Polícia de Hong Kong usou armas de fogo e gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes

Ritchie B. Tongo / EPA

A polícia de Hong Kong disparou hoje pelo menos um tiro depois de manifestantes pró-democracia terem atacado agentes com paus e varas, e usou gás lacrimogéneo para dispersar um grupo em protesto numa rua central da cidade.

Esta é a primeira vez, em três meses de protestos no território, que as autoridades usam armas de fogo contra os manifestantes.

“Pelo que entendi, um colega acabou de disparar a sua arma. O que me apercebi é que foi um agente fardado que disparou o tiro”, declarou um elemento da polícia de Hong Kong aos jornalistas, citado pela agência de notícias AFP, falando em violentos confrontos entre manifestantes e forças policiais.

Segundo um jornalista da estação de rádio e televisão pública RTHK, o único tiro foi disparado para o ar.

De acordo com as agências noticiosas internacionais, a polícia também recorreu neste domingo, pela primeira vez, a canhões de água, apesar de não os terem utilizado diretamente nos manifestantes.

O maior confronto teve lugar na zona de Tsuen Wan, a cerca de 10 quilómetros do centro da cidade. Enquanto uma multidão protestava num parque, um grupo invadiu uma rua principal, espalhou paus de bambú no chão e alinhou barreiras de tráfego e cones para tentar bloquear a passagem às autoridades.

Depois de fazer avisos, a polícia usou gás lacrimogéneo para dispersar a multidão, mas os manifestantes responderam atirando tijolos e artefactos explosivos artesanais contra os agentes de segurança. Após este episódio, os manifestantes acabaram por recuar.

Dois canhões de água e veículos da polícia juntaram-se aos elementos da polícia de choque que avançaram pela rua, tendo encontrado pouca resistência. Imagens televisivas mostram que um dos canhões de água foi usado uma vez, mas não pareceu ter alcançado os manifestantes que se retiravam.

Alguns manifestantes afirmaram ter recorrido à violência porque o Governo não respondeu às iniciativas pacíficas. “A escalada a que se assiste agora é apenas resultado da indiferença do nosso Governo perante as pessoas de Hong Kong”, disse Rory Wong, que se encontrava no confronto.

Centenas de manifestantes pró-democracia reuniram-se hoje num estádio, debaixo de chuva, e começaram a desfilar pelas ruas de Hong Kong, onde outros ajuntamentos se preparam, após os violentos confrontos na cidade no sábado, depois de 10 dias de calmaria.

O território chinês, que goza de grande autonomia, está a atravessar a sua mais séria crise política, desde a transferência da sua administração do Reino Unido para a China em 1997.

Desde junho que ações quase diárias têm sido organizadas para denunciar o declínio das liberdades e a crescente interferência de Pequim, em protestos que têm sido marcados por violência, mas também por muita criatividade.

Para fazer face a estas manifestações, o Governo de Hong Kong tem usado uma variedade de métodos, desde intimidação até propaganda e pressão económica, naquilo que os manifestantes apelidam de “terror branco”.

Dez pessoas foram hospitalizadas após os confrontos no sábado – duas em estado grave – disseram os médicos, sem especificar se eram polícias ou manifestantes.

Os manifestantes foram espancados pelas forças de segurança, que também dispararam gás lacrimogéneo. Durante a noite, os manifestantes atiraram pedras e garrafas.

Iniciados em junho, em recusa de um projeto de lei polémico que autorizava extradições para a China, os protestos têm alargado as suas reivindicações, para exigir um sufrágio universal, com receio da crescente interferência de Pequim.

Polícia justifica-se

A polícia de Hong Kong justificou esta segunda-feira o uso de canhões de água e um disparo para o ar, no domingo, em mais um dia de protestos violentos na região administrativa especial chinesa.

“Cercados, sob ataque e enfrentando perigo de vida, seis polícias retiraram as suas pistolas (…) A fim de proteger a própria segurança e de outros polícias, um agente disparou um tiro de advertência para o céu“, lê-se num comunicado da polícia.

A polícia também confirmou o uso, pela primeira vez, de dois veículos equipados com canhões de água para dispersar os manifestantes.

De acordo com o mesmo comunicado, pelo menos quinze agentes da polícia ficaram feridos durante os confrontos de domingo e dezenas de manifestantes, incluindo um menor de 12 anos, foram detidos por reunião ilegal, posse de armas e agressão.

A polícia apela ao público que se dissocie dos manifestantes violentos”, acrescentou a polícia, prometendo “medidas implacáveis” para levar estes manifestantes à justiça.

Hong Kong vive um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

Lusa // Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Cientistas criam massa que muda de formato assim que entra em contacto com a água

Da penne à fusilli: as pessoas adoram massas pelos seus formatos. Agora, uma equipa de cientistas liderada pelo Morphing Matter Lab da Carnegie Mellon University está a desenvolver massas planas que se transformam em formas …

Australiana fez uma cirurgia para remover as amígdalas (e acordou com um sotaque irlandês)

No dia 19 de abril, Angie Mcyen foi submetida a uma cirurgia para remover as amígdalas, um procedimento bastante simples que demorou apenas meia hora. Uns dias depois, acordou e apercebeu-se de que tinha um …

“Foi o crime do século“. Museu Britânico mostra o impacto do assassinato de Thomas Becket na Europa

Thomas Becket foi abatido dentro da Catedral de Cantuária por cavaleiros da comitiva do rei Henrique II. O assassinato, em 1170, causou ondas de choque em toda a Inglaterra. Agora, o religioso será recordado através …

Na Índia, ser-se rico ou pobre pode fazer a diferença no acesso à vacina

A Índia enfrenta uma grave escassez de vacinas contra a covid-19. Até ao momento, só 2,5% da população recebeu ambas as doses, enquanto 10% recebeu uma. Na Índia, as pessoas que vivem em cidades com fácil …

Ilha italiana torna-se "covid-free" e mostra-se pronta para receber turistas de todo o mundo

Numa altura em que vários países da Europa já começam a planear a abertura ao turismo de forma intensiva, há regiões que mostram já estar um passo à frente. É o caso da ilha de …

Política chinesa torna uigures reféns nas suas próprias casas

A China introduziu, em 2016, uma política de parentesco para promover a harmonia nacional e a unidade étnica, levando a que desde então mais de 1,1 milhões de funcionários do Estado ocupassem periodicamente as casas …

O palco de um dos maiores contos britânicos de sempre vai transformar-se num hostel

A Irlanda aprovou uma proposta para converter num hostel um dos pontos de referência de James Joyce mais icónicos de Dublin. O irlandês James Joyce é um dos maiores escritores da literatura britânica, sendo autor de …

Liz Cheney é a cara da oposição ao "trumpismo" no Partido Republicano

Esta quarta-feira, e depois de ter criticado o antigo Presidente dos Estados Unidos, a congressista Liz Cheney foi afastada de um cargo de liderança no Partido Republicano. Na noite desta terça-feira, e pouco antes de …

SC Braga punido com dois jogos à porta fechada por falta de habilitações de Custódio

O Sporting de Braga foi punido com dois jogos de interdição do seu estádio, após queixa da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), devido à falta de habilitações de Custódio, anunciou o Conselho de …

Marinha dos EUA faz apreensão de armas ilícitas no Mar da Arábia

A Marinha dos Estados Unidos apreendeu um carregamento ilícito de armas no Mar da Arábia, anunciou a Quinta Frota da Marinha americana. A apreensão do arsenal foi feita pelo navio USS Monterey na passada quinta-feira, dia …