Porto 2-0 Olympiacos | Chama do “dragão” trava gregos

Fernando Veludo / Lusa

O FC Porto venceu na noite desta terça-feira o Olympiacos por 2-0, numa partida relativa à segunda jornada do Grupo C da Liga dos Campeões, sob o olhar dos cerca de 3750 adeptos que se deslocaram ao reduto dos “azuis-e-brancos”.

Os “dragões” – que chegaram aos 100 triunfos em embates da Champions e da Taça dos Campeões, graças aos golos de Fábio Vieira e de Sérgio Oliveira – somaram os primeiros três pontos na prova diante de um adversário que tinha derrotado o Marselha na primeira ronda.

No outro encontro deste agrupamento, o Manchester City travou a armada francesa de André Villas-Boas por 3-0.

 

O jogo explicado em números

  • Após ter jogado com três defesas nas partidas frente ao Manchester City e Gil Vicente, Sérgio Conceição voltou a escolher uma linha com quatro defensores, três médios e outros tantos avançados para defrontar o Olympiacos. Realce para a recuperação de Otávio e para a continuidade na aposta em Fábio Vieira. Do lado grego, José Sá e Rúben Semedo foram titulares.
  • Matreiro, o “dragão” inaugurou a contenda na primeira vez que enquadrou um remate ao alvo, graças a uma pressão alta que conseguiu condicionar a primeira fase de construção dos gregos. Sérgio Oliveira aproveitou uma má recepção do capitão Bouchalakis, centrou, Cissé ainda impediu que a bola chegasse a Corona e Marega, mas na sequência, Fábio Vieira, com um pontapé letal, bateu José Sá e abriu a contagem aos 11 minutos.
  • Com uma boa organização, os “azuis-e-brancos” conseguiam travar com sucesso grande parte das investidas adversárias e com critério iam gizando lances de ataque. Um exemplo disso ocorreu aos 28 minutos; Sérgio Oliveira recuperou a bola em zona subida, assistiu e Marega não teve arte para desfeitear José Sá. Neste período, os campeões nacionais tinham, além da vantagem no “score”, 49% da posse de bola, 138 passes trocados, com uma eficácia de 80%, dois cantos e três remates, sendo que dois foram enquadrados.
  • Aos 32 minutos, um contra-ataque quase perfeito ia dando o 2-0 aos da casa. Fábio Vieira arrancou, passou a bola a Marega, que já no interior da área do Olympiacos quis assistir e não fez mira ao alvo. Mérito para José Sá, que foi lesto a sair da baliza e tapou o ângulo ao maliano. Ocasião soberana desperdiçada pelos comandados de Sérgio Conceição.
  • Num dos poucos ataques helénicos que levaram perigo, a cinco minutos do intervalo, Manafá fez “a vez” de Marchesín e cortou em cima da linha de baliza um remate de Valbuena, naquela que foi a ocasião dos forasteiros que mais calafrios levou à defensiva portuguesa.
  • Um golo do jovem Fábio Vieira fazia a diferença e dava expressão ao maior domínio do FC Porto, que foi inteligente na ocupação dos espaços, principalmente na zona central – área de acção onde ocorreram 50% das incidências neste período -, dessa forma soube “travar” os raides do Olympiacos e retirar o espaço nas costas da defesa, que a equipa de Pedro Martins tanto gosta de explorar.
  • O minuto 11 foi uma perfeita ilustração da forma como a equipa levou a campo as lições do “professor” Sérgio Conceição. Marega, em duas ocasiões, teve nos pés possibilidades para dilatar a vantagem, ao passo que apenas El Arabi (21′) e Valbuena (40′) assustaram Marchesín e companhia. om um GoalPoint Rating de 6.7, Sérgio Oliveira destacou-se.
  • O médio esteve na génese do lance que fazia a diferença pelo golo, fez, ainda, quatro passes valiosos certos (realizados a menos de 25 metros da baliza), 37 acções com a bola, sete recuperações do esférico, quatro desarmes e 78% de eficácia no capítulo do passe – 21 certos em 27 tentados.
  • À passagem do minuto 52, Marchesín segurou o ouro, negando o empate a Randjelovic após cruzamento de Valbuena. Em cinco tentativas – o mesmo número do que o FC Porto -, foi o segundo remate enquadrado à baliza feito pelo emblema de Atenas, que surgia mais agressivo na recuperação do esférico e incisivo a atacar.
  • Sucediam-se as jogadas de ataque do Olympiacos, que na etapa final já contabilizava quatro remates – tantos como os que fez na primeira metade –, outros tantos cantos, oito cruzamentos e 67% da posse de bola.
  • Por sua vez, o FC Porto tinha mais dificuldades em manter o ritmo que apresentara e começava a “destapar a manta”. Depois de Fábio Vieira, que foi substituído por Nakajima, seguiram-se as entradas de Grujic e de Evanílson, para as vagas de Otávio e Corona, respectivamente.
  • Apenas aos 72 minutos os “dragões” conseguiram uma finalização com relativo perigo, quando o remate de Marega saiu à figura de José Sá. Instantes antes, Bruma e Rúben Vinagre refrescaram a equipa visitante.
  • A cinco minutos dos 90, Sérgio Oliveira praticamente sentenciou qualquer tentativa de reacção dos gregos: Marega centrou com as coordenadas certas e o médio, com um cabeceamento, dilatou a vantagem para 2-0. Hassan ainda tentou reduzir distâncias, mas Marchesín voltou a gritar presente e defendeu o remate do egípcio.
  • Naquele que foi o sétimo frente-a-frente entre os dois conjuntos, sempre na fase de grupos da Champions, os portistas igualaram o mesmo número de triunfos dos helénicos (três) e ganharam um novo alento no que concerne à luta pela presença nos oitavos-de-final. Com este resultado, os homens de Sérgio Conceição colocaram um travão na série de dez jogos consecutivos a sofrer golos em partidas europeias.

