Polícia de Hong Kong proíbe protesto e ameaça com risco de cinco anos de prisão

A polícia de Hong Kong proibiu a manifestação e a marcha pró-democracia agendadas para sábado, sublinhando que quem desobedecer pode enfrentar até cinco anos de prisão.

A decisão das autoridades foi justificada à Frente Cívica de Direitos Humanos (FCDH) por razões de segurança, dada a natureza violenta que tem caracterizado desde o início de junho muitas das manifestações em Hong Kong, segundo um documento à qual a agência Lusa teve acesso.

No mesmo documento, a polícia sublinhou que aqueles que desobedecerem à proibição podem incorrer em crimes com uma moldura penal que pode chegar aos cinco anos de prisão.

A marcha deveria terminar simbolicamente junto do Gabinete de Ligação do Governo Central em Hong Kong, para assinalar o 5.º aniversário do anúncio de Pequim de uma reforma política conservadora que estipulava uma triagem para as eleições do chefe do Executivo por sufrágio universal.

A proposta foi rejeitada pelo Parlamento de Hong Kong e a ‘nega’ de Pequim às reivindicações de sufrágio universal levou ao movimento que ficou conhecido como a “revolução dos Guarda-Chuvas”, quando ativistas pró-democracia ocuparam a zona central da cidade e bloquearam as principais estradas do território durante 79 dias.

O último protesto organizado pela FCDH terá juntado, segundo o movimento, mais de 1,7 milhões de pessoas nas ruas, numa marcha pacífica que também fora proibida pelas autoridades.

Tal como já acontecera, após este protesto voltaram a registar-se episódios de violência entre manifestantes e as forças de segurança, com confrontos nos subúrbios de Tsuen Wan, nos quais a polícia de Hong Kong recorreu ao uso de canhões de água e efetuou um disparo com arma de fogo para o ar.

“Cercados, sob ataque e enfrentando perigo de vida, seis polícias retiraram as suas pistolas (…) A fim de proteger a própria segurança e de outros polícias, um agente disparou um tiro de advertência para o ar”, lê-se num comunicado da polícia.

De acordo com o mesmo comunicado, pelo menos quinze agentes da polícia ficaram feridos durante os confrontos de domingo e dezenas de manifestantes, incluindo um menor de 12 anos, foram detidos por reunião ilegal, posse de armas e agressão.

A chefe de Governo de Hong Kong, Carrie Lam, que regista o índice de popularidade mais baixo de sempre, anunciou na passada semana a criação de uma plataforma de diálogo com a sociedade, mas avisou que se os protestos violentos continuarem vai usar todos os meios legais para os enfrentar.

“Há cinco anos, o Congresso Nacional do Povo bloqueou o nosso caminho para eleições livres. A sua tentativa de nos privar do sufrágio universal (…) desencadeou o movimento Occupy [Central]”, apontou a FCDH quando convocou o protesto.

Agora, lamentou a decisão da polícia em proibir a manifestação e a marcha de sábado, sublinhando que tem feito todos os esforços para que os protestos sejam pacíficos.

Exército de Libertação Popular chinês muda tropas

Entretanto, o Exército de Libertação Popular (ELP) chinês realizou em Macau e em Hong Kong a rotação das suas tropas, informou a agência de notícias estatal Xinhua.

A movimentação das tropas acontece no mesmo mês em que Pequim divulgou a mobilização de milhares de tropas chinesas em Shenzhen, cidade vizinha de Hong Kong, o que fez aumentar o receio de uma intervenção na ex-colónia britânica para travar os protestos.

A agência de notícias oficial chinesa, contudo, indicou que esta movimentação da guarnição do ELP chinês em Macau e em Hong Kong foi “aprovada pela Comissão Militar Central” e “é uma rotação de rotina anual normal, de acordo com a Lei de Guarnição” das duas regiões administrativa especiais chinesas.

Esta é a 20.ª e a 22.ª vez que há rotação das tropas em Macau e em Hong Kong, respetivamente, uma por cada ano desde que os territórios regressaram à administração chinesa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário. A transferência decorreu sob o princípio “um país, dois sistemas”, com o Governo central chinês a ficar responsável pelas relações externas e defesa.

ZAP // Lusa

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