Porto vs Liverpool | Sonho portista cai com estrondo

Fernando Veludo / Lusa

O sonho do FC Porto em dar a volta à desvantagem de 2-0 com o Liverpool trazida da primeira mão durou 26 minutos.

Até ao golo inaugural de Sadio Mané, completamente contra a corrente de jogo, os “dragões” pressionaram intensamente no ataque e deram mostras de serem capazes de discutir a eliminatória.

Mas no futebol a eficácia ofensiva dita regras e os “reds” acabaram com as esperanças lusas, garantindo uma goleada por 4-1 efectivada na segunda parte, através de um futebol letal de transições rápidas.

O Jogo explicado em Números

  • Excelente entrada do FC Porto na partida, perto de marcar logo no primeiro minuto por Jesús Corona, que rematou forte e colocado, mas ligeiramente por cima da baliza de Alisson. No primeiro quarto-de-hora o domínio portista era absoluto, com 54% de posse de bola, mas acima de tudo com uma energia e intensidade quase sufocantes, reflectidas em seis remates (dois enquadrados) contra nenhum do lado inglês.
  • A pressão portista, em especial no meio-campo, com boa ocupação dos espaços, não permitia aos “reds” pensarem o seu jogo ou até lançar ataques, originando uma fraca eficácia de passe, que não passava dos 62%. Contudo, aos 26 minutos, a equipa inglesa marcou… num lance confuso na grande área portista, Salah colocou a bola em Sadio Mané, que facturou. O lance foi invalidado por fora-de-jogo, mas o VAR acabaria por legitimar a jogada. Um “balde de água fria” no Dragão.
  • O tento do Liverpool surgiu ao primeiro remate enquadrado dos visitantes (em duas tentativas), numa altura em que o Porto registava já impressionantes 13 disparos, embora apenas quatro com a melhor direcção. À passagem da meia-hora de jogo era este o cenário, com os “dragões” a dominarem, a atacarem, e o Liverpool a marcar completamente contra a corrente de jogo.
  • O golo tirou crença aos portistas, pelo que os ingleses passaram a controlar um pouco melhor as operações. Porém, o facto de Alisson registar já seis defesas pouco antes do descanso dizia bem do plano inclinado da partida, em total contraste com o resultado.
  • Pelo que se passou na primeira parte desde jogo, não contávamos escrever o parágrafo do descanso a falar da vantagem do Liverpool.
  • O FC Porto entrou muito bem no jogo, esteve perto de marcar, dominou em termos de posse e impediu os visitantes de trocarem a bola com qualidade. Quando os “dragões” tinham já 13 remates e os “reds” apenas um, eis que Sadio Mané surgiu a marcar um golo que a equipa inglesa nada fez por merecer.
  • O melhor em campo ao intervalo era, sem surpresa, o guarda-redes Alisson. O brasileiro registava um GoalPoint Rating de 7.1, fruto de seis defesas, quatro a remates na sua grande área, e uma saída pelo ar eficaz.
  • O melhor do Porto era Alex Telles, que “secou” por completo Salah no seu flanco – o egípcio estava na grande área, do lado oposto, quando fez a assistência – e apresentava um rating de 6.4.
  • O domínio do FC Porto manteve-se no arranque do segundo tempo e até se intensificou até aos 66% de posse de bola, mas os “reds” controlavam muito melhor as movimentações da formação lusa, pelo que à passagem da hora de jogo os “azuis-e-brancos” somavam somente dois disparos desde o intervalo, um enquadrado. Os ingleses registavam um.
  • O Porto lançava-se no ataque e deixava espaços na defesa e foi isso mesmo que o Liverpool aproveitou aos 65 minutos, quando chegou ao 2-0. Num rápido contra-ataque, Trent Alexander-Arnold fez um passe rasgado para Salah e o extremo, perante Casillas, não desperdiçou.
  • A resposta do Porto surgiu aos 68 minutos. Canto da esquerda apontado por Alex Telles e Éder Militão saltou para cabecear forte para o fundo da baliza. Ao 18º remate, oitavo enquadrado, os “dragões” conseguiam, finalmente, marcar.
  • Marega era, aos 70 minutos, a imagem da infelicidade portista na finalização. O maliano era o mais rematador, com cinco, três enquadrados, e dois dribles completos em três tentativas. Mas golos nem ver. Um desperdício que “inspirou” Mané, aos 72 minutos, para a perdida da noite, ao atirar por cima da baliza deserta já depois de ultrapassar Casillas.
  • Quem não falhou, aos 77, foi Roberto Firmino, que fez o 3-1 de cabeça, após excelente cruzamento de Jordan Henderson – ao oitavo remate inglês, terceiro enquadrado. A eliminatória já estava resolvida, e também o jogo o ficou, embora não o resultado final. Aos 84 minutos, Virgil van Dijk fez o 4-1, também de cabeça, após canto da esquerda.

O Homem do Jogo

A forma como o jogo decorreu e a intervenção dos seus protagonistas não fariam prever que Henderson fosse o MVP da partida. O médio inglês entrou apenas aos 71 minutos, mas a tempo de causar estragos relevantes. Ao todo somou quatro passes para finalização, criou duas ocasiões flagrantes de golo e fez uma assistência, registando um GoalPoint Rating de 7.2. A entrada do médio inglês foi fundamental para os “reds” ganharem clarividência no momento de lançar transições.

Jogadores em foco

  • Éder Militão 6.8 – No último jogo europeu de Militão pelo Porto antes de rumar ao Real Madrid, o brasileiro fez questão de deixar uma marca forte. Para além do golo que apontou, foi o jogador mais interventivo, com 89 acções com bola, três dribles eficazes em cinco tentativas, três duelos aéreos defensivos ganhos em quatro e dez recuperações de posse.
  • Alex Telles 6.2 – O outro lateral portista também fugiu à hecatombe defensiva dos “dragões”. Salah pouco ou nada conseguiu fazer quando caía do lado de Telles, tendo de fugir para outras paragens para desequilibrar. Ao todo, o brasileiro somou uma assistência em três passes para finalização, teve eficácia em dois de cinco cruzamentos e somou seis acções defensivas.
  • Moussa Marega 5.2 – Jogo esforçado do maliano, com as suas incursões velozes e plenas de capacidade física, mas ineficaz no momento de finalizar. Ao todo, o atacante somou cinco remates, enquadrou três e completou duas de três tentativas de drible. mas nada mais.
  • Virgil van Dijk 7.1 – O holandês voltou a mostrar uma qualidade acima da média. Para além do golo que fez, no seu único remate, o central realizou nove alívios e ganhou a totalidade dos cinco duelos aéreos defensivos.
  • Mohamed Salah 6.1 – O egípcio sofreu para se libertar de Alex Telles mas, quando o fez, noutras zonas do terreno, foi decisivo. Salah apontou um golo em sete remates (apenas dois enquadrados), realizou uma assistência e completou as duas tentativas de drible. Pouco para o que tem habituado, mas ainda assim desequilibrador.

Resumo

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