Em Portugal já se preparam crianças para profissões que ainda não existem

O objetivo final da educação deve ser que as crianças fiquem não só preparadas para os testes e exames, mas sim para a vida pessoal e profissional. No ensino tradicional, isso nem sempre acontece.

Há quem ache que o ensino tradicional tem a “morte anunciada”. Enquanto isso, as escolas internacionais e/ou artísticas (pelo menos, para quem pode pagar) vão ganhando força pela forma como se adaptam aos tempos atuais.

Numa reportagem recente, a The Next Big Idea dá o exemplo da Internacional Sharing School, que nasceu na Madeira nos anos 80, inicialmente como Madeira British School.

Esta escola adotou, desde logo, um modelo educativo internacional inovador, distinguindo-se por um ensino diversificado, personalizado e mais estimulante para o desenvolvimento das crianças.

O sucesso na Madeira fez com que a escola voasse para Lisboa, onde hoje conta com mais de 700 alunos de 70 nacionalidades diferentes.

Em entrevista à The Next Big Idea, Miguel Ladeira Santos (um dos fundadores) explica que além da preocupação com a aprendizagem de diferentes línguas, a escola aposta também no desenvolvimento de competências socioemocionais e na aprendizagem baseada em projetos – que incentiva os alunos a resolver problemas reais, desenvolver pensamento crítico e trabalhar de forma colaborativa.

“Queremos formar cidadãos do mundo, que saibam adaptar-se a diferentes contextos e desafios”, afirma o CEO do Sharing Education Group.

Quanto ao uso de tecnologia, Miguel Ladeira Santos afirma que “a verdadeira inovação é repensar a educação e dar mais protagonismo aos alunos“.

No entanto, admite estar já a preparar as crianças para as profissões do futuro.

Prontas para profissões que nem existem

Já a pensar num futuro onde, como nota a The Next Big Idea, “80% das profissões não vão existir”, a Sharing School assume o compromisso de dotar os alunos com competências sem prazo de validade e de rápida capacidade de adaptação.

“É completamente contraproducente estar a preparar os alunos para um trabalho que daqui a 10 anos, quando eles acabarem a escola já não vai existir. Portanto, focamos em dar-nos outro tipo de skills, ensinar as pessoas a trabalhar de uma maneira mais colaborativa quando é preciso e a trabalhar uns com os outros”, sublinha.

Nesta escola, até a disposição das salas é diferente.

“Estávamos a seguir o caminho errado, criando salas convencionais. Decidimos recomeçar e pensar num design mais dinâmico e colaborativo“, com espaços flexíveis e multifuncionais, que promoviam a autonomia dos estudantes – apontou o diretor.

Como enumera a reportagem da The Next Big Idea, foram criadas zonas para trabalho colaborativo, áreas de foco, espaços informais e até beliches na biblioteca, permitindo que os alunos escolham onde e como preferem aprender.

“Os resultados foram impressionantes: as notas melhoraram, e problemas como bullying e ansiedade reduziram drasticamente”, enalteceu Miguel Ladeira Santos.

Por fim, apesar de todas as diferenças para uma escola “normal”, o diretor sublinha que, ali, “os alunos são avaliados como em qualquer outra escola“, com a diferença de aprenderem de forma diferente.

O ensino é mais autónomo, focado em projetos e liderado pelos estudantes, com o professor como facilitador do conhecimento”, refere, acrescentando que aquele método valoriza a investigação e a criatividade.

O objetivo final é que os alunos fiquem não só preparados para os testes e exames, mas sim para a vida pessoal e profissional.

ZAP //

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