 

O melhor em campo GoalPoint

Sérgio Oliveira é uma espécie de seguro, que quase nunca falha e cumpre sempre. Esta terça-feira, à fiabilidade já habitual que imprime na segurança e organização do FC Porto, foi uma espécie de “espalha brasas” junto à área do Olympiacos.

Primeiro, assistiu Fábio Vieira para o golo que inaugurou o marcador e, já na recta final, assinou o tento que dissipou as dúvidas relativamente ao vencedor deste jogo. O internacional português foi o MVP com um GoalPoint Rating de 7.6.

Além de tudo o enumerado – que não foi pouco -, criou três passes valiosos (certos feitos a menos de 25 metros da baliza), um cruzamento eficaz, quatro passes progressivos correctos, acumulou 58 acções com a bola, cinco recuperações do esférico, quatro desarmes e dois alívios.

 

Jogadores em foco

  • Marchesín 7.0 – Sempre que foi chamado a intervir, não vacilou e protegeu a vantagem da equipa com três intervenções de altíssimo nível. Teve, também, duas saídas em que retirou a bola da sua área a soco, 41 acções com a bola e acertou seis passes longos em 15 tentados.
  • Zaidu 6.7 – A missão de substituir Alex Telles não é fácil, mas a verdade é que o antigo jogador do Santa Clara vai-se aguentado no corredor esquerdo da defesa. Não se aventurou muito no ataque – um remate e dois cruzamentos feitos – e demonstrou muita segurança a defender: três duelos aéreos defensivos ganhos em outras tantas intervenções, seis recuperações de posse, quatro alívios e bloqueou em duas ocasiões passes/cruzamentos do Olympiacos.
  • Fábio Vieira 6.6 – Uma noite para mais tarde recordar. Novamente titular, marcou golo num dos dois remates que fez, demonstrou muita qualidade no capítulo do passe, com uma eficácia de 90% – 26 certos e três falhados -, três valiosos, dois cruzamentos, quatro recuperações de bola e ainda ajudou no processo defensivo.
  • Valbuena 6.2 – Enquanto esteve em cena, foi o jogador que mais dores de cabeça deu à defesa portista. O criativo francês tem na sua ficha um remate, quatro passes para finalização – máximo no encontro -, três passes valiosos, seis cruzamentos – outro máximo nesta noite -, duas acções no interior da área e foi perfeito no capítulo dos dribles, com três tentados e três concretizados com êxito.
  • Pepe 6.1 – No dia em que atingiu a marca dos 100 jogos da Liga dos Campeões, o defesa-central foi mais uma vez peça importante, esteve imperial nas altura, vencendo os quatro duelos aéreos defensivos que protagonizou, e foi quem mais recuperou a posse de bola, acumulando oito acções.
  • Marega 5.9 – O jogo não lhe estava a correr de feição, desperdiçando duas ocasiões flagrantes, mas redimiu-se e cruzou na perfeição para o cabeceamento de Sérgio Oliveira. Foi o elemento no terreno de jogo com mais acções dentro da área, no total nove.
  • Rúben Semedo 5.8 – O jogador português dos gregos que mais se destacou. É certo que acabou por tramar Bouchalakis na jogada em que nasceu o golo inaugural, mas ainda tentou remar contra a maré com dois remates, ambos desenquadrados, 80 acções com a bola e venceu dois dos três duelos aéreos ofensivos em que interveio.

 

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