Polícia do Reino Unido quer que a IA pare o crime antes que ele aconteça

(dr) DreamWorks Pictures

Minority Report, de Steven Spielberg (2002)

Prever um crime antes que aconteça é uma perspetiva tentadora que deixou as autoridades britânicas empolgadas com a Inteligência Artificial. Num projeto que alia a tecnologia à segurança, resta lugar para a ética?

A polícia do Reino Unido quer prever crimes violentos usando os poderes da Inteligência Artificial (IA). Segundo a New Scientist, a ideia é que os indivíduos sinalizados pelo sistema recebam aconselhamento para evitar possíveis comportamentos criminosos no futuro.

O sistema, chamado National Data Analytics Solution (NDAS), usa uma combinação de Inteligência Artificial e estatística para tentar avaliar o risco de alguém cometer ou tornar-se vítima de um crime com uma arma de fogo, por exemplo.

A West Midlands Police está à frente deste ambicioso projeto e tem até ao final de março do próximo ano para produzir um protótipo. No entanto, um dos principais institutos de ciência de dados já expressou sérias dúvidas e preocupações em relação a este projeto, depois de ter analisado as propostas.

O NDAS está a ser projetado para que todas as forças policiais no Reino Unido possam usá-lo. Como nos últimos anos o financiamento da polícia foi cortado significativamente, as forças policiais necessitam de um sistema que possa analisar os indivíduos criminosos já conhecidos com o objetivo de priorizar aqueles que precisam de intervenções mais urgentes, explica Iain Donnelly, líder do projeto.

Mas o que irá acontecer aos indivíduos sinalizados? Esta é uma questão que permanece ainda em aberto. No entanto, em relação a este ponto, Donnelly deixa claro que a intenção não é prender, mas sim fornecer apoio por parte de profissionais de saúde locais ou de assistentes sociais.

Este é um projeto ambicioso e o primeiro deste tipo em todo o mundo. Nas fases iniciais, a equipa reuniu mais de um terabyte de informações recolhidas de bancos de dados da polícia local e nacional, tendo sido identificadas cerca de cinco milhões de pessoas.

Através da análise destes dados, o software encontrou cerca de 1400 indicadores que poderiam ajudar a prever crimes, sendo que 30 eram especialmente poderosos: como o número de crimes que um indivíduo cometeu e o número de crimes cometidos por pessoas do grupo social em que esse indivíduo se insere.

A Inteligência Artificial usa, posteriormente, estes indicadores para prever quais os indivíduos, conhecidos pela polícia, que podem estar numa trajetória de violência semelhante à observada em casos anteriores. O sistema irá atribuir uma pontuação de risco a cada um dos indivíduos que indica a probabilidade de ocorrências futuras.

Se irá parar o crime antes que aconteça, não sabemos. Certo é que este projeto está já a provocar reações, nomeadamente por parte de uma equipa do Instituto Alan Turing, em Londres, que redigiu um relatório no qual alerta para os “sérios problemas éticos” que o NDAS levanta.

E questiona: Será de interesse público intervir preventivamente quando um indivíduo pode não ter cometido um crime nem ter intenções de o fazer no futuro? Apesar de ser eticamente bem-intencionada, a equipa do Instituto Alan Turing não tem a certeza se este é o melhor rumo a seguir.

LM, ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. esta visto que o poder politico ,tambem fica influenciado pelos filmes ;- ) e alguns que se dizem democratas e liberais ,afinal so o sao da boca pra fora !

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