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“Xeque-mate aos zombies”. Afinal, polémica da Prozis foi um “plano” de marketing

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CV (YouTube)

Miguel Milhão, Prozis

Miguel Milhão, fundador da Prozis

O fundador e accionista maioritário da Prozis, Miguel Milhão, refere que merece “um prémio de Marketing” pela forma como diz ter aproveitado a polémica em torno da sua opinião contra o aborto para fazer publicidade à empresa de suplementos desportivos.

No âmbito da sua primeira entrevista à comunicação social, depois da polémica que despoletou após se ter assumido contra o aborto, Miguel Milhão explica-se numa espécie de carta aberta aos portugueses que é publicada pelo Jornal de Negócios.

O empresário que fundou a Prozis quando tinha apenas 23 anos conta que aproveitou a onda de críticas que recebeu após se ter assumido “a favor da vida”, como nota, para dar destaque à marca.

“A Prozis teve publicidade como nunca na sua historia. E de graça“, aponta Milhão, frisando que “com toda a humildade”, acha que “merecia um prémio de marketing”. “Eu calculo que o valor de publicidade conseguida esteja acima dos 10 milhões de euros“, destaca.

Um plano contra “os zombies”

Milhão começa por realçar que “a ‘mob’”, ou multidão, em Português, “atacava tudo” para “destruir tudo” devido à sua opinião. Esse mar de críticas colocou-o a fazer aquilo em que é “melhor: pensar”, realça.

“Como poderia transformar uma situação terrível numa situação benéfica para mim, para a Prozis e para todos os portugueses?”, foi o que se perguntou a si próprio na altura, como escreve na mensagem divulgada pelo Negócios.

O fundador da Prozis nota que concluiu que as multidões “são como os zombies” que “foram contaminados por um vírus que lhes retira a capacidade de pensar” e que têm como “único objetivo infectar outros humanos”. E diz que foi “exactamente” isso que aconteceu nesta polémica, com “um grupo de seres humanos infectado com a ideia de que apenas a sua opinião é válida” a tentar, “a todo o custo, infectar humanos que têm ideias diferentes”.

Foi assim que, segundo conta MiIlhão, definiu “dois objectivos”. Por um lado, “fornecer o antídoto a estes zombies” que é “a liberdade de opinião”, e por outro, “aproveitar e fazer publicidade à Prozis“. “Ao fim e ao cabo, os zombies não são muito inteligentes e são fáceis de manipular, porque todos agem da mesma forma”, aponta.

Desta forma, sublinha que começou por “enviar declarações para os meios de comunicação onde transmitia a ideia da liberdade de expressão (antídoto) e também fazia o máximo de barulho possível, através de declarações incendiárias como: ‘Sou incancelável’, ‘não preciso de Portugal’”.

Surgiu-lhe também “a ideia de fazer um’ podcast’ onde executaria o mesmo plano, mas numa dimensão muito maior”. “Comunicando com bastante velocidade e agressividade, sotaque forte e sem grande elaboração fraseológica, certamente que todos acreditariam que eu sou meio burro“, destaca Milhão.

“E assim comecei a dizer declarações cada vez mais incendiárias, para atrair o máximo de zombies, como, por exemplo, ‘tenho recursos ilimitados’. Quem é que acreditaria numa declaração tão absurda como esta? Ninguém. Nem nenhum país tem recursos ilimitados. Mas isto atraiu os zombies”, salienta ainda.

“‘A Prozis não precisa de Portugal’ – Quem é que poderia acreditar que uma empresa que tem 10 fábricas, mais de 1000 colaboradores, milhares de parceiros, e centenas de milhares de clientes em Portugal, não precisaria deste país? Ninguém. Mas isto atraiu os zombies”, continua Milhão na mesma mensagem.

“Quem poderia acreditar que alguém que fica 10 anos sem falar com a comunicação social chega para chamar ‘filhos da puta’ aos seus clientes? Ninguém. Mas isto atraiu os zombies”, constata.

“País ficou a falar na liberdade de expressão”

Milhão ainda diz que colocou deliberadamente “uma câmara de filmar a apontar directamente para os olhos” porque “sabia que havia um tipo de zombies cujo ataque é criticar os defeitos físicos de outro humano com ideias diferentes”.

No fim de contas, Milhão garante que conseguiu o que queria, pois “todo o país ficou a falar na liberdade de expressão e a reflectir sobre este antídoto”. Além disso, garantiu publicidade “de graça” para a Prozis.

