca que as prante aqui, porque têm um sabor tão doce e são tão bonitas!

      • Vive em perfeita simbiose com a natureza. Ainda há homens com coragem, que se não deixam corromper. Esta é a verdadeira raça lusitana. Bebamos então, como exorta a sr.ª Isa.

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