Esta ave mostra que não é preciso ter um grande cérebro para formar uma sociedade complexa

Crisco 1492 / Wikimedia

Pintada-vulturina (Acryllium vulturinum)

A pintada-vulturina, uma ave proveniente de África, sugere agora que cérebros grandes não são necessariamente um requisito para viver entre sociedades complexas.

De acordo com o Science Alert, investigadores do Instituto Max Planck e da Universidade de Konstanz, na Alemanha, acompanharam as interações sociais de uma população de mais de 440 espécimes da ave pintada-vulturina, no Quénia, durante vários anos.

Mesmo no meio da multidão, o Acryllium vulturinum pode encontrar os seus amigos, e acompanhar o seu status social com centenas de outros indivíduos, um feito anteriormente conhecido apenas em mamíferos.

Estes animais são frequentemente observados em grupos, o que por si só não é incomum entre os pássaros. No entanto, o que é diferente neste caso é que esses grupos também têm associações consistentes com outros grupos.

Entre a população analisada, os cientistas descobriram que era composta por 18 grupos sociais, com 13 a 65 indivíduos em cada um, que consistiam em vários machos e fêmeas, incluindo pares reprodutores e não reprodutores.

Estas aves misturam-se com outros grupos durante o empoleiramento comunitário à noite e durante as atividades diurnas. Por exemplo, determinados grupos optam por juntar-se uns aos outros à noite, mesmo que não partilhem o mesmo território ou que não se relacionem durante o dia.

Depois de socializarem, determinados pássaros dividem-se de forma consistente dos seus grupos originais, o que significa que entendem quem faz parte do grupo e quem não faz. Os investigadores até suspeitam que estas aves tenham algo semelhante com grupos menores de amigos dentro desses grupos.

“Do que sabemos, é a primeira vez que uma estrutura social como esta é descrita no universo das aves”, disse o etólogo Danai Papageorgiou num comunicado do instituto.

Como tal, parece que esta espécie mantém círculos sociais complexos e de vários níveis, apesar de possuir um cérebro bastante pequeno.

“Esta descoberta levanta muitas questões sobre os mecanismos subjacentes às sociedades complexas e abre possibilidades interessantes de explorar o que é que fez essa ave evoluir um sistema social que é, em muitos aspetos, mais comparável a um primata do que a outras aves”, afirma também o etólogo Damien Farine.

Os investigadores observam ainda, no estudo publicado, este mês, na revista científica Current Biology, que as condições ecológicas moldam as interações entre os diferentes grupos desta ave, com maiores reuniões entre grupos observadas durante a abundante estação chuvosa.

“O nosso estudo não afirma que viver numa sociedade complexa não favorece um cérebro grande, antes sugere que podem haver maneiras alternativas e mais simples de alcançar os mesmos resultados sociais”, explicou Farine à Cosmos Magazine.

ZAP //

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