Consegui fazer com que os zombies trabalhassem para mim, simplesmente porque eles não pensam”, conclui.

O fundador da Prozis assegura que “ninguém” conhecia o seu “plano”. “Tive amigos e familiares que foram a minha casa em pânico dizendo que eu não podia dizer aquelas coisas… Porque eu não sou assim. A minha mulher dizia o mesmo”, aponta, salientando que os responsáveis da Prozis falaram com ele “desesperados”, a tentar convencê-lo “de que não devia dizer essas declarações incendiárias”.

Apesar de tudo, Milhão mostra-se grato porque diz que “nenhum deles” lhe “virou as costas” e todos o “apoiaram e confiaram no que estava a fazer”. Agradece também as mensagens de apoio de anónimos que diz ter recebido, “apesar de muitos deles não concordarem” com a sua opinião quanto ao aborto.

Em jeito de conclusão, o fundador da Prozis considera que “todos ficamos a ganhar – menos os zombies, é claro”. “A esses, apenas digo: Xeque-mate!”, termina.

  ZAP //

17 Comments

  1. Ainda não sei o que é a prozis nem qual é a posição dele acerca de coisas como o aborto ou o marketing. Imagino que o problema seja meu, mas honestamente, acho que é o facto de achar tudo isto extremamente desinteressante que me faz não querer saber.

  2. Nem consigo perceber. Mas acho que a partir de agora se e quando pensar em comprar um “suplemento alimentar” vou ver quem é o fabricante.

    • E qual é a vossa razão? Não deve existir liberdade de expressão?
      É errado cada um transmitir as suas opiniões e ouvir as dos outros? Afinal, vivemos em democracia?

  3. … boa tentativa de virar o bico ao prego, só lamento pelos funcionários. Mas reconheço que nesta sociedade de “ovelhas”, cada vez mais, a idiotice tem mais tempo de antena que o mérito.

  4. Esta ditadura está a agudizar-se…
    Desde quando não se pode exprimir a ideia de se ser contra o aborto como um método contraceptivo pago pelos nossos impostos? Sim, é isto que está em causa…
    Imaginem que um dia o movimento LGBT chega ao governo e então publicam uma lei em que todos temos de ser ou homo ou bissexuais…
    Nem comentariam, certo? Aceitavam e pronto… É que já faltou mais…

    • Só por, num caso destes, alguém falar em ditadura (e em Portugal, que está no top20 dos países mais democráticos do mundo!) já mostra o nível de alheamento da realidade de certos seres…

      E desde quando o cliente não pode escolher o produto que compra??
      A estupidez não é crime, mas eu compro o que me apetece e, se não me apetecer comprar um produto só porque o dono dessa empresa é estupido, não compro!!

      Há liberdade de expressão, mas também há liberdade de opção de compra e, também há consequências das atitudes que se tem publicamente.
      Quem não quer ser escrutinado publicamente, não se expõe porque, como há liberdade de expressão, também há liberdade de critica!
      A isso chama-se democracia – e não ditadura.

  5. A Opinião em relação ao aborto depende da sensibilidade de cada um, os que acham que por defeito não deve haver esse direito, bem como os que por defeito acham que que deve haver, ambos têm poder de vínculo mas moralmente tem muito que se lhe diga.
    Este Caro passou um atestado de insanidade mental a muitos Portugueses, mas transparece exatamente que este Amigo é,completamente INSANO, bem como muitos que andam por aí no mesmo ramo genérico, convencidos, donos disto tudo, superioridade mental. Haja Deus.
    Já enviei outros comentários mas não passam, porque mais incisivos, á Portuguesa.

  6. Nunca consumi nenhum produto da Prozis mas não tinha nada contra ou a favor; era possível que alguma vez experimentasse. No entanto, depois dos comentários deste Sr de certeza que não irei nunca comprar qualquer artigo desta marca. Nem sequer é pela sua posição em relação ao aborto (discordo mas cada um tem liberdade de ter a sua opinião). Não tenho é que premiar com a minha escolha pessoas que insultam os seus potenciais clientes. Há tanto mais no mercado, para quê escolher um produto associado a um arrogante misógino?

    • Tal como eu.
      Não tinha nada contra ou a favor (embora metade dos produtos Prozis sejam banhas da cobra tipo Calcitrin’s) mas, com esta atitude passou para o fim da lista numa possível futura compra!

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